www.estudodamente.com - Psicologia

AutoConhecimento

Página atualizada em 13/06/2014

"Aquilo a que você resiste, persiste."

Carl Gustav Jung (1875-1961)

Meditação, Visualização e Arquétipos

No ato de visualizar, a pessoa que está meditando constrói imagens mentais, variáveis no grau de complexidade, representando as divindades ... com as quais se identifica e que lhe servem de guia ao longo do processo.

Cada divindade corresponde a uma força vital no interior profundo da pessoa e, através da união com várias divindades, aquele que medita entra em contato com essas forças - positivas ou negativas - utilizando-as ou, melhor ainda, tranformando-as, a fim de atingir estados mais elevados de consciência. ...

O âmago da visualização consiste nesta união com a divindade. É um porcesso dinâmico em que o ego do praticante, sua consciência comum, é posta de lado e substituída pela consciência mais elevada da divindade. Usando a linguagem de Jung, pode-se dizer que o ego do indivíduo foi sacrificado pelo Self.

O processo de visualização não é uma questão de reprimir as partes irreprimíveis de nossa psique, as formas arquetípicas que nos unem a toda a humanidade de todos os tempos, mas sim uma maneira de entrar em contato com aquelas, transformando-as gradativamente, até alcançarem um estado mais elevado de consciência. As diversa divindades são os simbolos da forças, positivas e negativas, boas e más, que travam batalha em nossa psique. Nenhuma destas forças, destas energias, se perde, cada uma delas é guarnecida e transformada em conscientização pura, essência espiritual pura. Ou para nos valermos da linguagem alquímica, o chumbo transforma-se em ouro.

Bibliografia :
A Psicologia de Jung e o Budismo Tibetano
Moacanin, Radmila
Cultrix/Pensamento
São Paulo
Pág. 66 a 68

Arquétipo

Jung deduz que as "imagens primordiais" - outro nome para arquétipos - se originam de uma constante repetição de uma mesma experiência, durante muitas gerações. Eles são as tendências estruturantes e invisíveis dos símbolos. Por serem anteriores e mais abrangentes que a consciência do ego, os arquétipos criam imagens ou visões que balanceiam alguns aspectos da atitude consciente do sujeito. Funcionam como centros autônomos que tendem a produzir, em cada geração, a repetição e a elaboração dessas mesmas experiências. Eles se encontram entrelaçados na psique, sendo praticamente impossível isolá-los, bem como a seus sentidos. Porém, apesar desta mistura, cada arquétipo constitui uma unidade que pode ser apreendida intuitivamente.

É importante ressaltar, todavia, que os arquétipos não possuem formas fixas ou pré-definidas. Segundo Jung:
“Nenhum arquétipo pode ser reduzido a uma simples fórmula. Trata-se de um recipiente que nunca podemos esvaziar, nem encher. Ele existe em si apenas potencialmente e quando toma forma em alguma matéria, já não é mais o que era antes. Persiste através dos milênios e sempre exige novas interpretações. Os arquétipos são os elementos inabaláveis do inconsciente, mas mudam constantemente de forma."

Extraído de: http://pt.wikipedia.org/wiki/Arqu%C3%A9tipo

Reconciliação e União

... a imaginação ativa é produto original da arte de Jung: ele entendia o processo de imaginação ativa como um equivalente das operações alquimicas. Em essência, é algo que envolve o diálogo contínuo entre dois opostos, isto é, o consciente e o inconsciente, em cujo curso vão-se integrando gradualmente todos os aspectos de uma pessoa. É o trabalho de reconciliação e união dos opostos que leva a transformação psicológica.
...
O processo de individuação, diz Jung, "... leva ao nascimento de uma consciência da comunidade humana, justamente porque nos torna cônscios do inconsciente, que une e é comum a toda a humanidade. A individuação é uma reconciliação consigo mesmo e ao mesmo tempo com a humanidade, visto que somos parte da humanidade."
Bibliografia :
A Psicologia de Jung e o Budismo Tibetano
Moacanin, Radmila
Cultrix/Pensamento
São Paulo
Pág. 60 e 63

Compreensão
JUNG
"Uns sapatos que ficam bem numa pessoa são pequenos para uma outra; não existe uma receita para a vida que sirva para todos."
Carl Gustav Jung (1875-1961)

O antigo método ortodoxo é negar a tentação, suprimi-la.
Mas você deve aprender a dominá-la. Não é pecado ser tentado.
Mesmo que você esteja transbordando na tentação, você não é mau; mas se você ceder à tentação, você estará temporariamente preso nos poderes do mal.
Você deve erguer em sua volta uma proteção de sabedoria.
Não existe força maior para resistir à tentação do que a sabedoria.
O completo entendimento colocará você numa posição em que nada poderá tentá-lo para aquelas situações que prometem prazer, mas que, no final, trazem apenas mágoa.

Paramahansa Yogananda

A Quarta Força da psicologia está assim definida no programa da Associação: “A Psicologia Transpessoal é o nome dado a uma força que está emergindo na psicologia e em outros campos através de um grupo de homens e mulheres que se interessam aos 'estados últimos'. Esta orientação transpessoal, ora emergente, se propõe estudar, de modo empírico e científico, e de promover de modo responsável tudo aquilo que descobrir relativo às vias espirituais, as necessidades transcendentes (meta-needs) individuais e da espécie humana, os valores últimos e a consciência 'unitiva', as experiências culminantes (peak experiences), os valores B (do Ser – Beeing), a compreensão, o êxtase, a experiência mística, a transcendência de si mesmo, o espírito, a unidade, a sabedoria cósmica, a sinergia individual e da meditação, a sacralização da vida cotidiana, os fenômenos transcendentes, o humor cósmico e a atitude alegre em direção a si mesmo, e os conceitos, experiências e atividades relacionadas com isto tudo.”

Dr. Roberto Assagioli

Realização
JUNG
"A realização consciente da unidade interior é inseparável da relação humana, que lhe é condição indispensável, pois sem ligação conscientemente reconhecida e aceita com o próximo, não é possível a síntese da personalidade."
Carl Gustav Jung (1875-1961)

A Psicossintese, como método de transformação, visa fomentar ativamente a harmonização e integração, num todo funcional, de todas as qualidades e funções da pessoa. Essa é a sua finalidade central. A técnica básica, que auxilia e até torna possível todo o processo pessoal e transpessoal, envolve a estimulação e o desenvolvimento da vontade. Lembramos a afirmação de Roberto Assagioli: "A vontade só é ineficaz quando tenta atuar em oposição à imaginação e às outras funções psicológicas (sensação, emoção/sentimento, impulso/desejo, imaginação, pensamento e intuição), enquanto que seu uso inteligente, por conseguinte, bem sucedido, consiste em regular e dirigir todas as outras funções para um objetivo final deliberadamente escolhido e afirmado". (em "Psicossintese – Manual de Princípios e Técnicas", Editora Cultrix, 1982, pág.22).

A tarefa de tomar consciência de si mesmo, de reconhecer as diferentes partes que nos habitam, de desenvolver a habilidade de trabalhar em prol de seu equilíbrio, integração e harmonização, nos permite descobrir e fortalecer nosso centro interior unificador. Vamos assim gentilmente, com persistência e determinação, experimentar o sabor único que se apresenta ao ser o ator, o autor e o diretor de sua própria vida.

Gostaríamos de mencionar brevemente que, embora a psicossintese esteja sendo desenvolvida e usada em terapia, seus princípios e métodos também podem ser aplicados em outros campos: no de higiene psicológica ou saúde mental, para a prevenção de distúrbios psicológicos; no campo da educação onde as principais técnicas usadas pela psicossintese têm ampla e fecunda aplicação; pode ter uma utilidade especial na educação de crianças dotadas e superdotadas; no campo das artes; na música assim como no vasto campo das relações inter pessoais e de grupo, isto é, em todos os campos de atividades humanas.

Finalizo com uma citação de Dr. Roberto Assagioli:

"Estamos em continuo contato uns com os outros, não só em termos sociais e no plano físico, mas também através das correntes interpenetrantes dos nossos pensamentos e emoções... A noção de responsabilidade, entendimento, compaixão, amor e inocência são elos de uma corrente de relações perfeitas que devem ser forjados dentro do nosso próprio coração."

Boletim do CPSP No. 34 (junho e julho de 2009)
Andrée Samuel é psicóloga clínica, psicoterapeuta com especialização em Psicossíntese; presidente-fundadora do Centro de Psicossíntese de São Paulo; coordenadora e ministrante do Curso de Formação em Psicossíntese; supervisora clínica; facilitadora de grupos de desenvolvimento pessoal e auto-conhecimento. É membro do Instituto de Psicosintesi, Florença, Itália; do Institute of Noetic Sciences, Califórnia, USA; da Association for the Advancement of Psychosynthesis, Amherst, USA.

A Mensagem das crises
Independentemente de como você vivencie as crises, sempre há nelas uma mensagem para a sua própria vida. Cabe a você não projetar suas experiências para fora, nos outros, o que é sempre a tentação mais perigosa. Ou ainda, projetá-las em você mesmo de um modo autodestrutivo, o que o leva a desviar-se da meta do mesmo modo que sucede quando projeta suas experiências no outros.
...
Se você aprender a separar a menor sombra da sua vida diária e a explorar o seu sentido mais profundo, você controlará as pequenas crises de um modo que se tornará impossível a dilatação do abscesso.
...
Toda pequena sombra é uma crise, pois ela poderia não estar aí.
Ela só está aí porque você se desvia do núcleo central que cria a crise.
Assim, separe as menores sombras da sua vida diária e pergunte-se sobre o seu significado.

O que você não quer ver e o que não quer mudar ? Se encarar isto, e realmente desejar encarar o núcleo principal e realizar a mudança necessária, a crise terá preenchido a sua função.

Você descobrirá novas dimensões da questão básica que farão nascer o sol, e a noite escura passará a ser a educadora, a terapeuta que a vida sempre é quando você procura compreendê-la.

Bibliografia:
O Caminho da AutoTransformação
Pierrakos, Eva
Editora Cultrix
São Paulo
1990
Pag. 164 e 165

"A vida oferece numerosas oportunidades de crescimento e de exercício. Podemos dizer que temos o laboratório e a oficina sempre conosco".

Roberto Assagioli

Exercício: A consagração do obstáculo
Escolha um lugar onde você possa se sentar e ficar completamente relaxado, mas não a ponto de cair no sono. Respire profundamente e procure se centralizar, da forma que achar melhor.

Procure se lembrar de um momento recente que lhe tenha provocado sofrimento ou fracasso. Considere essa experiência profundamente, recorde-se dela com todos os seus detalhes, todos os pensamentos, sentimentos e sensações que isso tudo lhe causou. Permita-se realmente reviver o sofrimento associado a essa experiência.

Agora, imagine-se saindo desse quadro mental. Observe todos esses elementos de fora. Diga em voz alta: "Abençôo esse medo (ou qualquer outra coisa que tenha representado o sofrimento ou fracasso experimentados)".

Continue analisando os componentes dessa experiência, como se você fosse um observador desligado do sofrimento, fracasso, etc. Reafirme a sua consagração, em voz alta, mais algumas vezes. Enquanto faz isso, veja e sinta a memória dessa experiência se modificar. As circunstâncias se tornam mais leves e você está bem menos ligado a esses acontecimentos passados.

Conscientize-se de tudo que aprendeu ao executar o exercício proposto acima. Agora, você está livre e desimpedido, tome a decisão de prosseguir.

Will Parfitt

Se nos tornamos dependentes das mudanças, e tentamos mudar coisas em nossas vidas antes de elas estarem prontas para isso, então estamos lutando em uma batalha perdida. De forma semelhante, se ficamos presos em conservar as coisas como estão, resistentes a toda e qualquer mudança em nossa vida, a batalha se mostra igualmente difícil e despropositada. Por outro lado, se aprendemos a aceitar o que está acontecendo, sem nos identificarmos com a necessidade de mudar ou manter as coisas, começa a ser criado um espaço em nossa vida para as coisas mudarem ou não, de acordo com as nossas reais necessidades.

Will Parfitt

Ao se aceitar o prazer sem suplicar por ele e sem se tornar dependente, e ao se aceitar o sofrimento, quando inevitável, sem temê-lo e sem se rebelar contra ele, consegue-se aprender muito mais tanto com o prazer como com o sofrimento, e torna-se possível "destilar a essência" que eles contêm.

Roberto Assagioli

Percepção
JUNG
"O pêndulo da mente se alterna entre perceber e não-perceber, e não entre certo e errado"
Carl Gustav Jung (1875-1961)

Simbolos, Individuação e Liberação
A união dos oposto num nível mais alto da consciência como já mencionamos, não é uma questão racional e muito menos uma questão de vontade, mas um processo de desenvolvimento psíquico, que se exprime em símbolos. Historicamente, este processo sempre foi representado através de símbolos e ainda hoje o desenvolvimento da personalidade individual é figurado mediante imagens simbólicas.
...
A vontade consciente não pode alcançar uma tal unidade simbólica, uma vez que a consciência, nesse caso, é apenas uma das partes. (...) É necessário contar com a magia dos símbolos atuantes, portadores das analogias primitivas que falam ao inconsciente. Só através do símbolo o inconsciente pode ser atingido e expresso; este é o motivo pelo qual a individuação não pode, de forma alguma, prescindir do símbolo. Este por um lado, representa uma expressão primitiva do insconciente e, por outro, é uma idéia que corresponde ao mais alto pressentimento da consciência.
...
Seu efeito é espantoso e quase sempre soluciona complicações anímicas, liberando a personalidade interna de confusões emocionais e intelectuais, e criando assim uma unidade do ser, experimentada em geral como uma "liberação".

Bibliografia:
O Segredo da Flor de Ouro - Um Livro de Vida Chinês
Jung, C.G. / Wilhelm, R.
Editora Vozes
Petrópolis
Decima Edição
1999
Pag. 28 e 44

"Existe um arquétipo médico-paciente que é ativado todas as vezes que uma pessoa fica doente. As feridas e doenças só serão curadas se entrar em cena o médico interior."

G. Craíg

Processo de Individuação
Jung chamou de processo de individuação o estado interior de comunicação do Ego com o Eu e do Eu com o Ego.

Processo de individuação seria assim uma comunicação franca, aberta, livre e profunda entre o Eu e o Ego.

Isso equivale ao processo de harmonização cósmica, ao estado de consciência que entendemos como Consciência Cósmica.

Bibliografia:
A Magia Dos Sonhos
Rodrigues, Adilson
Ordem Rodacruz, Amorc - Grande Loja de Jurisdição de Língua Portuguesa
Curitiba/PR
Terceira Edição em Língua Portuguesa
Fevereiro/2002
Pag. 81

"A vida oferece numerosas oportunidades de crescimento e de exercício. Podemos dizer que temos o laboratório e a oficina sempre conosco"

Dr. Roberto Assagioli

Altruísmo ativa região de prazer do cérebro
...
Um estudo liderado pelo neurocientista brasileiro Jorge Moll Neto, pesquisador do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, traz agora uma nova explicação.

Ao fazermos uma boa ação, segundo ele, acionamos no cérebro o sistema de recompensa ("brain reward system"). O mesmo que se acende em situações de prazer, como comer chocolate, fazer sexo, ganhar dinheiro ou consumir drogas.

A pesquisa publicada na revista PNAS, foi feita com 19 voluntários submetidos à ressonância magnética funcional enquanto tinham de decidir o que fazer com os US$ 128 que haviam acabado de receber: se guardavam para si ou doavam para alguma instituição filantrópica.

A ressonância mostrou que a simples doação ativava tanto o sistema de recompensa como uma outra parte do cérebro conhecida como córtex subgenual, relacionado às ligações duradouras entre as pessoas.

Quando fazemos uma doação, nosso sistema de recompensa (mesolímbico dopaminérgico) é ativado, assim como o córtex subgenual, que é a região envolvida com o apego social, com a formação de laços afetivos de longo prazo, como o que ocorre entre mãe e filho, entre casais e entre amigos.

Segundo Moll em entrevista a um grande jornal paulistano, descobrimos que temos em nossa biologia uma predisposição a valorizarmos a doação. Mas é claro que existem diferenças entre as pessoas, que só podem ser explicadas pela variabilidade genética: uns são mais capazes de sentir empatia que outros. Em um extremo, temos os psicopatas, incapazes de se ligar tanto a pessoas quanto a normas sociais. Do outro lado, temos os exemplares morais, como aquelas pessoas que enfrentavam riscos enormes para salvar os judeus na Segunda Guerra. Mas se olharmos uma sociedade como um todo, é claro que a cultura faz diferença. O sistema de valores de um povo é capaz de encorajar as pessoas a terem atos mais altruístas ou mais agressivos. Dependendo da cultura, ela vai estimular representações cerebrais que podem promover comportamentos socialmente mais louváveis. Quando o contrário ocorre, há muita injustiça, as pessoas se voltam para princípios muito mais elementares de sobrevivência individual.

No entanto, o importante desse estudo é que ele mostra um princípio: que temos mecanismos cerebrais que explicam emocionalmente porque uma pessoa faz coisas altruístas mesmo sem nenhum ganho pessoal, nem mesmo de visibilidade social. O problema é quando a estrutura social não oferece nem oportunidade de a pessoa tentar fazer alguma coisa. E aí não importa que o cérebro diga que fazer o bem é bom, porque não vai adiantar.

A sociedade sempre criticou a famosa "corrente do bem", com ressalvas e preconceitos. Muitos cientistas sempre foram incrédulos a ela, mas, no estágio atual, os exemplos motivam mesmo. Na pesquisa coordenada por Moll, só de pensar em fazer o bem os voluntários já ativavam o sistema de recompensa e liberavam uma carga de dopamina (neurotransmissor envolvido na sensação de bem-estar). Uma vez que a neurociência compreende os mecanismos por trás disso, percebemos que é fato, que temos um sistema cerebral que estimula o altruísmo. Então passa a ser uma verdade biológica, embora sem intenções reducionistas.
...

Autor : Joel Rennó Jr. - Extraído do Site : http://www1.uol.com.br/vyaestelar/cerebro_altruismo.htm

Auto-Observação
..., se desejamos conscientemente trilhar a senda do auto-conhecimento, objetivando um mundo melhor, é importante desenvolver a arte da auto-observação: O que está acontecendo nesse momento? Como eu me sinto? O que estou fazendo, reagindo à situação ou procurando me situar nela para então escolher como quero responder a esse estímulo? Como me relaciono comigo, com as pessoas, com as situações?

Busco viver em paz internamente e promover a paz à minha volta? O que eu quero para mim, para meus filhos, meus netos, meus alunos, meus clientes, para o Planeta?

Como promover a Paz? Será a Paz simplesmente ausência de guerra? E se assim fosse, como poderíamos deixar de "guerrear" - porque guerreamos dentro de nós mesmos quando nos julgamos, quando nos criticamos ferozmente... guerreamos fora de nós quando criticamos o outro, quando só vemos o defeito...

Como orientar as pessoas que nos procuram para que elas possam encontrar a Paz dentro delas? Como educar os jovens nesse mundo tão competitivo, tantas vezes hostil e árduo? Como aprender e ensinar a viver com o "diferente" de si mesmo? Como desenvolver um olhar e uma postura que inclua as diferenças, reconhecendo os talentos presentes, com uma atitude empreendedora para fazer uma diferença saudável nesse mundo?

Andrée Samuel é psicóloga clínica, psicoterapeuta com especialização em Psicossíntese; presidente-fundadora do Centro de Psicossíntese de São Paulo; coordenadora e ministrante do Curso de Formação em Psicossíntese; supervisora clínica; facilitadora de grupos de desenvolvimento pessoal e auto-conhecimento. É membro do Instituto de Psicosintesi, Florença, Itália; do Institute of Noetic Sciences, Califórnia, USA; da Association for the Advancement of Psychosynthesis, Amherst, USA.

Extraído do Boletim de Janeiro e Fevereiro de 2008 do Site : www.psicossintese.org.br

EXPLICATIVO SOBRE O QUE SÃO CONSTELAÇÕES SISTÊMICAS FAMILIARES
A Constelação Sistêmica Familiar é uma técnica terapêutica que foi desenvolvida pelo alemão Bert Hellinger, na década de 70. É uma terapia focada na reorganização do sistema familiar, ou seja, cada membro de uma família (sistema) deve ocupar um lugar e papel definido, o que nem sempre acontece na pratica, pois muitas vezes vemos filhos fazendo papel de pais dos próprios pais e outras tantas trocas que podemos identificar apenas observando um pouco nosso próprio sistema familiar.

Hellinger defende a tese de que a maior parte das nossas dificuldades na vida emocional, amorosa e prática (trabalho, dinheiro, doenças, etc) são resultados de heranças genéticas, culturais e da educação que recebemos de nossos pais e antepassados, formando assim padrões que repetimos e transmitimos aos nossos descendentes, perpetuando assim um sistema familiar desestruturado. Vários são os motivos que levam um sistema familiar a sair do seu equilíbrio, quer seja pela morte prematura de um familiar, um aborto (natural ou não), pela exclusão ou quebra de vínculo com nossa linhagem masculina ou feminina, podemos também entrar em sintonia (dó) com a dor de um antepassado e por este "dó" repetirmos seu script de vida, seja de abandono, solidão, doença ou outro tema.

Através desse sistema terapêutico pode-se reorganizar o sistema familiar de tal forma que passamos a vivenciar somente as nossas próprias experiências e não os padrões herdados. Com isto a vida volta a fluir no seu ritmo natural.

Embora seja direcionada para a reestruturação familiar também vem sendo aplicada com sucesso nos processos de Gestão de Carreira, Coaching e em departamentos/setores ou pequenas/médias empresas, para diagnosticar dificuldades relacionadas: abertura de empresa, qual o melhor segmento para o proprietário, baixa retorno da área comercial, sucessão, liderança e desestruturação ou desmotivação dos departamentos, dentre outros.

Recebido de www.gyraser.com.br

"A experiência imaginativa não é uma ilusão, mas uma experiência real feita num outro nível."

Roberto Assagioli

Quatro regras para validar a Interpretação do Sonho
1 - Escolha uma interpretação que lhe mostre algo que você não sabia.
2 - Evite a interpretação que infle o ego ou que seja auto-elogiada.
3 - Evite interpretações que transfiram suas responsabilidades.
4 - Aprenda a viver com os sonhos - utilize-os a longo prazo no decorrer de sua vida.
Bibliografia:
A Chave do Reino Interior - Inner Work
Johnson, Robert A.
Editora Mercuryo
São Paulo
1989
Pag. 108 a 110

Definição da Psicologia Transpessoal
A psicologia transpessoal é um termo que parece ter sido usado pela primeira vez por Roberto Assagioli, o criador da Psicossíntese, e também por Jung.
...
A Psicologia Transpessoal é um ramo da Psicologia especializada no estudo dos estados de consciência; ela lida mais especialmente com a "Exeperiência cósmica" ou os estados ditos "superiores" ou "ampliados" da consciência.

Estes estados consistem na entrada numa dimensão fora da do espaço-tempo tal como costuma ser percebida pelos nossos cinco sentidos. É uma ampliação da consciência comum com visão direta de uma realidade que se aproxima muito dos conceitos da física moderna.

Bibliografia:
A Consciência Cósmica - Introdução à Psicologia Transpessoal
Weil, Pierre
Editora Vozes
Rio de Janeiro
Segunda Edição
1978
Pag. 8 e 9

A Alma
[...]
A concepção espiritual do Eu e da Alma foi geralmente admitida pela filosofia cristã e pela tradição religiosa, se bem que em termos diferentes. Santo Agostinho já afirmara a unidade absoluta e transcendente do "Eu". Diversos místicos falam da "Centelha", ou ápice ("apex", em inglês) do "Eu" ou do "fundo", ou de seu "centro" que é a sua realidade intima e em que se dá o contato com Deus.

Na sua admirável obra "La Connaissance de l'Âme", o padre Alphonse Gratry diz:

"A alma trás consigo tesouros escondidos e não os vê, nada sabe sobre eles, não consegue explica-los" (p.147). Acrescenta, porém, que "possuímos um 'sentido interior' que, em momentos especiais em que conseguimos subtrairmo-nos ao tumulto habitual das distrações e das paixões, nos dá uma consciência direta e clara de nossa Alma" (p.196). "Sentia como uma forma interior... repleta de força, de beleza e de alegria... uma forma de luz e de fogo que sustentava todo o meu ser; uma forma que era estável, sempre a mesma, muitas vezes reencontrada em minha vida e esquecida nos intervalos, e sempre reconhecida com entusiasmo e com a exclamação: 'Eis o meu verdadeiro ser!' " (p. 199). [...]

Dr. Roberto Assagioli

SELF
[O texto a seguir é o depoimento que (*)Diana Whitmore (então Diana Bechetti) preparou após o contato de vários meses que ela teve com Dr. Roberto Assagioli na Itália, em 1974.]
...
Pela sua maneira de ser, ele exemplificava o que, em termos de Psicossíntese, é chamado Self - o centro nevrálgico, dinâmico e transcendente, radiante de consciência, pleno de amor e dotado de vontade. Este Self é a fonte da individualidade e universalidade, a centelha tanto da unidade de cada um, quanto da união de todos os seres, que formam o grande todo que é a humanidade. Assagioli afirmava que o objetivo do homem é manifestar completamente essa essência ou Self na vida diária.
...
(*) Diana Whitmore: Psicoterapeuta; MA em Educação Confluente, pela Universidade de Califórnia; estudando PhD em Educação pela Universidade de Surrey; fez treinamento didático com Dr. Roberto Assagioli, fundador da Psicossíntese; fez treinamento de Psicossíntese Humanística no Instituto Esalen, Califórnia.
...
Extraído do Boletim No. 29 - novembro e dezembro de 2007 do Site : www.psicossintese.org.br

O Espírito da Psicossíntese
depoimento de Diana Whitmore (*)
[O texto a seguir é o depoimento que Diana Whitmore (então Diana Bechetti) preparou após o contato de vários meses que ela teve com Dr. Roberto Assagioli na Itália, em 1974.]

"Tudo lhes é possível e acessível: felicidade, serenidade, eu lh'as ofereço de presente" Roberto Assagioli
...
Ele me ensinou que olhando minha personalidade "à luz do Self ", meus problemas ganhariam nova perspectiva. "Olhe as galáxias", dizia ele, as estrelas no céu da noite... reflita sobre elas também, nós não temos que resolver problemas, mas que aprender com eles. Como você encara seu lado escuro? Assumindo-o e aceitando-o, nós podemos então superá-lo e ele deixará de existir, restará somente uma sombra.

"Não há problemas", diria ele, "somente tarefas e oportunidades". Pela sua atitude, eu aprendia a "abençoar o obstáculo", a tomar meus obstáculos como trampolins, a aprender as lições que a vida me ensinava, em vez de encarar meus problemas como fenômenos negativos a serem eliminados.

Assagioli afirmava que a qualidade da felicidade completa (joy) é a qualidade mais próxima do Self real.
...
Diana Whitmore

(*) Diana Whitmore: Psicoterapeuta; MA em Educação Confluente, pela Universidade de Califórnia; estudando PhD em Educação pela Universidade de Surrey; fez treinamento didático com Dr. Roberto Assagioli, fundador da Psicossíntese; fez treinamento de Psicossíntese Humanística no Instituto Esalen, Califórnia.
...

Extraído do Boletim No. 29 - novembro e dezembro de 2007 do Site : www.psicossintese.org.br

Gestalt-Terapia
Uma nova abordagem psicológica para o encontro de si mesmo
Paulo de Tarso Costa, F.R.C., psicólogo
...
Durante a década de 60, Dr. Fritz Perls, após uma bem-sucedida carreira como psicanalista, desenvolveu não uma teoria, mas uma nova abordagem para a compreensão da mente humana - a Gestalt-Terapia.
...
Perls ... baseou-se na corrente humanista da Psicologia que surgia, postulando o homem como ente autônomo, livre para tomar suas decisões e imprimir à sua vida o rumo que deseja, como ser plenamente responsável por seus atos.

Perls adotou na base de sua abordagem princípios da psicologia da Gestalt clássica. Este princípios entendem a percepção humana com base nos conceitos de figura e fundo. A figura se define como o que percebemos como mais importante num quadro de referência, apelidado de fundo, composto pelos elementos circundantes e adjacentes a ela.

A Gestalt-terapia considera os processos mentais do indivíduo em função da focalização da figura emergente, buscando seu entendimento e posicionamento em relação ao fundo que se apresenta. Acredita que, na história da vida do indivíduo, suas percepções das figuras podem estar prejudicadas e também a forma de suas relações com o fundo.
...
A abordagem gestáltica valoriza a relação entre as partes, a relação entre a figura e o fundo, e vice-versa, entendendo também que são as relações entre a parte e o todo, e o todo e a parte, que indicarão o caminho a seguir.
...
O fechamento é um fenômeno clássico da psicologia da Gestalt, segundo o qual ao percebermos figuras abertas, incompletas, as completamos de nossa própria forma, de maneira a obtermos percepções completas das mesmas. A abordagem gestáltica busca trabalhar, entre outros, estes tipos de fenômenos em nossa existência, preocupando-nos em fechar as situações que mantemos inacabadas, que nos causam angústia e ansiedade.
...

Bibliografia:
Revista : O Rosacruz - número 209
Jul/Ago/Set - 1994
Publicação trimestral da Ordem Rosacruz, Amorc

Devemos compreender agora que a "psicologia" significa verdadeiramente o estudo de si.
...
Na antiga literatura religiosa e filosófica de diferentes povo, encontram-se múltiplas alusões aos estados superiores de consciência e às funções superiores de consciência. É tanto mais difícil compreender essas alusões porque não fazemos nenhuma distinção entre os estados superiores de consciência. O que chamamos samadhi, estado de êxtase, iluminação ou, em obras mais recentes, "consciência cósmica", pode referir-se ora a um, ora a outro - às vezes a experiências de consciência de si, às vezes a experiências de consciência objetiva. E, por estranho que possa parecer, temos mais material para avaliar o mais elevado desses estados, a consciência objetiva, do que para aquilatar o estado intermediário, a consciência de si, embora o primeiro só possa ser alcançado depois desse último.

... no estado de consciência de si, podemos conhecer toda a verdade sobre nós mesmos.

... no estado de consciência objetiva, o homem se encontra em condições de conhecer toda a verdade sobre todas as coisas, pode estudar "as coisas em si mesmas", "o mundo tal como é".

Esse estado está tão longe de nós, que não podemos se quer pensar nele de maneira justa, e temos que nos esforçar por compreender que só podemos ter lampejos de consciência objetiva no estado plenamente realizado de consciência de si.

Bibliografia :
Psicologia da Evolução Possível ao Homem
Ouspensky, P.D.
Editora Pensamento
Pág. 16, 17 e 26

Símbolos e Associações
Para cada símbolo de um sonho o inconsciente está pronto a fornecer a associação que explica seu significado. O inconsciente tem, em si mesmo, as referências para cada símbolo que produz; portanto, a linguagem simbólica do inconsciente pode ser descodificada. Nossa tarefa começa com o despertar para as associações que espontaneamente surgem dentro de nós em resposta aos símbolos.
Bibliografia:
A Chave do Reino Interior - Inner Work
Johnson, Robert A.
Editora Mercuryo
São Paulo
1989
Pág. 64

Símbolos
"Aprender a ler a linguagem dos símbolos tem um efeito positivo na nossa auto-imagem e na nossa energia. Você não tem que esperar uma crise para passar a enxergar as coisas de um modo simbólico e corretamente. Você pode começar onde quer que esteja."
Caroline Myss, Sacred Contracts

Dr. Roberto Assagioli (1888 - 1974)(*) escreveu :

Verificamos que nossa consciência ordinária, o nosso eu consciente, identifica-se sempre com o conteúdo da consciência num determinado momento. Se por exemplo, um sentimento triste vem a ocupar a nossa consciência, dizemos: "eu estou triste"; se uma sensação de cansaço a ocupa, dizemos "eu estou cansado"; se sentimos um langor agudo no estômago, exclamamos: "eu tenho fome"; e assim por diante ... Do mesmo modo, nos identificamos com características morais, intelectuais e sociais que refletem somente aspectos parciais de nós mesmos. Diremos assim "eu sou belo" ou "sou feio"; "eu sou forte" ou "sou fraco"; "eu sou homem" ou "sou mulher"; "eu sou marido ou pai ou filho" ou "eu sou positivista ou espiritualista", etc.

Não é sempre que o conteúdo particular ou aspecto da nossa personalidade é suficientemente amplo e forte a tal ponto de tomar toda a consciência. Pode-se, por exemplo, dizer "eu estou cansado" e assim mesmo pensar em algo mais, ter sentimentos e preocupações de outro gênero. Mas se o estado é bastante intenso, como uma profunda tristeza produzida por uma desilusão ou perda grave, ele ocupa por um certo tempo todo campo da consciência e a identificação do "eu" com o conteúdo da consciência é - naquele espaço de tempo - completa. A pessoa que se encontra numa tristeza profunda, não só diz "eu estou triste", mas esquece que foi tantas outras vezes serena e alegre, quase não sabe como é possível experimentar outros sentimentos e, se observar outras pessoas rindo e brincando, fica surpresa, aquele comportamento parecendo-lhe estranho, irreal. A pessoa tende a generalizar, a "objetivisar", por assim dizer, o estado subjetivo e transitório com o qual identificou-se e diz "a vida é triste", "somente a dor é verdadeira; tudo o mais é ilusão".

[...]

Quando é reconhecida a existência e o poder maravilhoso do Eu profundo, a sentença inscrita no Oráculo de Delfos "Conheça a ti mesmo" adquire um novo e mais profundo significado. Não quer mais dizer somente: "analise teus pensamentos, teus sentimentos e tuas ações"; significa também e acima de tudo: estude o teu Eu mais interno; descubra teu verdadeiro Ser; aprenda com suas maravilhosas potencialidades.

(*) Roberto Assagioli, Dr.: (1888 - 1974). Médico, especializou-se em neurologia e psiquiatria. Estudou e manteve contatos pessoais com Sigmund Freud e Carl Jung. Em 1910, em Veneza, apresentou os ensinamentos de Freud à comunidade médica, sendo um dos pioneiros do movimento psicanalítico na Itália.

Na mesma época, por volta de 1910, Assagioli estabeleceu os fundamentos da Psicossíntese. Ele percebeu que havia a necessidade de alguma coisa além da análise. Era a necessidade de reconhecer as diversas partes da pessoa e de integrá-las num todo mais amplo, harmonizando-as através da síntese.

Em 1926, fundou em Roma o Istituto di Psicosintesi. Com o advento do Fascismo na Itália, o Instituto teve que ser fechado. Logo após a guerra, Dr. Assagioli reabriu o Istituto di Psicosintesi em Florença (onde se encontra até hoje), além dos 14 Centros de Psicossíntese em diversas cidades italianas.

A partir de 1958 foram fundados, a nível mundial, o Psychosynthesis Research Foundation, nos EUA, o Centro de Biopsicossíntese, na Argentina e numerosos outros Centros na Índia, Califórnia, Canadá, Europa e Brasil.

Editorial: Contrariedades
por Andrée Samuel (*)
A vida é muito curiosa e, no mínimo, muito interessante! Parece ser regida por Leis e Princípios cuja compreensão e clareza tendem a nos escapar num primeiro momento.

Quem, dentre nós, não já teve a experiência de fazer uma escolha cujo sentido e significado sejam coerentes com sua necessidade daquele exato ponto de sua vida e tomado a decisão coerente com essa escolha? Penso que essa é uma vivência comum a muitos de nós!

Tomada a decisão, as coisas fluem e parecem se encaminhar para a concretização dessa decisão quando, de repente, como que "do nada" surge um fato que dificulta ou mesmo que impeça que essa escolha e essa decisão sejam efetivamente realizadas.

E agora?

Como lidar com o mar de emoções que toma conta de nós quando nos vemos em algumas situações frente às quais, naquele exato momento, a sensação presente é como se tivessem puxado o tapete por baixo de nossos pés e não vemos uma saída?

O que fazer?

Você já observou o que acontece com você numa situação dessa natureza? Talvez você possa se dar um tempo para rever, caso tenha vivido algo semelhante, qual o primeiro sentimento, a primeira emoção que apareceram?

Qual é o seu movimento espontâneo quando algo externo a você ameaça uma escolha e uma decisão tomadas por você?

Talvez você se reconheça contrariado, irritado, assustado; talvez você reaja com raiva e obstinação, com dificuldade para aceitar o obstáculo que surge... talvez você queira a qualquer custo fazer valer sua decisão agindo como se esse fato impeditivo não tivesse acontecido.

Um recurso possível para lidar com situações dessa natureza é, passado o impacto do primeiro momento, propor-se um minuto para respirar... esse movimento nos permite ganhar uma certa perspectiva em relação ao fato carregado de emoções... nos tranqüilizamos, nos centramos e podemos olhar para a situação de um modo mais global, num contexto mais amplo. Nos abrimos para que alguma compreensão mais abrangente possa se dar... conseguimos reconhecer outros aspectos que talvez até então tivéssemos ignorado... quem sabe, podemos até descobrir um lado positivo dentro dessa contrariedade...

Essa pausa favorece a oportunidade de desenvolver um novo olhar rico em descobertas interiores interessantes, em alternativas criativas, em insights e possibilidades de redirecionar a escolha de um modo satisfatório e significativo.

Andrée

(*) Andrée Samuel é psicóloga clínica, psicoterapeuta com especialização em Psicossíntese; presidente-fundadora do Centro de Psicossíntese de São Paulo; coordenadora e ministrante do Curso de Formação em Psicossíntese; supervisora clínica; facilitadora de grupos de desenvolvimento pessoal e auto-conhecimento. É membro do Instituto de Psicosintesi, Florença, Itália; do Institute of Noetic Sciences, Califórnia, USA; da Association for the Advancement of Psychosynthesis, Amherst, USA.

Extraído do Boletim No. 28 - Junho e Julho de 2007 do Site : www.psicossintese.org.br

Você sente o que eu sinto?
Por Steve Andreas
Quando eu lecionava Introdução à Psicologia para os primeiros anos da faculdade, no fim dos anos 60, um dos assuntos era percepção das cores. Uma vez que eu tinha bem mais de 100 estudantes e a incidência de daltonismo (cegueira para cores) é mais ou menos 5% entre o sexo masculino, havia usualmente dois ou três estudantes com déficit de percepção de cores, em cada semestre. Embora alguns desses estudantes já soubessem de sua deficiência, alguns ignoravam-na. Era fascinante observar a sua descrença inicial e o choque se diluindo à medida que eles começavam a notar que outras pessoas tinham uma experiência muito mais vívida e intensa do que a deles, em relação ao verde e ao vermelho - uma experiência que eles nunca poderiam conhecer.

Existem pelo menos dois outros exemplos que indicam fortemente que específicos déficits de processamento limitam severamente o que algumas pessoas podem fazer:

1. Déficit de atenção. Enquanto algumas pessoas sob essa classificação podem ser auxiliadas por uma variedade de métodos de PNL, a outros pode faltar a neurologia para "fechar" os circuitos que permitem a maioria de nós "desligar" estímulos irrelevantes de forma que possamos manter a atenção naquilo que é importante para a tarefa que estamos realizando. Por causa disto, apenas as situações mais simples estão livres de confusão e caos, e da resultante tempestade de sensações.

2. Autismo. Embora exista uma gama de severos sintomas de autismo, aparentemente muitas pessoas autistas simplesmente não tem a capacidade de entrar na experiência de outros para intuir seus prováveis sentimentos, motivações e incongruências. Por causa disto, os outros seres humanos são sempre um quebra-cabeças para eles.

Muitas vezes eu pensei sobre a abrangência desses exemplos, particularmente em relação aos sentimentos. Nós usualmente assumimos que os outros têm mais ou menos a mesma experiência quando usamos palavras como "cansado", "alerta", "motivado", "zangado". Mas podem haver pessoas cujos estados internos quando estão "motivados" são diferentes dos meus, assim como, a experiência do "vermelho" para os daltônicos. Eu sei o quão pouco eu posso realizar no fim do dia quando eu estou cansado e meu cérebro está "oco". É totalmente possível que algumas pessoas se sintam assim quando usam as palavras "alerta" ou "motivada". Pensando sobre o quão pouco eu poderia realizar se este estado fosse o meu melhor, me leva a pelo menos ser um pouco mais tolerante com aqueles que tem dificuldade de realizar coisas que para a maioria de nós são simples e fáceis.

Com certeza, seguidamente, uma simples intervenção de PNL na estratégia de motivação, ou ancorando estados de tenacidade, ou resolvendo um conflito entre partes com diferentes objetivos, e etc., possibilitará a estas pessoas atingir o que elas querem.

Mas também pode ser o caso de que a sua fisiologia seja tão diferente que nem uma dessas intervenções fará muita diferença. Esta possibilidade não deve nos impedir de tentar tudo o que imaginamos que se possa fazer, mas sim levar-nos a fazer tudo com um pouco mais de humildade.

Steve e Connirae Andreas começaram NLP Comprehensive em 1979. Junto, eles editaram e escreveram vários livros de PNL bem conhecidos, incluindo Sapos em Príncipes, A Essência da Mente e A Transformação Essencial. www.steveandreas.com

Bibliografia:
Publicado na Anchor Point de Jul/98.
Publicado no Golfinho Impresso Nº43 - Ago/98.

Trabalho Interior
Um bom começo para compreender o trabalho interior - apesar de parecer estranho à primeira vista - é através do Credo de Nicéia. Credo in Unum Deum : Creio em um Deus Único.
...
Qualquer que seja o sentimento a respeito do Credo como oração literal, religiosa, deve-se considerar o que significa no nível psicológico. Nela se afirma que existe um só sujeito, uma só Fonte, um começo, uma unidade da qual toda a multiplicidade da vida emana, e para a qual retorna.

Uma vez que sentimos este princípio, sabemos que não importam os conflitos que encontramos, não importam as confusões e choques que temos dentro de nós, são todos galhos de um mesmo tronco.

Sem esta convicção estaríamos desamparados; o tragalho sério com os sonhos e os confrontos da Imaginação Ativa seriam impossíveis. A multiplicidade de nosso interior nos esmagaria. Mas o Credo nos ensina que todas essas personagens interiores, toda essa energia, emanam de uma fonte única, indivisível e que podem ser reconduzidas ao Um. Uma forma de refazer esse caminho é entrar corajosamente nesse pluralismo, nessa dualidade, através do trabalho interior.

Bibliografia:
A Chave do Reino Interior - Inner Work
Johnson, Robert A.
Editora Mercuryo
São Paulo
1989
pag. 47 e 48

Um pouco do que pensava Carl Gustav Jung (1875-1961) sobre Símbolo, segundo o livro abaixo :

JUNG Um símbolo não traz explicações; impulsiona para além de si mesmo na direção de um sentido ainda distante, inapreensível, obscuramente pressentido e que nenhuma palavra de língua falada poderia exprimir de maneira satisfatória.
Bibliografia:
Jung: Vida e Obra
Silveira, Nise da
Editora Paz e Terra
2001
18a Edição
Pag. 70

Psicossíntese e as Falsas Identificações
Falsas Identificações

Agir "a partir de nosso centro" pode ser difícil, como todos nós já experimentamos. Uma das maiores dificuldades encontradas quando se aprende a agir "do centro" é a grande quantidade de falsas identificações que nós fazemos com aspectos internos específicos de dentro de nós. Por exemplo, podemos nos identificar as vezes com um sentimento passageiro de medo ou de raiva e perder ou distorcer nossa verdadeira perspectiva. Ou podemos nos identificar com uma de nossas "subpersonalidades" - esses aspectos semi-autônomos e freqüentemente contraditórios de nós mesmos que seguem uma rotina previsível, pré-programada, quando são evocados por um determinado conjunto de circunstâncias. Muito do trabalho básico da psicossíntese é orientado para o reconhecimento e a harmonização das subpersonalidades. Deixamos, então, de ser controlados por essas subpersonalidades de maneira desamparada, e podemos aprender progressivamente a dirigi-las conscientemente. Para isso, é essencial a aprendizagem do processo fundamental da "des-identificação" de tudo que não é o self, e da "auto-identificação" ou realização de nossa verdadeira identidade como um centro de consciência e de vontade.

Métodos Utilizados

Há uma grande variedade de tecnicas utilizadas na psicossíntese para atender à diversidade de necessidades apresentadas por situações diversas e pessoas diversas. Cada pessoa é tratada como um indivíduo, e um esforço é feito para achar os métodos mais adequados à situação existencial, ao tipo psicológico, às metas individuais, às necessidades e ao caminho de desenvolvimento da pessoa. Algumas das técnicas mais comumente usadas são: a imaginação dirigida, a consciência e o movimento do corpo, o trabalho com símbolos, o trabalho com a arte, manter um diário, o treinamento da vontade, a fixação de meta, o trabalho sobre os sonhos, o desenvolvimento da imaginação e da intuição, a gestalt, os modelos ideais e a meditação. A abordagem principal da psicossíntese é o tratamento da pessoa como um todo, embora em cada sessão se possa focalizar um nível ou um aspecto particular da pessoa. Tendo como objetivo a integração do corpo, dos sentimentos e da mente, a psicossíntese tem como meta promover um processo de crescimento contínuo, onde aplicamos as atitudes e técnicas básicas da psicossíntese na vida cotidiana para promover uma atualização mais jovial, harmoniosa e plena de nossas vidas.

Fases da Psicossíntese

Toda pessoa é um indivíduo, e a integração de cada pessoa segue um caminho particular. Mas no processo global da psicossíntese, podemos distinguir duas fases sucessivas - a psicossíntese pessoal e a transpessoal. Na psicossíntese pessoal, a integração da personalidade ocorre em volta do self pessoal, e o indivíduo atinge um nível de funcionamento, em termos do seu trabalho e de suas relações, que seria considerado como plenamente saudável pelos padrões atuais de saúde mental.

Na fase transpessoal da psicossíntese, a pessoa aprende a alinhar-se com o Self Transpessoal e a expressar as energias desse Self Transpessoal, manifestando então qualidades tais como: responsabilidade social, espírito de cooperação, perspectiva global, amor altruístico e propósito transpessoal. Freqüentemente, as duas fases se sobrepõem, e pode haver uma atividade transpessoal considerável bem antes da fase de psicossíntese pessoal estar completada.

O texto acima foi traduzido e adaptado do site Psycosynthesis (Canada)

Extraído do Site : www.psicossintese.org.br

Um pouco do que pensava Carl Gustav Jung (1875-1961) sobre neurose :

JUNG A neurose é uma dissociação da personalidade devida à existência de complexos. Ter complexo é, em si, normal; mas se os complexos são incompatíveis, a parte da personalidade que é por demais contrária à parte consciente se separa.
...
Os complexos divididos, por serem inconscientes, encontram apenas meios indiretos de expressão, ou seja, através de sintomas neuróticos. Ao invés de sofrer um conflito psicológico, a pessoa sofre de neurose. Qualquer incompatibilidade de personalidade pode causar dissociação e uma separação muito grande entre o pensamento e o sentimento, por exemplo, já constitui uma ligeira neurose. Quando não nos sentimos totalmente equilibrados em relação a um determinado assunto, aproximamo-nos da condição neurótica. A idéia de dissociação psíquica é a maneira mais segura com que consigo definir uma neurose. Evidentemente não cobre sua sintomatologia e fenomenologia; é apenas a formulação psicológica mais geral que posso dar.
...
Não sou totalmente pessimista em relação a uma neurose. Em muitos casos deveríamos dizer: "graças a Deus ele decidiu ficar neurótico". Essa é uma tentativa de autocura, bem como qualquer doença como um ens per se, como uma coisa desenraizada, como há algum tempo atrás se julgava que fosse. A medicina moderna, a clínica, por exemplo, concebe a doença como um sistema composto de fatores prejudiciais e de elementos que leva à cura. O mesmo se dá com a neurose, que é uma tentativa do sistema psíquico auto-regulador de restaurar o equilíbrio, que em nada difere da função dos sonhos, sendo apenas mais drástica e pressionadora.
Bibliografia:
Fundamentos de psicologia analítica
Jung, Carl Gustav
Editora Vozes
1985
Pag. 156 e 157

Carl Gustav Jung (1875-1961) escreveu :

JUNG Intelectualmente, o Self não passa de um conceito psicológico, uma estrutura que serve para expressar uma essência desconhecida que não podemos agarrar como tal, pois, por definição, ela transcende nossa capacidade de compreensão. Poderia igualmente chamar-se de "Deus dentro de nós". Parece que os primórdios de toda a nossa vida psicológica estão indissoluvelmente arraigados neste ponto, parecendo também que nossos propósitos mais elevados e derradeiros parecem consistir em ir em busca dele.
Bibliografia:
The Archetypes and the Collective Unconscious
Jung, C.G.
Princeton University Press
1969
Pág. 238

O Self Transpessoal
Diana Whitmore (*)

A Psicossíntese transpessoal é um processo que possibilita à pessoa explorar aquelas regiões cheias de mistério e maravilha que estão além da consciência ordinária. Chamamos estas regiões de supraconsciente - fonte das nossas mais altas intuições, inspirações, estado de iluminação. A exploração culmina com a descoberta do Self, nossa essência verdadeira, além das máscaras e dos condicionamentos.

Esta dimensão transpessoal pode muito bem ser o cerne da questão e merece ser olhada com atenção. Qual é precisamente o seu valor e como pode nos servir? O que podemos esperar ganhar quando buscamos entrar em contato e experienciamos este nível mais elevado ou mais profundo do nosso ser? Paradoxalmente a resposta repousa na pergunta - ESPERANÇA.

Sem a existência, ou pelo menos o reconhecimento do potencial de um nível da vida que transcenda o nosso dia a dia, a condição humana seria, algumas vezes, desesperançosa, complexa e confusa. Sem um vislumbre para além da realidade existencial, a tarefa de realizar uma vida plena seria opressiva. O contato com essa dimensão misteriosa também promete aumentar o desenvolvimento das funções física, emocional e mental.

É somente através do despertar da dimensão transpessoal que as respostas às mais profundas questões existenciais podem ser descobertas. É essa dimensão que constrói uma ponte entre o funcionamento cotidiano da personalidade e o nosso Self mais profundo do qual a maioria dentre nós tem pouca consciência.

Uma lei fundamental da Psicossíntese é que cada pessoa contém dentro de si, potencialmente, tudo aquilo que necessita para crescer e desenvolver-se. Deixo à especulação se esta Lei é verdadeira ou não. O que podemos tomar como verdade é que trabalhar psicoespiritualmente dentro de uma estrutura afirmativa e positiva conduz a resultados mais saudáveis e efetivos.

Trabalhar no domínio transpessoal favorece o sentido de quem sou, onde desejo ir com a minha vida e desenvolver a força e as qualidades que me capacitam para mover-me na direção escolhida. Inclui uma busca pelo significado (sentido), valor e propósito, busca da harmonia e do balanceamento da personalidade e por um Self autêntico.

Todas as nossas experiências transpessoais são elaborações distantes de emanações, qualidades e energias do Self; não é o Self em si. Podemos usar a analogia do sol para ilustrar isto: o Self é como o sol que está no centro distante do nosso sistema solar e que permanece lá, ainda que seus raios e sua enegia penetrem em todo o sistema solar. Assim, a radiância e as emanações do Self penetram todo nosso ser. É praticamente impossível descrever adequadamente a experiência do Self. No Oriente é descrita como vácuo, o ponto do "nada" , o Tao, ser puro, energia essencial, a jóia no lótus. Não é uma experiência; é a fonte de toda experiência - assim como o sol é a fonte de toda luz.

O conhecimento a respeito do nosso Self conecta-nos com as qualidades do supraconsciente de perfeita paz, tranqüilidade, unidade e serenidade que apontam para uma realidade transcendente. Há uma combinação de individualidade e universalidade, de sentir-se único e também parte de um todo maior, uma solidariedade com toda a vida. Existe um paradoxo entre tornar-se e ser: o de continuamente desenvolver-se na direção de algo que é maior do que somos neste momento ainda que sabendo e sendo plenamente o que somos. O Self é mais simplesmente descrito como um centro de autenticidade, bondade e inteireza interior, de essência.

O supraconsciente é o termo usado para designar a mais alta, ou mais profunda região espiritual da psique. A diferença entre o supraconsciente e a personalidade é de nível mais do que de natureza. Experiências supraconscientes consistem fundamentalmente em uma conscientização que emerge da atividade que ocorre nos níveis mais altos da consciência humana. Eles trazem consigo uma carga qualitativa e transcendem nossa consciência habitual. Colocam-nos em contato com uma dimensão atemporal e sem formas pré-estabelecidas, favorecendo uma percepção rara e preciosa da realidade não plenamente conhecida por nós.

Podemos ver o Self como irradiando um campo magnético à sua volta que chamamos de supraconsciente. Outra faceta do Self é ele nos servir como força diretriz que nos guia. Baseada num princípio já colocado: o de que a pessoa tem consigo tudo quanto necessita para crescer e desenvolver-se, inclusive as respostas para suas questões pessoais, podemos dizer que cada um de nós possui uma fonte interior de sabedoria. Esta fonte contém dentro dela um lugar de verdade escondido e geralmente esquecido. À medida que essa fonte se desvela, emerge um senso de ser que permeia nossa consciência.

Outro aspecto importante é o de revermos nossa relação com os outros. Habitualmente, vemos as pessoas e os outros elementos da vida de um modo superficial e percebemo-los como partes separadas de nós e um tanto quanto diferentes. Sentimo-nos como fundamentalmente isolados dos outros; o contato com a dimensão transpessoal remete-nos de forma consistente a um senso de solidariedade com todos os seres e com o fato de sermos essencialmente parte de um todo maior.

Assagioli escreveu: "Uma concepção espiritual da vida é de grande ajuda. Tal concepção capacita-nos a olhar para os seres humanos, nossos companheiros, não como corpos ou personalidades separadas que é um fim em si mesmo mas como seres espirituais, peregrinos do caminho da realização."

(*) Este texto foi extraído do livro "Psychosynthesis in Education" (cap. 7), de Dianna Whitmore e traduzido pela Dra. Andrée Samuel.

Extraído do Boletim No. 8 - janeiro, fevereiro e março 2002 do Site : www.psicossintese.org.br

Do medo ao amor e confiança
por Andrée Samuel (*)

O medo interrompe o fluxo natural de energia. O medo é o fator de maior influencia na qualidade de vida do individuo e da coletividade.

As escolas de psicologia ensinam que o medo da existência é um dado na nossa constituição psicológica. Esse medo da existência permeia todas as nossas ações na vida. Nos leva a guerras, cria dependências, inúmeros sofrimentos, às vezes ao poder e às vezes à falta total dele. O padrão de crenças do medo da existência, no qual nossa cultura e religião ocidental estão baseadas, tem conseqüências tremendas no nosso comportamento individual e social. O medo da perda, da insuficiência, cria a fundação para grande parte dos conflitos.

Olhando para trás, revendo centenas de anos de nossa história, vemos a humanidade vivendo essa realidade de medo da existência e da sobrevivência nas suas formas mais variadas.

Será essa realidade verdadeira? Talvez tenha chegado o momento de voltar a atenção para esse especifico padrão de crenças para reconhecer o seu "não senso". Talvez esse seja uma velha herança psicológica, um velho programa que necessita desesperadamente ser transformado. Talvez possamos olhar para ele, aceita-lo como algo que serviu por um bom tempo mas cujo tempo agora acabou.

O que é o medo? Pensamentos e emoções são impulsos que influenciam o campo energético do individuo e da coletividade. Os pensamentos, de acordo com seu conteúdo, têm uma freqüência vibracional que busca uma vibração na mesma sintonia. Se pensarmos muito a respeito de violência cria-se o medo; esse medo e essa violência podem ser atraídos na vida.

Podemos imaginar a psique coletiva como um mar de energia eletromagnética, no qual a psique individual (cada uma constelada em torno de seu centro espiritual) se encaixa. Pensamentos e vibrações emocionais da mesma freqüência se atraem mutuamente. Lendo a respeito do medo, falando sobre ele, assistindo-o nos filmes ou na televisão, cria mais medo nesse mar. Será meu próprio medo? Ou será que o atraio pelo meu pensar sobre ele?

Se for verdade que o foco do observador direciona e amplifica um campo energético, então faz sentido que seja no que for que eu coloque minha atenção o campo seja igualmente amplificado! Isto também será válido para o medo. O medo encarcera e torna suas vitimas impotentes. O medo é causado por algo que eu percebo como mais potente do que eu. O medo fragiliza e cria dependência. Como poderia eu lidar com esse medo, meus medos internos e externos, e os medos dos outros?

Posso aprender a observar meu próprio medo e então conectar com meu centro interior, com meu espaço sagrado, e com a energia do meu coração. Isto poderá mudar minha freqüência vibracional que, por sua vez, me permitirá voltar-me para o medo, interior ou exterior, para aceita-lo e acolhe-lho amorosamente. Respeitando e aceitando o medo pessoal e o sofrimento que ele causa, a gentileza e a amorosidade podem permear o medo com suas "moléculas amorosas"; o medo pode relaxar e descansar.

Para poder conter o medo amorosamente, é necessário que essa energia de vida onipresente seja despertada e que se tome consciência dela. É essa consciência que poderá aceitar e transformar o medo.

Como fazer este despertar? A Psicossíntese oferece um grande cabedal de exercícios, de práticas que usamos como recurso na senda do auto-conhecimento e da ampliação da consciência. Talvez você queira experimentar agora um exercício para despertar e familiarizar-se com o amor no qual o medo poderá descansar.

Observações: Sugiro que você escolha um lugar tranquilo onde você possa sentar o mais confortavelmante possível por alguns instantes. Pode ser interessante e facilitar o exercício se você fizer uma primeira leitura em voz alta, gravando suas etapas.

Convido-o a fechar seus olhos.

Reafirme seu propósito ao fazer o seu exercício.
Para isto, você pode dizer mentalmente, ou em voz alta, "Escolho fazer esse exercício para despertar e me familiarizar com o amor no qual o medo poderá relaxar e descansar".
Coloque a atenção na sua respiração, sem julga-la, sem critica-la.
Gentilmente observe sua respiração... a inspiração... a expiração...
Imagine sua vida se o amor fosse sua base: estar vivo é um ato de amor, o amor que é a expressão do "Self" nesse mundo.
Fique o tempo que você precisar para permitir que essa imagem seja absorvida por você o mais profundamente possível.
Respire e volte a atenção para o estado presente nesse momento em você.
Quais são as sensações presentes?
Quais são os sentimentos e as emoções presentes aqui e agora?
Quais são os pensamentos que circulam pela sua mente aqui e agora?
Aceite o que se apresentar sem julgamento.
Simplesmente, observe, reconheça e aceite aquilo que vier.
De que modo isto que você observa poderia mudar sua vida?
Como isto poderia influenciar o meio no qual você vive?
Respire... sem pressa...
Quando você se sentir pronto, respire profundamente, inspirando e expirando...
Tome consciência do seu corpo.
Mova suas mãos e seus pés, lentamente tomando consciência dos movimentos que você está fazendo.
Mova suas pernas, seus braços... mova sua cabeça, lentamente, de um lado para o outro, para frente... para trás... realizando movimentos lentos e gentis...
Quando se sentir totalmente pronto, abra os seus olhos.
Registre sua experiência num caderno para você poder reler em algum outro momento, após ter repetido esse mesmo exercício algumas outras vezes.

Vamos lembrar que Dr. Roberto Assagioli sempre lembrou aos seus alunos, aos seus pacientes, a importância da repetição dos exercícios como um meio de trabalhar padrões que se deseja transformar e de se familiarizar com e ancorar novas energias evocadas pela prática realizada.

Andrée

(*) Andrée Samuel é psicóloga clínica, psicoterapeuta com especialização em Psicossíntese; presidente-fundadora do Centro de Psicossíntese de São Paulo; coordenadora e ministrante do Curso de Formação em Psicossíntese; supervisora clínica; facilitadora de grupos de desenvolvimento pessoal e auto-conhecimento. É membro do Instituto de Psicosintesi, Florença, Itália; do Institute of Noetic Sciences, Califórnia, USA; da Association for the Advancement of Psychosynthesis, Amherst, USA.

Extraído do Boletim No. 27 - março e abril de 2007 do Site : www.psicossintese.org.br

VIVER A VIDA INTEGRALMENTE

Viver a vida é realmente uma grande viagem. É no viver que vamos nos descobrindo.

Infelizmente, vivemos continuamente no “automático”. Viver no “automático” é viver na limitação, pois temos uma ou, no máximo, duas respostas para casa situação de vida e quando aparece uma situação nova vamos buscar uma resposta antiga e arquivada que chegue o mais próximo possível da necessidade do momento. Configura-se então uma vida restrita e sem horizonte para expansão.

As situações de vida estão a serviço de nossa evolução e desenvolvimento pessoal, enquanto indivíduos e seres humanos e por isto precisamos desenvolver não apenas uma nova forma de olhar tais situações, mas também apurar o nosso olfato, nosso paladar, nossas sensações e nosso saber ouvir.

Apurar todos os nossos sentidos não significa fazer o contrário, mas sim diferente. O que nos permite fazer diferente é, primeiramente, a auto-observação de como nos relacionamos com as situações e pessoas na nossa vida para, pouco a pouco, introduzir respostas diferentes, utilizando todos os outros recursos e sentidos até então inativos ou pouco utilizados.

Precisamos ousar. Apurar nossos sentidos é experimentar perceber cada situação de vida sob novo prisma; cada situação, mesmo que seja com a mesma pessoa com quem nos relacionamos, é nova, afinal devemos entender que todo dia aprendemos algo novo.

Para desenvolver um novo olhar sobre a vida, precisamos, antes de mais nada, desenvolver um novo olhar sobre nós mesmos. Perceber-nos diferentes de ontem, pois já vivemos mais um dia e conquistamos um pouco mais de experiência. Saber olhar diferente, perceber que a situação que se apresenta a nós é nova só porque já somos outros, diferentes do que éramos ontem.

Ouvir com novos ouvidos, ou seja, buscar compreender os porquês e os significados das atitudes das pessoas e as nossas próprias. Ouvir mais atentamente uma música. Ouvir todos os ruídos à sua volta e perceber que há vida. Sentir na pele as texturas do que se toca. Qual a sensação? E os aromas? Já percebeu quantos são os cheiros que nos atraem e os que nos causam repulsa? E quando comemos, será que prestamos atenção ao sabor dos alimentos, da fruta ou do doce? Sentir mais a vida.

Todo este processo leva-nos ao desenvolvimento da intuição, que é a capacidade de perceber e compreender – através do conjunto de todos os nossos sentidos – antes mesmo de passar pelo crivo da razão.

Apurar nossos sentidos é nos voltar para a nossa própria vida. O processo de autoconhecimento é exatamente isso: voltamos para a nossa vida passada e a percebemos sob um novo prisma; voltamo-nos para a nossa vida atual, a observamos e nos permitimos vivê-la diferente, atuando mais e mais com todos os nossos sentidos, cada vez mais aguçados.

Precisamos nos permitir – dar permissão a nós próprios – que cresçamos e nos desenvolvamos, nos consentindo perceber e sentir (com todos os sentidos), a vida. Caso contrário estamos passando pela vida meio vivos, meio mortos, porque uma parte nossa atua, e outra dorme, inativa. Precisamos acordar para a vida, viver integralmente. Interagir com as situações e com as pessoas utilizando todos os nossos sentidos.

Desenvolvendo melhor nossos sentidos – acordando-os para a vida – vamos despertando para todas as sutilezas nas quais somos envolvidos; vamos nos sensibilizando para todos os estímulos recebidos, vamos apurando o ser humano que somos, tornando-nos seres mais plenos e totais.

MARIA APARECIDA DINIZ BRESSANI - Psicóloga e Psicoterapeuta Junguiana

Compreendendo os outros
artigo de Dr. Roberto Assagioli (*)

Quando procuramos descobrir o que causa os atritos e lutas que tanto perturbam e fazem sofrer indivíduos e grupos, percebemos que uma das principais causas está na falta de compreensão. Muitas palavras e muitos atos maléficos atribuídos à malvadeza e a desejo nocivo são, acima de tudo, devidos à falta de compreensão.

Todos nós, por nossa própria natureza, somos inclinados a desprezar e condenar o que não compreendemos e desta atitude crítica e negativa surgem facilmente preconceitos, presunções, antagonismos. Isto ocorre entre os indivíduos, entre as nações, entre as raças e, também, entre aqueles que, declarando-se religiosos, deveriam, mais do que os outros, dar exemplo de amor e fraternidade.

Exemplo típico desta atitude é oferecido pela palavra russa "niemetz" que designa os alemães. A significação originária desta palavra é "mudo", e isto demonstra que os antigos russos consideravam como mudo um povo estrangeiro que não falava sua língua. Para nós, isto parece muito primitivo; mas, talvez, não praticamos alguma coisa semelhante quando consideramos "sem sentido" tudo o que não está de acordo com os nossos pontos de vista e quando não sabemos reconhecer a verdade se esta é apresentada com uma terminologia diversa da nossa?

A falta de compreensão, pois, não é nociva só enquanto torna hostil aquele que não compreende mas, ainda mais, enquanto faz surgir uma mais forte, uma mais aguda hostilidade, um áspero ressentimento naqueles que se sentem incompreendidos. Como diz Keyserling, "nada fere mais profundamente do que a incompreensão, eis que incompreensão significa negação da identidade do outro".

Cria-se, assim, uma longa corrente de recíprocas incompreensões, de animosidades, de lutas, com todos os sofrimentos que daí decorrem.

Mas, a falta de compreensão nem sempre está associada a antagonismo ou deficiência de simpatia; é curioso notar como possa coexistir com um amor intenso e apaixonado ou com o que realmente é assim chamado. O exemplo mais corriqueiro deste fato é oferecido pelas relações entre os pais (particularmente entre as mães) e seus filhos. Há pais e mães que amam ternamente seus filhos, que trabalham intensamente para eles, cumprem grandes e nobres sacrifícios e, não obstante, ao mesmo tempo não se dão conta do que acontece na alma de seus caros, não compreendem nada de suas verdadeiras e vitais necessidades. Este amor cego, freqüentemente, traz conseqüências nocivas, e por vezes desastrosas, tanto que se aqueles que se tornam seus causadores inconscientes pudessem dar-se conta do fato, ficariam aterrorizados. Trata-se de vidas mutiladas, de caracteres inibidos e pervertidos. Esse estado de coisas deve ser encarado corajosamente e sem perda de tempo. Devemos decidir-nos a deixar de lado a velha idéia sentimental que o amor, de per si, seja bastante; devemos reconhecer que há várias espécies de amor, e que um amor cego, conquanto bem intencionado e pronto ao sacrifício, não nos impede de errar e causar mal à pessoa amada.

É necessário darmo-nos conta que o amor, para cumprir bem a sua missão, para ajudar e satisfazer quem dele é objeto, deve ser vidente, deve ser permeado de sabedoria.

Sem compreensão, pois, não se pode deixar de produzir danos. Entretanto, não devemos ser demasiadamente severos com aqueles que não compreendemos; devemos, antes, compreendê-los também! A compreensão integral de um outro ser humano está bem longe de ser coisa fácil; na realidade é, muitas vezes, coisa muito difícil. Todo indivíduo é uma complicada mistura de inumeráveis e dessemelhantes elementos que têm origens muito diversas, que existem em diversos níveis interiores e que agem e reagem uns sobre os outros, formando em cada pessoa uma combinação nova e única.

Além disso, nem todos os elementos que constituem os indivíduos que procuramos compreender são visíveis e, por assim dizer, "na superfície"; muitos deles estão profundamente submersos nos níveis subconscientes, e podemos deduzir sua existência somente através de manifestações indiretas e ocasionais. Mas não basta; aquela combinação de elementos não é estática; novos elementos entram continuamente a combinar-se com os preexistentes, e enquanto outros destacam-se e outros, ainda, transformam-se através de um processo orgânico de desenvolvimento e transmutação. Deste modo, aquele ser humano que procuramos compreender com nossa mente, muda-se continuamente qual proteo diante de nosso olhar surpreendido.

E, uma vez que todo indivíduo represente um problema novo e único, também a solução do problema deve ser nova e única. Assim, todo indivíduo requer tratamento diverso. Para usar uma analogia matemática, a "fórmula psico-algébrica individual" exige, em cada caso, uma integração nova. É por isso, evidente que os conselhos estereotipados que, solicitados ou não, muitos estão sempre prontos a oferecer, são muitas vezes inoportunos e porquanto oferecidos com a melhor das intenções, podem confundir e desviar.

[...]

Tudo o que dissemos com referência aos outros é verdadeiro, em grande parte, também relativamente a nós mesmos; também neste caso é necessária uma profunda compreensão que se apresenta, do mesmo modo, com dificuldades não menores. Se, quando se trata de nós mesmos, possuímos mais elementos, mais dados, entretanto, somos levados a julgar mais facilmente de maneira apaixonada e parcial. Enquanto somos levados a julgar demasiado desfavoravelmente os outros, temos tendência a ser muito indulgentes para conosco, encontrando toda classe de justificações e desculpas para nossas deficiências e nossas culpas. Há, porém, uma minoria que erra em direção oposta: pessoas atormentadas por um excessivo sentido de inferioridade, de culpa, de desvalorização própria, que as oprime e paralisa.

Vejamos, agora, com que meios podemos desenvolver e cultivar uma compreensão amorosa.

Grande ajuda pode ser dada pela psicologia e sobretudo pela nova psicologia espiritual que está despontando.[Nota do tradutor: Este artigo foi escrito por volta dos anos 30.]

A ciência psicológica está atravessando grave crise: mas crise construtiva, laboriosa, para superar suas limitações. A existência de faculdades psíquicas supernormais, de poderes espirituais, de um "EU" Superior ou Alma, começa a ser aceita por alguns dos cientistas imparciais e de mentalidade mais aberta, e por muitos pensadores e estudiosos de todo o mundo. Começa a ser admitido que a intuição é um meio direto e genuíno de conhecimento: que a iluminação espiritual e a inspiração são fatos supernormais e não normais.

Temos, pois, de confiar que a existência da Alma, qual Realidade espiritual, permanente e independente, será admitida como um fato demonstrado, conquanto, por certo, não experimentado por todos. Este reconhecimento poderá ter conseqüências incalculáveis, transformando totalmente nosso comportamento para conosco mesmos e para com os outros.

De fato, se considerarmos a nós mesmos e aos outros como realmente somos, isto é, almas que procuram manifestar-se através de personalidades mais ou menos imperfeitas, cegas ou rebeldes; se reconhecermos que esta é a finalidade principal e mais imediata da nossa existência terrena; se, além disso, nós nos dermos conta que as almas não são entidades separadas e isoladas, mas acham-se unidas entre si com a Super Alma, tudo transforma-se em nós e em volta de nós. Percebemos, então, e intuímos, atrás de todo indivíduo, uma alma aprisionada e nosso amor dirige-se naturalmente para ela; aí percebemos quanto o criticismo, o desprezo e o antagonismo são fúteis e fundamentalmente errados e como a única coisa justa, boa, razoável, seja cooperarmos, de todo coração, com a alma alheia, permeando-a com nosso amor e procurando compreender seus problemas e suas lutas.

A unidade essencial de todas as Almas, entretanto, não exclui a diferenciação de qualidade entre elas, eis que pertencem elas a grupos e tipos diversos, cada qual refletindo e expressando uma ou outra das qualidades e atributos da vida divina. A esta diversidade entre as Almas acrescentam-se as grandes diferenças de constituição psicológica e fisiológica pessoais existentes entre cada um dos seres humanos e as devidas ao sexo, à nação, à raça de cada qual.

Todas estas diversidades são causa de inumeráveis incompreensões e conflitos. É preciso, pois, estudar aquelas diferenças de maneira serena e imparcial, para poder ter em conta sua natureza, sua origem, sua utilidade e, desse modo, chegar a compreender e apreciar toda qualidade humana, todo tipo psicológico, individual e coletivo.

Esse estudo é objeto de vários ramos da psicologia: a psicologia individual e "diferencial", chamada também "caracterologia", a "psicologia dos sexos, a "psicologia étnica" e "interindividual". [Nota do tradutor: No vocabulário de hoje, estes vários ramos da psicologia seriam chamados de Tipologia Humana, Feminino - Masculino, Psicologia Transpessoal, Tipologia dos Povos, Psicologia Interpessoal...]

São ciências ainda em formação, mas que já podem fornecer elementos úteis.

Mas, para compreender profundamente os outros, "do interior", por assim dizer, não basta um estado apenas objetivo e analítico; é preciso usar a intuição e a "integração" espiritual. Com esta consegue-se, em algum momento, viver verdadeiramente a vida de uma outra pessoa, torna-la própria e, por isso, sentí-la e compreendê-la plenamente, amorosa e fraternalmente.

Esta identificação espiritual é, todavia, bem diferente daquela passiva e emotiva que ocorre muitas vezes entre pessoas que se amam apaixonadamente; esta é cega, absorvente, exclusiva, exigente; a primeira, ao contrário, é clarividente, desinteressada e sem qualquer apego.

Os efeitos da compreensão amorosa são extraordinariamente benéficos. Ela é criadora qual vívido e quente raio de sol, provoca o desenvolvimento e a expressão interior daqueles aos quais é dirigida e em quem penetra com seu influxo sublime e poderoso. Ela alcança diretamente sua parte mais verdadeira e melhor: a Alma.

Quem se sente compreendido deste modo, abre-se, floresce e, às vezes, transforma-se quase radicalmente. Sua atitude anterior, endurecida, contraída, de defesa, relaxa-se; sua vida profunda alcança naturalmente a superfície e, assim, o indivíduo dá-se conta ao mesmo tempo - tanto de suas insuspeitas possibilidades, quanto da mesquinhez e vacuidade de seus "dotes" pessoais, dos quais costumeiramente tanto nos comprazemos.

Assim é que, não raro, uma pessoa encontrando-se com alguém por quem se sente compreendida "amorosamente", espontaneamente confessa suas próprias deficiências e seus "pecados" e manifesta apreciações de si mesma, das quais ter-se-ia asperamente ofendido se emitidas por outrem, de maneira crítica e admoestadora.

Este imenso poder do bem da "Compreensão Amorosa" deveria suscitar em nós um acendrado propósito de adquiri-la e, para esse fim, como para outras conquistas espirituais, cumpre-nos efetuar duas coisas: cultivar diretamente aquelas qualidades, e eliminar os óbices que impedem ou tornam difícil o seu desenvolvimento em nós. Por isso devemos esforçar-nos por cultivar, de um lado, a intuição, a simpatia, a visão espiritual e, de outro, o desinteresse, o esquecimento e o desapego.

Conseguiremos, assim, compreender e amar os nossos "irmãos em humanidade" com um amor sábio, um amor generoso, um amor que deixa espiritualmente livre tanto quem dá, como quem recebe.

Dr. Roberto Assagioli

(*) Roberto Assagioli, Dr.: (Veneza, Itália, 27 de fevereiro de 1888 - Capolona d'Arezzo, 23 de agosto de 1974). Médico, especializou-se em neurologia e psiquiatria. Estudou e manteve contatos pessoais com Sigmund Freud e Carl Jung. Em 1910, em Veneza, apresentou os ensinamentos de Freud à comunidade médica, sendo um dos pioneiros do movimento psicanalítico na Itália. Na mesma época, por volta de 1910, Assagioli estabeleceu os fundamentos da Psicossíntese. Ele percebeu que havia a necessidade de alguma coisa além da análise. Era a necessidade de reconhecer as diversas partes da pessoa e de integrá-las num todo mais amplo, harmonisando-as através da síntese. Assagioli afirmava que, da mesma maneira que havia um inconsciente inferior, havia também um superconsciente. Ele o descreve como a Fonte Superior do Ser, que contém nosso potential mais profundo, a fonte na qual se encontra o Projeto que o Ser veio desenvolver e manifestar nesse Planeta. Assagioli formulou suas descobertas numa abordagem que ele chamou de Psicossíntese. Em 1926, fundou em Roma o Istituto di Psicosintesi. Com o advento do Fascismo na Itália, o Instituto teve que ser fechado. Logo após a guerra, Dr. Assagioli reabriu o Istituto di Psicosintesi em Florença (onde se encontra até hoje), além dos 14 Centros de Psicossíntese em diversas cidades italianas. A partir de 1958 foram fundados, a nível mundial, o Psychosynthesis Research Foundation, nos EUA, o Centro de Biopsicossíntese, na Argentina e numerosos outros Centros na India, California, Canada, Europa e Brasil.

Extraído do Boletim No. 26 - Janeiro e Fevereiro de 2007 do Site : www.psicossintese.org.br

Psicossíntese e o Self

O Self

O self é uma entidade soberana e independente dos diversos aspectos da personalidade, tais como o corpo, os sentimentos e a mente. Este conceito é achado nas principais religiões e, cada vez mais, em ramos da psicologia e da filosofia ocidental. Livrando esse conceito de qualquer fundo doutrinal e examinando-o empiricamente, achamos primeiro um centro de consciência e de vontade. Isto é o "self pessoal", o "Eu" ou o centro da identidade pessoal, a partir do qual os diversos aspectos da personalidade podem ser reconhecidos, reorganizados e integrados. Porém, o self pessoal é distinto do "Self Transpessoal" que é o ponto central do nível do supraconsciente. O self pessoal é um centro de identidade e de ser mais profundo e abrangente, onde a individualidade e a universalidade se combinam.

Uma imagem útil é a de uma orquestra onde os músicos representam as diversas partes ou aspectos de nós mesmos. Sem um maestro, haveria pouca cooperação porque cada um dos músicos tentaria que seja executada a sua música favorita, de acordo com a sua própria interpretação. A aceitação e a submissão ao maestro resulta numa integração da orquestra, e isto se reflete subseqüentemente na música. Enquanto o maestro representa o self, o self transpessoal pode ser imaginado como o compositor ou o produtor.

Funções do Self

As duas funções centrais do self pessoal são a consciência e a vontade. A consciência do self permite que a pessoa seja claramente consciente do que está acontecendo dentro e em volta dela, e que ela se perceba sem distorção e sem ficar na defensiva. Isto foi chamado de "atitude do observador interno". Na medida em que a pessoa consegue alcançar este ponto de centramento, as reivindicações da personalidade e sua tendência para a auto-justificação não a impedem mais de se ver com uma visão clara.

A vontade é considerada na psicossíntese como uma expressão direta do self e ocupa um lugar central. Libertando a vontade do Self, ganhamos a liberdade de escolha, a responsabilidade pessoal, o poder de decisão sobre nossas ações e a possibilidade de controlar ativamente e dirigir as muitas funções da personalidade. Deste modo, somos liberados da reação inútil aos nossos impulsos internos não desejados e às expectativas dos outros. Nós nos tornamos verdadeiramente "centrados" e, gradualmente, ficamos capazes de seguir um caminho que está conforme com o que é melhor dentro de cada um de nós. No nível mais alto do desenvolvimento da vontade, procuramos alinhar nossa vontade pessoal com uma vontade mais universal, aumentando assim a capacidade de servir as forças de evolução e de encontrar um significado e um propósito mais profundos em nossas vidas pessoais e em nossas tarefas sociais, e a capacidade de funcionar de maneira mais eficiente e mais serena no mundo, num espírito de cooperação e boa vontade.

Extraído do Site : www.psicossintese.org.br

Mundo Interior
Todos devemos viver a vida interior de uma forma ou de outra. Consciente ou inconscientemente, voluntária ou involuntariamente, o mundo interior nos cobrará exatamente o que lhe é devido. Se vamos a esse reino conscientemente, é pelo nosso trabalho interior: nossas preces, meditações, trabalho com os sonhos, cerimônias e Imaginação Ativa. Se tentarmos ignorar o mundo interior, como faz a maioria de nós, o inconsciente encontrará um jeito de chegar à vida, manifestando-se de forma patológica: através de sintomas psicossomáticos, compulsões, depressões e neuroses.
Bibliografia:
A Chave do Reino Interior
Johnson, Robert A.
Editora Mercuryo
São Paulo
1989
pag. 19

Principais métodos para se praticar a Imaginação Ativa
A maior parte dos métodos para se praticar a Imaginação Ativa depende de se chegar a termos com o inconsicente, trazendo as imagens para a superfície, reduzindo os efeitos negativos de seu poder autônomo, tornando-as conscientes e fazendo as pazes com elas...

Os principais são : esvaziar a mente e dialogar com o conteúdo do inconsciente que aparecer espontaneamente; prolongar os sonhos através da Imaginação Ativa; dialogar com as figuras do sonho pela imaginação; personificar humores, sentimentos e crenças; e vivenciar viagens míticas, na Imaginação Ativa.

Bibliografia:
A Chave do Reino Interior
Johnson, Robert A.
Editora Mercuryo
São Paulo
1989
pag. 221

Entre muitos tributos à Ioga, baseados em reflexão, pode-se mencionar o dr. Carl Gustav Jung, psicólogo suíço. Escreveu ele :

JUNG
"Quando um método ... se anuncia como "científico" pode ter certeza de obter público no ocidente. A Ioga preenche esta expectativa. À parte o encanto da novidade e a fascinação por tudo que é pouco compreendido a Ioga tem bons motivos para conseguir muitos adeptos. Oferece possibilidades de experiência controlável e assim satisfaz a necessidade cientifífica de "fatos". Além disso em virtude de sua amplitude e profundeza, de sua idade venerável, de sua doutrina e método que abrangem todos os aspectos da vida, ela promete possibilidades nunca sonhadas.

"Toda prática religiosa ou filosófica pressupõe uma disciplina psicológica, isto é, um método de higiene mental. Os múltiplos processos puramente corporais da Ioga compreendem também uma higiene fisiológica superior aos exercícios de ginástica e respiração comuns, desde que não é apenas mecanicista e científica, mas é também filosófica. Ao treinar as partes do corpo, unifica-as com a totalidade do espírito, como se torna bem clara por exemplo, nos exercícios de pranayâma, onde prana tanto é o alento como a dinâmica do cosmo ...

"A prática da Ioga ... será ineficiente sem os conceitos nos quais se fundamenta. Ela combina o físico e o espiritual de maneira extraordinariamente completa.

"No oriente, onde essas idéias e práticas se desenvolveram, e onde durante milhares de ano, uma tradição ininterrupta criou as necessárias bases espirituais, a Ioga é, em minha opinião, o método apropriado e perfeito para fundir corpo e mente de modo a formarem uma unidade inquestionável. Essa unidade cria uma disposição psicológica que possibilita intuições transcendentes à consciência".

Bibliografia:
Autobiografia de um Iogue
Yogananda, Paramahansa
Summus Editorial
Pág. 222 e 223

O estabelecimento de finais futuros e a escolha de meios para atingi-los são a marca e o critério da presença da mentalidade dentro de um fenômeno.
William James (Principles of Psychology)

A Imaginação Ativa e a Sabedoria do Inconsciente
Afirmamos que o inconsciente tem sua própria sabedoria, seus próprios pontos de vista que são geralmente tão equilibrados e realistas quanto os da mente consciente. A finalidade da Imaginação Ativa não é "programar" o inconsciente, mas ouvir o inconsciente. E, se você realmente ouvir o inconsciente, por sua vez, ele ouvirá você.

Se você decidir que quer realizar algum grande projeto e percebe que o inconsciente está opondo resistência, não reaja tentando "programar" o inconsciente para concordar com suas idéias. Em vez disso, você deve dirigir-se ao inconsciente à procura daquilo que está causando essa resistência, essa paralisação ou depressão, e descobrir o porquê. Se fizer isso, provavelmente você ficará surpreso ao descobrir que o inconsciente tem muito boas razões para discordar de seu projeto ou de seus objetivos.
...
A Imaginação Ativa parte do princípio de que você deve respeitar o inconsciente e entender que ele tem algo valioso a acrescentar; portanto, o que deve existir é esse diálogo entre duas inteligências capazes que se respeitam uma à outra.

Bibliografia:
A Chave do Reino Interior
Johnson, Robert A.
Editora Mercuryo
São Paulo
1989
pag. 204 e 205

Sonhos
Cada símbolo do sonho tem conotação especial, individual, que pertence apenas a você, da mesma forma como o sonho, em última instância, pertence somente a quem sonhou. Mesmo quando o símbolo tem um significado coletivo ou universal, ele ainda tem um colorido pessoal para você, e só pode ser completamente explicado a partir do seu íntimo.
...
Encontre as associações que brotam do seu próprio inconsciente. Não aceite interpretações padronizadas como substituto.
Bibliografia:
A Chave do Reino Interior
Johnson, Robert A.
Editora Mercuryo
São Paulo
1989
pag. 76

Inconsciente Adaptável
... esta nova noção de inconsciente adaptável é vista como uma espécie de computador gigante que, de forma rápida e silenciosa, processa muitos dos dados de que necessitamos para nos manter funcionando como seres humanos.

Quando está na rua e de repente percebe que um caminhão está vindo na sua direção, você tem tempo para analisar todas as suas opções? É claro que não. A única maneira pela qual os seres humanos poderiam ter sobrevivido como espécie por tanto tempo é que eles desenvolveram outro tipo de dispositivo para tomada de decisões, capaz de fazer julgamentos muito rápidos com base em muito poucas informações.

Como escreve o psicólogo Timothy D. Wilson em seu livro Strangers to Ourselves: "A mente opera com maior eficiência relegando ao inconsciente uma boa parcela de pensamento sofisticado e de alto nível, assim como um moderno jato de passageiros consegue voar com o piloto automático com pouca ou nenhuma intervenção do piloto humano 'consciente'. O inconsciente adaptável faz um excelente trabalho de avaliar o mundo, alertar a pessoa em caso de perigo, definir metas e iniciar a ação de maneira sofisticada e eficiente."

Wilson diz que, dependendo da situação, oscilamos entre os modos de pensar consciente e inconsciente.

Bibliografia:
Blink
Gladwell, Malcolm
Editora Rocco
2005
pag. 17

Carl Gustav Jung (1875-1961) escreveu :

JUNG
"A realização consciente da unidade interior é inseparável da relação humana, que lhe é condição indispensável, pois sem ligação conscientemente reconhecida e aceita com o próximo, não é possível a síntese da personalidade."
Bibliografia:
Jung
Humbert, Elie G.
Summus Editorial
1985
Pág. 81

Jung e a Imaginação Ativa
A Imaginação Ativa é o uso especial do poder da imaginação desenvolvido por Jung no começo do século...

Essencialmente, a Imaginação Ativa é um diálogo que travamos com as diferentes partes de nós mesmos que vivem no inconsciente. De certa forma é semelhante ao sonhar, exceto que estamos completamente acordados e conscientes durante a experiência. Isto, de fato, é o que dá a essa técnica a característica que a distingue. Em, vez de lidar com um sonho, você vai à sua imaginação enquanto acordado. Você deixa que as imagens aflorem do inconsciente e apareçam a você no nível da imaginação, tal como fariam nos sonhos, caso você estivesse dormindo.

Na sua imaginação, você começa a falar com as imagens e a interagir com elas. Elas respondem. Você fica perplexo ao descobrir que elas expressam pontos de vista radicalmente diferentes dos das sua mente consciente. Dizem-lhe coisas que você nunca soube conscientemente e expressam pensamentos que, conscientemente, você nunca pensou.

A maioria das pessoas mantém uma conversação considerável na sua Imaginação Ativa, trocando opiniões com as figuras interiores, tentando obter uma posição intermediária entre pontos de vistas opostos, até pedindo conselhos àquelas mais sábias que vivem no inconsciente. Mas nem todo o diálogo é verbal ou falado.

Bibliografia:
A Chave do Reino Interior
Johnson, Robert A.
Editora Mercuryo
São Paulo
1989
pag. 154 e 155

Carl Gustav Jung (1875-1961) escreveu :

JUNG
Se eu quero tratar alguém psicologicamente, devo abandonar, para melhor ou pior, toda a pretensão a uma sabedoria superior, toda autoridade e todo o desejo de exercer influência. Devo entrar numa dialética que consiste em comparar o que compreendemos os dois.

Desta maneira, seu sistema psíquico engata com o meu e age sobre ele; minha reação é então a única coisa que eu posso legitimamente, enquanto indivíduo, confrontar com meu paciente.

Bibliografia:
Jung
Humbert, Elie G.
Summus Editorial
1985
Pág. 75

Os Componentes de um Conceito

Os conceitos são armazenados no cérebro sob a forma de registros "inativos". Quando são reativados, esses registros recriam as sensações e as ações associadas a uma entidade ou a uma classe de entidades. Uma xícara de café, por exemplo, evoca ao mesmo tempo representações visuais e táteis de sua forma, cor, textura e temperatura, o odor e o gosto do café, assim como a trajetória da mão e do braço quando levam a xícara à boca. Todas estas representações são recriadas simultaneamente em distintas regiões do cérebro.

Bibliografia:
Revista Viver Mente&Cerebro
Edição Especial - Percepção
Número 3
Pag. 28

Carl Gustav Jung (1875-1961) escreveu :

JUNG
O terapeuta deve ter em mente que o paciente está ali para ser tratado e não para verificar uma teoria.
Bibliografia:
Jung
Humbert, Elie G.
Summus Editorial
1985
Pág. 133

Jung teve a percepção de investigar a alquimia e declarar : "Ela proveio não da mente consciente do indivíduo, mas daquelas regiões fronteiriças da psique que dão passagem às regiões da matéria Cósmica."

Percebemos aqui a ligação dos seus estudos alquímicos com o processo de individuação. Este é um movimento em espiral que conduz ao centro psíquico que Jung denominou "Self" - si mesmo - ordenando o consciente e o inconsciente até a personalidade completar-se.

Bibliografia:
Mente Alquímica - Um processo de integração dinâmico
Ayyad, Sandra R. Rudiger
Editora STS
São Paulo
1998
pag. 20

Aceitação e compreensão
Uma outra consequência para o professor é que a aprendizagem significativa é possível se o professor for capaz de aceitar o aluno tal como ele é e de compreender os sentimentos que ele manifesta.
... o professor que é capaz de uma aceitação calorosa, que pode ter uma consideração positiva incondicional e entrar numa relação de empatia com as reações de medo, de expectativa e de desânimo que estão presentes quando se enfrenta uma nova matéria, terá feito muitíssimo para estabelecer as condições de aprendizagem. Clark Moustakas, no seu livro The Teacher and the Child, oferece um grande número de exemplos de situações individuais e de grupo, desde o jardim-de-infância até o ensino superior, onde o professor se esforça por atingir esse tipo de objetivos.
Bibliografia:
Tornar-se Pessoa
Rogers, Carl R.
Editora Martins Fontes
São Paulo
1999
pag. 331 e 332

Desidentificação e Desapego

Quando conseguimos unificar com sucesso os diferentes aspectos da nossa personalidade, e nos aproximamos um pouco mais do Eu, experimentamos a liberação de energias positivas como a Alegria, a Verdade, a Felicidade e a Unidade.

Consequentemente, o primeiro estágio da psicossíntese é a análise, que possibilita ao indivíduo conhecer profundamente os aspectos da sua personalidade. Em seguida, inicia-se o trabalho da psicossíntese a nível pessoal, cujo enfoque principal é dado ao controle e à integração desses diferenets aspectos. Essa etapa fundamenta-se no princípio básico da psicossíntese, que pode ser apresentado da seguinte maneira : "Somos dominados por todas as coisas com que nos identificamos ou a que nos apegamos. Podemos dominar e controlar toda e qualquer circunstância quando deixamos de nos identificar e conseguimos nos desapegar."

Bibliografia :
Elementos da Psicossíntese
Parfitt, Will
Ediouro
Pág. 17

Em algum ponto, talvez durante uma crise quando o perigo ameaça, ocorre um despertar no qual o indivíduo descobre sua vontade. Essa revelação, de que o Self e a Vontade estão intimamente conectados, pode mudar toda uma percepção que uma pessoa tenha de si mesma e do mundo. Ela vê que é um sujeito vivo, ..., dotado de poder de escolha, de relacionar-se, de provocar mudanças em sua própria personalidade, nos outros, nas circunstâncias. E essa percepção leva a um sentimento de totalidade, segurança e alegria.
Roberto Assagioli

Relacionamentos, Harmonia e Auto-Conhecimento
Há várias formas de relacionamentos e há também várias qualidades de relacionamentos. O que a Psicossíntese nos convida a fazer quando questionamos nossas relações com o mundo à nossa volta e com os outros é fazermos uma pausa, respirar, para entrar em contato com o nosso espaço sagrado interior e assim ter uma oportunidade de contato conosco num nível que transcenda o do consciente imediato e dos nossos condicionamentos.

Esta atitude promove e favorece, de início, o reconhecimento da multiplicidade de EUs que habitam o nosso Ser e que, no mais das vezes, se relacionam de modo conflitante - uma parte querendo eliminar a outra! À medida que tomamos consciência destas nossas várias vozes internas e que as reconhecemos, podemos então começar o trabalho de aceitação de sua presença ouvindo qual é a sua necessidade e procurando atender a esta necessidade de um modo mais satisfatório e pleno. Assim ajudamos estes vários EUs a trabalhar em conjunto, colaborando uns com os outros em prol de um maior equilíbrio da personalidade como um todo visando a uma harmonia do Ser.

Este é o trabalho que a Psicossíntese propõe como um primeiro passo para a viagem do auto-conhecimento.
...

Parte do artigo Relacionamentos, disponível no Site : www.psicossintese.org.br

Autora : Andrée Samuel é Psicoterapeuta com formação em Psicossíntese e 26 anos de prática clínica; é practitioner e trainer do Bach Centre, UK; coordena cursos de formação em Psicossíntese e grupos de auto-conhecimento. Presidente-fundadora do Centro de Psicossíntese de São Paulo, é membro do Instituto de Psicossíntese, Florença, Itália.

Conhecimento, compreensão e o uso sábio de elementos contrastantes são princípios fundamentais, não só na pintura e na música, mas também na arte da vida.

Bibliografia:
Os 7 Tipos Humanos - O Poder das Motivações Profundas
por Roberto Assagioli - O Fundador da Psicossíntese
Totalidade Editora
São Paulo
1997
Pág. 16

Carl Gustav Jung (1875-1961) escreveu :

JUNG
O inconsciente coletivo é uma função dinâmica e o homem deve sempre manter-se em contacto com ele.

Sua saúde espiritual e psíquica depende da cooperação das imagens impessoais.

Bibliografia:
Fundamentos de Psicologia Analítica
Jung, C. G.
Editora Vozes
1988
Pág. 150

Observar
Para citarmos novamente Maslow, referindo-se aos seus indivíduos auto-realizados: "Ninguém se queixa da água por ser úmida, nem das rochas por serem duras ... Como a criança olha para o mundo com uns grandes olhos inocentes e que não criticam, limitando-se simplesmente a observar e a reparar no que se passa, sem raciocinar nem perguntar se poderia ser de outra maneira, assim o indivíduo auto-realizado olha para a natureza humana tanto em si como nos outros"
Bibliografia:
Tornar-se Pessoa
Rogers, Carl R.
Editora Martins Fontes
São Paulo
1999
pag. 198

Psicossíntese Individual e Interindividual
“.... cada homem pode ser considerado um elemento ou célula de um grupo humano; esse grupo, por seu turno, forma associações com grupos mais vastos e mais complexos, desde o grupo familiar às classes sociais, passando pelos grupos urbanos e provinciais; dos sindicatos de trabalhadores e associações patronais aos grandes grupos nacionais, e destes a toda a família humana.

Entre esses indivíduos e grupos surgem problemas e conflitos que são curiosamente semelhantes aos que verificamos existirem dentro de cada indivíduo. A solução deles (Psicossíntese Interindividual) deve ser procurada, portanto, de acordo com as mesmas diretrizes e por métodos semelhantes aos indicados para a realização da psicossíntese individual.

Bibliografia:
Psicossíntese: Manual de Princípios e Técnicas
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 44

Música e Psicoterapia
Os dois principais objetivos da psicanálise - a saber, o de trazer para a luz da consciência elementos psicológicos até então confinados ao inconsciente, e o de libertar e transmudar energias instintivas e emocionais - podem ser substancialmente promovidos pelo uso de música apropriada. O mesmo pode ser dito a respeito do despertar e ativação dos elementos espirituais superconscientes e da integração da personalidade que a psicossíntese almeja.
Bibliografia:
Psicossíntese: Manual de Princípios e Técnicas
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 263

Relacionamentos
...
O que a Psicossíntese propõe é uma re-educação à Luz da consciência. É a possibilidade de conectarmo-nos com o nosso Eu Maior, o Eu Superior, para ouvir esta voz de sabedoria e direcionar a vida a partir de escolhas mais genuínas do Ser e não mais para atender àquilo que imaginamos ser a expectativa do outro a nosso respeito. Esta relação de maior clareza e de respeito conosco mesmos, expande-se naturalmente em nossas relações com os outros. Quanto mais nós nos abrimos para uma compreensão de nossos processos internos e colocamo-nos disponíveis para trabalhar na transformação daquilo que nos emperra na vida, que bloqueia a nossa expressão natural e espontânea, mais nos abrimos para aceitar os outros do modo como eles se apresentam a cada momento da vida. Aprendemos assim a conviver com as diferenças de uma maneira mais construtiva e mais saudável. O exercício a que o processo de auto-conhecimento nos remete é exigente quanto à nossa atenção e observação de como estamos a cada momento, como estamos respirando, o que estamos pensando, fazendo, sentindo - são estas perguntas, acompanhando-nos em nosso dia a dia, que nos dão a chave para a ampliação da consciência em relação ao nosso relacionamento conosco mesmos e com os outros.

Parte do artigo Relacionamentos, disponível no Site : www.psicossintese.org.br

Autora : Andrée Samuel é Psicoterapeuta com formação em Psicossíntese e 26 anos de prática clínica; é practitioner e trainer do Bach Centre, UK; coordena cursos de formação em Psicossíntese e grupos de auto-conhecimento. Presidente-fundadora do Centro de Psicossíntese de São Paulo, é membro do Instituto de Psicossíntese, Florença, Itália.

A Sombra
A sombra inclui tudo o que há de sombrio, de escuro, de tenebroso em nós. Forma-se à medida que se formam ego e persona. Todas as repressões ocorridas durante formação da persona vão ficando parte dela.
...
Reprimimos, em geral, as qualidades consideradas menos boas, menos desejáveis ou francamente más. Assim, todos os nossos defeitos, todas as nossas falhas, todas as nossas inclinações indejáveis mesmo, fazem parte da sombra, integram esse elemento de nosso inconsciente.
...
Conhecer a própria sombra é o mínimo que uma pessoa pode fazer, por si mesma e pelos outros, diz Jung; de maneira que quem chegar a esse conhecimento já terá feito uma coisa de alto valor no sentido humano.

Grande parte das fofocas, ou todas as fofocas, ou a parte pior das fofocas, se quizermos, está relacionada com alguma projeção de sombra, é um problema dessa projeção.

Quem não se conhece nem a este nível, de sua sombra pessoal, projeta-a nos outros. Como em geral cada um projeta a sua sombra em muitos, explica-se grande parte, também, de todo o mal-entendimento entre os seres humanos. E quando alguém, convivendo com outro, nele só vê defeitos, o focaliza como a ruindade em pessoa, psicologicamente podemos ter grande suspeita de que esse primeiro indivíduo está projetando sua sombra no segundo.

Bibliografia :
Individuação Junguiana
Santos, Cacilda Cuba dos
Sarvier S/A Editora de Livros Médicos
São Paulo
1976
Pág. 21, 22 e 24

Escreve Maslow :

"Alguém encontra o que é adequado para ele mesmo ao ouvir cuidadosamente e taoisticamente suas vozes interiores, ao ouvir de modo a deixar-se ser moldado, guiado, dirigido. O bom psicoterapeuta ajuda seu paciente do mesmo modo - ajudando o paciente a ouvir suas vozes interiores submersas, os frágeis comandos de sua própria natureza, de acordo com o princípio de Spinoza, segundo o qual a verdadeira liberdade consiste em aceitar e amar o inevitável, a natureza da realidade. Da mesma maneira, alguém descobre que é certo ter com o mundo o mesmo tipo de escuta em relação à sua natureza e vozes, sendo sensível a seus pedidos e sugestões, silenciando de maneira que sua voz possa ser ouvida, sendo receptível, não interferindo, não ferindo e deixando ser."
Bibliografia :
Ajuda pelo Zen-Budismo
Brandon, David
Editora Pensamento
São Paulo
Pág. 67

Com o termo sombra (este conceito foi desenvolvido por C.G. Jung) designamos, portanto, a soma de todos os âmbitos rejeitados da realidade que o homem não quer ver em si mesmo ou nos outros e que, por isso mesmo, permanecem inconscientes.

A sombra é o maior perigo para as pessoas, pois elas a têm sem conhecê-la e sem saber que existe... Todas as manifestações provenientes de sua sombra são projetadas pelo homem no mal anônimo que existe no mundo, porque ele tem medo de descobrir a verdadeira fonte de seus males dentro de si mesmo. Tudo o que o ser humano de fato não quer, e de que não gosta, provém de sua própria sombra, visto que esta é a soma daquilo que ele não deseja ter.

Entretanto, a recusa em aceitar uma parte da realidade e vivê-la, não leva exatamente ao sucesso esperado. Os vários âmbitos da realidade obrigam os homens a se ocuparem intensamente com eles. Isso, na maior parte das vezes, acontece através da projeção, pois assim que recusamos determinado princípio e o banimos, ele sempre gera medo e rejeição em nós, quando o encontramos de novo no assim chamado mundo exterior !

Bibliografia:
A Doença como Caminho
Dethlefsen, Thorwald
Dahlke, Rudiger
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 42

"Criar uma dupla consciência. Aprender a não identificar-se completamente com o conteúdo da consciência do momento: uma parte nossa permanece sempre livre, como sentinela, observadora, juiz - o Espectador".
Roberto Assagioli, M.D.

Exercício : O Guia Interior

Relaxe. Interiorize-se, busque o centro do seu ser ...

Imagine-se em um campo. O sol brilha intensamente e os pássaros cantam com alegria. Fique algum tempo observando os detalhes dessa paisagem. Sinta a sua presença no campo. Perceba os sons que consegue identificar, as diversas características do local em que se encontra, as sensações que tudo isso lhe provoca.

Em uma das extremidades do campo há um caminho que conduz ao topo de uma montanha próxima. Comece a andar nessa direção, sinta seus pés tocarem o solo em que pisam. Suba a montanha, não tenha pressa, aprecie a vista e todas as sensações que essa experiência proporciona.

Quando chegar ao topo da montanha, lembre-se de que está prestes a encontrar um ser que participa intimamente do processo evolutivo da sua existência. Essa pessoa é o seu guia interior - pode ser do sexo masculino ou feminino, um sábio senhor de idade, um anjo guardião, ou alguém cujo olhar expressa um imenso amor por você e preocupação com o desenrolar da sua vida. Não importa a sua aparência, apenas deixe que a imagem dessa pessoa se forme nitidamente diante de você. Permita-se viver plenamente o interesse e a excitação que esse encontro está lhe causando.

Inicie um diálogo com essa entidade, de maneira que lhe parecer mais indicado. Faça perguntas sobre todas as questões que lhe estejam afligindo nesse momento da sua vida. O diálogo pode ser verbal ou não. Essa conversa pode acontecer através de símbolos ou visões, mas independente de como ela ocorra, procure aproveitar essa oportunidade de estar com seu guia interior intensamente.

Também pergunte sobre a importância da consciência global e sobre as condições ambientais do nosso planeta. Peça-lhe orientação a respeito de como você pode ser útil diante de circunstâncias tão precárias. Deixe a sabedoria e o conhecimento do seu guia interior o auxiliarem a perceber a grandeza de sua ligação com o mundo transpessoal, a sua capacidade de amar e provocar mudanças positivas e construtivas.

Quando tiver encerrado e se sentir preparado para voltar, agradeça a presença do seu guia. Tome o caminho de volta, atravesse o campo e sinta os seus pés tocarem com firmeza o solo que pisam. Retorne para o plano objetivo ...

Considere todos os detalhes de tudo que acabou de aprender. Tente encontrar meios de colocar esse aprendizado em prática na sua rotina diária.

Bibliografia :
Elementos da Psicossíntese
Parfitt, Will
Ediouro
Pág. 137 e 138

JUNG A tendência do inconsciente e aquela da consciência são dois fatores que compõem a função transcendente. Esta função é denominada transcendente porque possibilita a passagem de uma situação à outra... uma vez que os conteúdos inconscientes são necessários para integrar os conscientes... A função transcendente propicia ao paciente contribuir com suas próprias forças com o trabalho do médico ... É uma via para liberar-se através do esforço pessoal e encontrar assim a coragem de encarar-se (Jung,1916)
Bibliografia :
Métodos do Trabalho Corporal na PSICOTERAPIA JUNGUIANA
Sannino, Annamaria
Editora Moraes
São Paulo
1992
Pág. 82

A educação na psicossíntese é "...um método de educação integral que tende não só a favorecer o desenvolvimento das várias habilidades da criança ou do adolescente, mas também a ajuda a descobrir e a perceber a sua verdadeira natureza espiritual e a desenvolver, com a orientação desta, uma personalidade harmoniosa, brilhante e eficiente."
Roberto Assagioli, M.D.

"Estamos em contínuo contato uns com os outros não só em termos sociais e no plano físico, mas também através das correntes interpenetrantes dos nossos pensamentos e emoções... A noção de responsabilidade, entendimento, compaixão, amor e inocência são elos de uma corrente de relações perfeitas que devem ser forjados dentro de nosso próprio coração."
Roberto Assagioli
Extraído do Informativo do Centro de Psicossíntese de São Paulo - Ano 5 - No. 18 - Julho/Agosto/Setembro 2004 - www.psicossintese.org.br

O homem não se conhece.
Não conhece nem os próprios limites, nem suas possibilidades.
Não conhece sequer até que ponto não se conhece.
Bibliografia :
Psicologia da Evolução Possível ao Homem
Ouspensky, P.D.
Editora Pensamento
Pág. 8

... a premissa básica para estabelecer companheirismo numa relação é a aceitação um do outro. E para aceitar o outro como o outro é precisa, primeiramente, aceitar-se a si próprio.
Extraído do artigo Relacionamentos e Auto-responsabilidade de Maria Aparecida Diniz Bressani, que é psicóloga e psicoterapeuta Junguiana, do site : www.somostodosum.com.br/mariab

Carl Gustav Jung (1875-1961) escreveu :

JUNG "É importante para a meta da individuação, isto é, da realização de si-mesmo, que o indivíduo aprenda a distinguir entre o que parece ser para si mesmo e o que é para os outros. É igualmente necessário que conscientize seu invisível sistema de relações com o inconsciente ... a fim de poder diferenciar-se ..."
Bibliografia :
O Eu e o Inconsciente
Jung, C. G.
Editora Vozes
14o Edição
Pág. 71

Centro Unificador

Na psicossíntese as várias fases para alcançarmos o núcleo das nossas personalidades podem se conceitualizar e resumir como seguem :

1. Um conhecimento integral da própria personalidade;
2. O controle das forças que a compõem;
3. A atuação do SELF transpessoal, a partir de um centro unificador;
4. A atuação da psicossíntese como desenvolvimento gradual ou reconstrução da própria personalidade ao redor deste centro.

Bibliografia :
A Psicologia Transpessoal - Uma Introdução
Luca, Arturo de
Abrams, Barbara
Llewellyn, Richard
Totalidade Editora
São Paulo
1993
Pág. 62

Consciência

Parafraseando palavras de Inácio de Loyola e colocando-as em termos psicológicos, Jung afirma:

A consciência do homem foi criada com a finalidade de poder:
1) reconhecer ... sua descedência de uma unidade superior ...;
2) dar a atenção devida e cuidadosa a esta origem ...;
3) executar inteligente e responsavelmente suas ordens ...;
4) propiciar, assim, à psique como um todo, excelente nível de vida e de desenvolvimento...

Segundo Jung, os símbolos de plenitude, que resolvem e transcendem os opostos, poderiam ser chamados de "consciência" ou então de self, de "eu superior", ou de qualquer outra coisa. Para ele, "todos esses termos não passam de nomes para os fatos que, estes sim, têm importância".

O desenvolvimento e a extensão da esfera da consciência é o que Jung chama de individuação.

Bibliografia :
A Psicologia de Jung e o Budismo Tibetano
Moacanin, Radmila
Cultrix/Pensamento
São Paulo
Pág. 88 e 89

... Harry expôs a mim e a meu colegas aquilo que ele chamava de capacidade quase ilimitada dos seres humanos de ignorar as consequências de longo prazo de suas decisões, preferindo concentrar-se nos resultados de curto prazo. Ele falou sobre a diferença entre um observador lógico e imparcial, que tomaria sempre decisões de longo prazo, e a pessoa que não consegue enxergar nada além da satisfação imediata.

"Uma criança sempre vai pegar o pirulito; somente o adulto capaz de observar e refletir pensa nas cáries e na má nutrição.", dizia Harry.

"Precisamos nos esforçar para ser o adulto observador, em vez de apenas viver o momento. Devemos observar, como se estivéssemos fora de nós mesmos, aquilo que está acontecendo, aquilo que deveria acontecer, aquilo que estamos fazendo e que vai acabar nos prejudicando."

...

No dia da formatura, fui à procura de Harry para agradecer-lhe.
"Eu não sei como agradecer, Harry. Você fez de mim uma pessoa melhor."

"Obrigado, David", respondeu ele, "mas eu não fiz de você uma pessoa melhor.
Tudo o que eu posso fazer é apontar o caminho e torcer para que você o siga."

Bibliografia :
Os 100 segredos das Pessoas felizes
Niven, David, Ph.D.
Sextante
Rio de Janeiro
2001
Pág. 8 e 9

Sinergia Planetária e Cósmica

... a sinergia planetária e cósmica que - por analogia - pode ser conjeturada como sendo a expressão da ação deliberada da vontade de corresponder aos princípios ou entidades transumanos conforme assegura Teilhard de Chardin. Portanto, segundo o que ele diz, esta é a meta necessária e lógica de todo o processo evolucionário. Eu havia chegado à mesma conclusão antes de conhecer os escritos de Teilhard de Chardin e a registrei na minha tese "Psicanálise e Psicossíntese", publicada em 1934 no The Hibbert Journal, mais tarde incluída no meu livro Psicologia Dinâmica e Psicossíntese:

De um ponto de vista mais amplo e abrangente, a vida universal nos parece uma luta entre multiplicidade e unidade - um trabalho e uma aspiração de união. Aparentemente, sentimos que - quer o concebamos como ser divino ou energia cósmica - o Espírito que labora sobre e no interior de toda a criação está lhe dando uma forma ordenada, harmonia e beleza, unindo todos os seres (alguns de boa vontade, mas a maioria ainda cega e rebelde) uns aos outros, por meio de laços de amor e - de forma lenta e silenciosa, mas forte e irresistível - dando realidade à Suprema Síntese.

Bibliografia :
O Ato da Vontade
Assagioli, Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
1973
Pág. 30 e 31

Orai e Vigiai
Por: Maria Aparecida Bressani

Quando somos crianças aprendemos muitas coisas, mas muito pouco compreendemos. Nosso racional ainda não está desenvolvido, somos puro sentimento e emoção. Quando nos tornamos adultos acabamos por “pegar” tudo o que aprendemos quando crianças – mas que não compreendemos muito bem (embora achemos que sim!) – e simplesmente reproduzimos como um modelo – igual ou contrário.

Reproduzimos fielmente aquilo que acreditamos termos concordado e com o qual nos identificamos, dando um “toque pessoal”, é claro! Aquilo que não concordamos fazemos ao contrário – exatamente ao contrário – embora possamos achar que estamos fazendo diferente. Eis os modelos aprendidos e não compreendidos, instalados, atuados e atualizados em nossa vida, para a vida toda, por nós mesmos.

Então, andamos em círculos, agitados sem saber o por quê ou acomodados. E assim vamos vivendo. Podemos viver desta forma toda uma vida em círculos, agitados ou acomodados; a não ser que algo, quase “por acaso” nos faça parar. E aí, de um momento para outro, perdemos o rumo: instala-se o conflito.

Normalmente os conflitos são gerados por incompatibilidade entre as crenças internas e a vida que vivemos. Todos os atos antes praticados para se resolver determinada situação já não funcionam mais. Por exemplo: sempre resolvemos as coisas gritando ou chorando ou nos colocando como vítima, etc. mas seja como for, não funciona mais! É preciso fazer diferente. Nem igual nem contrário: diferente! Não dá mais para se viver alienado de si mesmo. Tem uma passagem da bíblia que diz: “Orai e Vigiai”.

Psicoterapia, como processo de autoconhecimento, é exatamente isto! Explico em tempo... O que JESUS quis dizer quando disse “Orai”? O que é orar? O que significa o gesto de orar? Orar quer dizer “conversar com Deus”.

A psicoterapia tem exatamente esta função: nos coloca numa posição de conversar com nosso Deus interior - nosso Eu superior - numa posição de interiorização. Temos a possibilidade de nos conectar com nossa essência – que Jung chamou de SELF – e que é aquela energia poderosa que está dentro de nós e que sabe mais que do nosso pobre ego o que é melhor para o seu próprio desenvolvimento e evolução. Quando vamos buscar nesta fonte – no SELF (em DEUS) – a sabedoria necessária, saímos revitalizados e fortalecidos.

Passemos então para a segunda parte: ”Vigiai”. O que podemos entender com essa colocação? O que isto quer dizer? O que Ele quis dizer quando sugeriu “Vigiai”? Vigiai é olhar, observar atentamente. O que devemos observar atentamente? A nós próprios!

Faz parte do processo de autoconhecimento nos observarmos, prestando atenção aos nossos próprios comportamentos (nossas reações emocionais) e pensamentos (nossas crenças e opiniões sobre as coisas e pessoas), que revelam nossos sentimentos e crenças a respeito de nós mesmos.

Vigiai! Observe atentamente a você mesmo e às pessoas a sua volta: como você reage a elas e como elas reagem a você. Observe atentamente como você resolve as situações que vive. Observe atentamente cada gesto e movimento seu... seus comportamentos. Vigiai! Observe atentamente como você julga as situações e as pessoas. Quais são os seus “pré-conceitos”? Observe a quê você dá valor. Perceba se seu comportamento e valores estão congruentes.

Poderá então constatar vários porquês; entre eles: porque sua vida está como está e seus relacionamentos estão como estão. Tudo está assim, pois é fruto de suas escolhas no decorrer da sua vida.

Perceberá, portanto, que tudo está como deveria estar, simplesmente!

Está feliz? Se está, vá em frente, caso contrário, mude. Não é uma empreitada fácil, mas é possível. Pois, por maior que seja o conflito, é possível mudar, redirecionar a vida e ser realmente feliz.

...

Maria Aparecida Bressani é psicóloga e psicoterapeuta Junguiana

Extraído do Site : http://vidanova.terra.com.br/conteudo/conteudo.asp?id=2786

O que é EMDR?

É um método, criado por Francine Shapiro, psicóloga americana, que percebeu que ao associar movimentos oculares a imagens e pensamentos perturbadores, a intensidade destes reduzia ou chegava a desaparecer, porque as pessoas elaboravam os eventos traumáticos. Levando-se em conta que muitos dos sintomas apresentados nos diversos transtornos: humor, ansiedade e suas somatizações, tem sua causa em traumas ou crenças limitantes, o EMDR contempla uma possibilidade a mais como uma ferramenta terapêutica.

EMDR (Eye Movement Dessensitization and Reprocessing) quer dizer: Dessensibilização e Reprocessamento através dos movimentos oculares; é uma ferramenta psicoterapêutica muito eficaz e rápida, pois é o próprio paciente que, revivendo sua experiência, faz as associações necessárias.

O EMDR pode ser aplicado em transtornos de estresse pós-traumático, ou seja, reações de angústia ou ansiedade evasivas em pessoas que passaram por eventos traumáticos como:guerras, rebeliões, assaltos, acidentes, abusos sexuais ou físicos, enchentes, perdas inesperadas (morte, finanças), abandonos afetivos

Recebido do Site : www.emdrsp.com.br

Do Eu ao Self: a trajetória evolutiva do Ser
por Mariagrazia G. Sassi (#)
(Palestra proferida em novembro de 1999 na PUC de São Paulo)

A Psicossíntese é uma abordagem transpessoal da Psicologia. Por “transpessoal” entende-se o que ultrapassa a dimensão do pessoal, ou seja, o que vai além da manifestação física, emocional e mental e o que inclui as potencialidades, as aspirações, as realizações e os valores.

O “eu” pessoal é nossa identidade, nossa consciência incompleta. Ele manifesta nossa história enquanto pessoa, uma história de conteúdos e de fatos, nossa vida íntima e de relacionamentos. O “Self” é a nossa identidade enquanto poder energético, dando-nos, ao mesmo tempo, nossa especificidade, nosso verdadeiro projeto de ser, nossas potencialidades, aspirações, valores e realizações e a nossa consciência de unidade com o todo.

Num primeiro momento, todos nós nos identificamos com aspectos parciais de nós mesmos, com os conteúdos da nossa vida diária. Somos a própria raiva quando recebemos uma ofensa, e o próprio prazer, se recebemos uma gratificação. Nós nos autodefinimos em função da casa em que moramos, do carro que possuímos, do papel que desempenhamos, dos afetos que nos cercam. Apesar do alto valor de todas essas coisas, é problemático colocar nelas a nossa identidade: são coisas que a vida nos deu e que, a qualquer momento, pode nos tirar. A Psicossíntese pessoal é o trabalho que fazemos para nos tornarmos mais conscientes de nós mesmos, desidentificando-nos de coisas externas - como nossos papéis sociais ou nossos bens, e também de conteúdos internos - como, por exemplo, nossas identificações com determinados sentimentos ou pensamentos. Atingir essa consciência de si mesmo, saber entrar em contato com a objetividade de um modo útil e construtivo, ser socialmente integrado, são conquistas verdadeiras e trazem paz e felicidade.

O “eu” integrado pode escolher, através da vontade, olhar para aquilo que ainda não encontrou de si, ou seja, as suas potencialidades não expressas. Esse é o caminho do “eu” ao “Self”, que podemos comparar a uma encosta íngreme pela qual nos movemos e onde é absolutamente necessário não perder o contato com o dia a dia, segurando com uma mão algo que nos retém e procurando com a outra o próximo ponto de apoio.

Um passo em direção ao “Self” exige uma mudança de estado de consciência. Cada estado de consciência tem seu modo de ler e entender a vida e, para mudar o estado de consciência, temos de estar dispostos a deixar o conhecido, os esquemas mentais pelos quais interpretamos a vida, pelo desconhecido. Para fazer esse caminho é preciso coragem! Coragem, essa qualidade transpessoal e outras, como a paciência consigo mesmo e com os outros, a serenidade, a criatividade e a seletividade, são necessárias a todos nós nesse percurso; o desafio é libertarmos-nos de nossas amarras e aprendermos a desenvolver essas qualidades na prática do cotidiano.

São os obstáculos humanos, como o medo, a avidez, a inércia e a inveja que se exprimem em cada um de nós, nutrindo a nossa problemática pessoal e tornando-se os fatos encontrados em nossas vidas pessoais. Trabalhar as amarras exige reconhecer estes obstáculos dentro de nós e não nos sentirmos vítimas dos eventos externos. Nesse percurso, o “eu” deve ter poder de autocontenção e autogestão e esse poder interior é a vontade, no sentido que Dr. Assagioli propõe para esta palavra. É a vontade, com seus aspectos de força, sabedoria e bondade, que impulsiona os sucessos, que traz firmeza nas contrariedades e que faz com que enfrentemos as dificuldades de maneira sensata. É com a vontade que o “eu” se mantém orientado ao seu projeto, mesmo que não o conheça, e que ele se torna livre para manifestá-lo. Desenvolvendo a vontade, o “eu” muda; transforma sua relação com o passado e o futuro.

A vida não é apenas responder aos estímulos externos, mas transformar-se em escolha centrada e sábia, baseada naquilo que será o melhor. O “eu” integrado à individualidade não se torna egocentrismo, a abertura não é a perda de limites; nosso "eu" pode se sentir um com o todo sem perdermos a identidade individual que nos torna únicos. O “eu” torna-se o espelho no qual o projeto do “Self” se reflete sem se deformar. Tudo isso é conquistado e estabilizado no fascinante e perigoso processo que é o caminho do "eu" para o Self.

Essa expansão de consciência é uma felicidade a ser conquistada!

(#) Mariagrazia G. Sassi, Ph.D., é psicoterapeuta, professora e supervisora; diretora do Centro de Psicossíntese de Bologna (Itália), vice-presidente da “EFP - European Federation for Psychosynthesis”, membro da “SIPT - Società Italiana di Psicosintesi Terapeutica”, psicóloga e supervisora dos Programas de Pós-Graduação em Terapia Musical da Bristol University (U.K.), campus de Bologna. A palestra acima foi traduzida e resumida por Ana Maria Lima Pereira de Mendonça, membro do Centro de Psicossíntese de São Paulo.

Extraído do Site : www.psicossintese.org.br

Sugiro um exercício que poderá nos ajudar a ampliar nossa consciência daquilo que aparece no nosso mundo. Albert Einstein disse que a imaginação é mais importante que o conhecimento e Assagioli nos convida a usar a função da imaginação para ampliar nossa consciência, tanto em relação a nós mesmos quanto em relação ao mundo.

Imagine então uma mesa e desenhe-a no seu caderno. Esse será o lugar onde você empilhará todas as coisas do seu mundo. Você se imagina juntando ali tudo o que você sabe, sente, faz, acredita e a que dá valor. Coloque ali sua família, seu trabalho, seus amigos, sua comunidade, sua infância, suas crenças, seus segredos mais escondidos... você mesmo. Sua filosofia de vida, seu tamanho, suas doenças, suas alegrias, seus amores, suas contas bancárias.

Tudo aquilo que você pensa e imagina está ali, empilhado sobre essa mesa. A mesa está lotada, pode parecer confuso mas está tudo aí, inclusive você mesmo, sobre a mesa! Agora você imagina que essa mesa, com você em cima dela, se encontra numa sala. Em que lugar está a mesa dentro da sala? Olhe à sua volta. O que mais está na sala? Considere as seguintes possibilidades em relação àquilo que está na sala mas não na sua mesa; tudo aquilo que você desconhece; tudo aquilo que você ainda não sabe que o afeta; tudo aquilo que você escolheu não lembrar e não incluir; tudo aquilo de que você se esconde; tudo aquilo que ainda está para acontecer; tudo aquilo do passado que o influencia e do qual você não tem consciência; qualquer outra forma de percepçao e de compreensão que não está sobre a mesa.

Acrescente à pilha sobre a mesa tudo aquilo que for importante para você. Essa lista representa tudo aquilo que for importante para você. Essa lista representa tudo aquilo que você ainda não viu, não considerou, não aprendeu, aquilo que você não acredita que pode vir a acontecer, aquilo que você nega. Ela representa a parcela de realidade que você ainda não descobriu e não colocou sobre sua mesa. Você não sabe e não usa o que está nessa lista porque não se pode trabalhar com aquilo que ainda não se sabe e não se conhece.

O que você faz quando o mundo lhe traz algo que não está incluído na sua mesa? Há algumas possibilidades: aceitá-lo e expandir seu mundo, colocando-o sobre sua mesa: ignorá-lo e manter sua mesa como está; explorá-lo e aumentar sua pilha; negá-lo e deixar sua mesa do jeito conhecido.

Aquilo que lhe acontecer e que não estiver sobre sua mesa advém de qualquer outro lugar da sala. Quando seu mundo está sendo "invadido" por algo de fora você pode aceitar, explorar ou exercitar. Assim você estará dizendo: "Isto é real; eu vou lidar com isso." Quando você ignora, nega ou evita, você está dizendo: "Isto não é real: fico com a realidade que eu conheço e nada mais".

A Vida vem sinalizando a importância de abrir espaços para incluir as infinitas possibilidades da dança da vida. A aceitação, e a adaptação aos acontecimentos estão relacionados à nossa habilidade em reconhecê-los e aceitá-los como partes do nosso mundo. Ao ampliarmos nossa vida para incluir um sofrimento, uma tragédia e/ou situações de profundas alegrias nós tendemos a nos tornar mais flexíveis e, assim podemos aspirar à qualidade de nos tornar o Maestro da nossa vida.

Retornando ao exercício proposto, imagine-se sentado no meio de todas as coisas que estão ali colocadas e você se pergunta: "Como estas coisas estão inter-relacionadas entre si? Qual é o significado comum a essas coisas? O que mantém essas coisas juntas? Se houvesse um propósito maior subjacente a tudo isto, qual seria?

A metáfora da mesa sugere tomar perspectiva em relação à nossa vida e àquilo que nos acontece. Muitos de nós não temos consciência que construímos estruturas mentais a respeito de como o mundo funciona. Confiamos na imagem e no modelo que construímos como eles fossem imutáveis para navegar na vida. Sem eles não saberíamos o que fazer. Com eles sabemos qual é o nosso próximo passo. No entanto é importante lembrar que, ao nos deparar com o desconhecido, com situações inimagináveis por nós, temos algumas alternativas: uma é forçar para que novas experiências caibam dentro do modelo conhecido; outra é desistir de forçar e aprender com essa nova experiência; a terceira escolha é mais trabalhosa. Ela nos convida a abrir mão do modelo antigo sem saber como iremos substituí-lo. É um ato de coragem. Precisamos nos lembrar que o que experienciamos é real mesmo que não se adapte à nossa imagem de mundo e ao nosso modelo velho conhecido!

Fica portanto o convite para aceitarmos os desafios da vida com flexibilidade, coragem e ousadia. É isto que faz a Vida valer a pena! Expandir nossa consciência e superar nossos limites.
...

Andrée Samuel

Extraído do Informativo do Centro de Psicossíntese de São Paulo - Ano 4 - No. 16 - Janeiro/Fevereiro/Março 2004
http:\\www.psicossintese.org.br

Projeção e Percepção

Existe uma tendência natural de as pessoas projetarem sobre os outros, ou sobre o mundo em geral, todas as idéias, imagens, fantasias, sentimentos e pensamentos que elas possuem acerca das pessoas com quem convivam e a respeito do mundo...

Desse modo, cada um cria sua realidade pessoal, diferente, dependente da natureza de sua projeção, completamente distinta da realidade dos outros demais. Assim, por exemplo, um cachorro pode representar conforto emocional para uma pessoa, um companheiro confiável; enquanto que o mesmo cachorro, para uma outra pessoa, pode representar uma besta perigosa que deve ser evitada. De modo análogo, podemos ter ficado zangados por causa das atitudes de uma outra pessoa e, através da projeção, achamos que ela é quem está zangada conosco. As energias que projetamos nos outros retornam por atração para nós, e, o tempo todo, acreditamos que estamos com a razão.

É extremamente importante, sempre que possível, reassumir todas essas projeções e iniciar uma relação direta com todos os envolvidos...

Claro, nossa realidade pessoal não é simplesmente uma projeção, existem muitos outros componentes em atuação. Dizem que a nossa realidade pessoal é principalmente uma combinação de projeções e percepções. O que deve ser trabalhado em qualquer tipo de relacionamento é a realidade das nossas percepções. Tudo que podemos fazer, na verdade, é descobrir qual é a nossa finalidade dentro de uma relação. criamos e vivemos de acordo com as nossas crenças e atitudes pessoais. Se conseguimos aprender a parar de projetar nossa raiva, tristeza, ou qualquer outra coisa, e comerçarmos a aceitá-las como algo que nos pertence, então estamos dando o passo principal para a melhoria dos nossos relacionamentos, sejam eles pessoais ou de qualquer outra espécie. Assim, ficamos em uma posição de onde podemos perceber as pessoas com quem estamos envolvidos da maneira que elas realmente são. Desse modo nos aproximamos cada vez mais de uma relação "Eu-Tu", em que nos expressamos com maior clareza e permitimos a expressão aberta da outra pessoa ou pessoas envolvidas.

Bibliografia :
Elementos da Psicossíntese
Parfitt, Will
Ediouro
Pág. 117 e 118

Ato da Vontade

Há ocasiões em que a atitude mais correta é agir, e existem outros momentos em que a atitude mais apropriada é deixar as coisas como estão. Executar a segunda opção também não deixa de ser um ato de vontade e, em certos casos, pode requerer um esforço muito maior. Por exemplo, pessoas que são naturalmente imperativas e obstinadas sentem uma enorme dificuldade quando as circunstâncias exigem que elas sejam mais receptivas e se rendam aos fatos sem tentar controlar ou interferir.
Precisamos ser flexíveis, se tencionamos obter equilíbrio entre os atos ativos e passivos da vontade. Ambos exigem o desenvolvimento da vontade fortalecedora e capacitadora.
Bibliografia :
Elementos da Psicossíntese
Parfitt, Will
Ediouro
Pág. 76

Pensamento de William James :
Seres humanos podem mudar sua vida mudando suas atitudes.

Imaginação
"Toda a imagem tem em si mesma um impulso motor" ou "as imagens e os quadros mentais tendem a produzir as condições físicas e os atos externos que lhes correspondem".
Bibliografia:
Psicossíntese: Manual de Princípios e Técnicas
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 156

Jung em 1935 : Comentário psicológicos ao Bardo Thodol, parág. 845 :
JUNG Os arquétipos são como que órgãos da psique pré-racional. São sobretudo estruturas fundamentais características, sem conteúdo específico e herdados desde os tempos mais remotos. O Conteúdo específico só aparece na vida individual em que a experiência pessoal é vazada nessas formas.

Jung em 1942 : O Inconsciente Pessoal e o Inconsciente Coletivo, parág. 109 :
JUNG Os arquétipos não são apenas impregnações de experiências típicas, incessantemente repetidas, mas também se comportam empiricamente como forças ou tendências à repetição das mesmas experiências. Cada vez que um arquétipo aparece em sonho, na fantasia ou na vida, ele traz consigo uma "influência" específica ou uma força que lhe confere um efeito numinoso e fascinante ou impele à ação.

Pensamento de Jung :
JUNG As grandes decisões da vida têm, via de regra, muito mais a ver com o instinto e outros misteriosos fatores inconscientes do que com a vontade consciente e a razão bem-intencionada.

Dentro de você está toda a Luz, a Energia, a Vontade e a Compaixão necessárias para criar uma vida de bem-estar e de Paz Interior.
Roberto Assagioli

Exercício de Desidentificação
O exercício pode ser feito da seguinte maneira :

Eu ponho o meu corpo numa posição confortável e descontraída, com os olhos fechados. Feito isso, afirmo :

"Eu tenho um corpo mas não sou o meu corpo. O meu corpo pode encontrar-se em diferentes condições de saúde ou doença, pode estar repousado ou fadigado, mas isso nada tem a ver comigo, com o meu 'eu' real. O meu corpo é o meu precioso instrumento. Eu trato-o bem; procuro mantê-lo em boa saúde, mas não é eu mesmo. Tenho um corpo, mas não sou o meu corpo."

"Eu tenho emoções, mas não sou as minha emoções. Essas emoções são incontáveis, contraditórias, mutáveis e, no entanto, eu sei que permaneço sempre eu, que continuo sendo eu mesmo, em termos de esperança ou desespero, de alegria ou sofrimento, num estado de irritação ou de calma. Como posso observar, entender e julgar as minhas emoções e, depois, dominá-las, dirigi-las e utilizá-las cada vez mais, é evidente que elas não são eu mesmo. Tenho emoções mas não sou as minhas emoções."

"Eu tenho desejos, mas não sou os meus desejos, despertados por impulsos físicos e emocionais, e por influências externas. Os desejos também são cambiáveis e contraditórios, com alternações de atração e repulsa. Eu tenho desejos mas eles não são eu mesmo."

"Eu tenho um intelecto, mas não sou o meu intelecto. Ele é mais ou menos desenvolvido e ativo; é indisciplinado mas passível de ser ensinado; é um orgão do conhecimento a respeito tanto do mundo exterior quanto do interior; mas não é eu mesmo. Eu tenho um intelecto, mas não sou o meu intelecto."

"Depois desta desidentificação do 'eu' de seus conteúdos de consciência (sensações, emoções, desejos e pensamentos), eu reconheço e afirmo que sou um Centro de pura autoconsciência. Eu sou um Centro de Vontade, capaz de dominar, dirigir e usar todos os meus processos psicológicos e o meu corpo físico."

Bibliografia:
Psicossíntese: Manual de Princípios e Técnicas
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 131

Psicossíntese, Análise & Síntese

Análise significa separar alguma coisa em suas diversas partes componentes, de forma que sua natureza e funcionamento possam ser compreendidos. Isso, de fato, faz parte da psicossíntese. A síntese vai bem mais além, contudo, ao reorganizar e agrupar, encontrando uma forma mais harmoniosa para sintetizar a expressão conjunta das partes componentes. Cria uma nova unidade, localizada em torno de um centro - o âmago do ser, onde o indivíduo tem a possibilidade de determinar a sua vida com mais eficiência. Síntese, na realidade, significa reunir as partes para formar um complexo integrado. Todas as nossa qualidades - mentais, emocionais, físicas e espirituais - devem estar presentes para a síntese ser completa e satisfatória.
Bibliografia :
Elementos da Psicossíntese
Parfitt, Will
Ediouro
Pág. 15

Todos podemos e devemos fazer do material vivo de nossa personalidade, não importa se mármore, argila ou ouro, um objeto de beleza no qual possa manifestar-se adequadamente nosso Self transpessoal.
Dr. Roberto Assagioli

Pensamento de William James :
Nossa consciência desperta normal, consciência racional, como dizemos, é apenas um tipo especial de consciência, enquanto em torno dela, separadas apenas pela mais fina película, repousam formas potenciais de consciência inteiramente diferentes. Podemos atravessar a vida sem suspeitar da existência delas; mas aplique-se o estimulo e, num instante, lá estão elas em toda a sua plenitude.

História da Psicologia no Ocidente

A psicologia ocidental originou-se na Grécia por volta do ano 500 a.C. dentro da Filosofia, onde alguns filósofos iniciaram cogitações sobre a psique humana. Destacam-se Sócrates, Platão e Aristóleles como grandes filósofos que criaram a base da filosofia ocidental.

No século XIX, no período de 1832 a 1860 na Universidade de Leipzig, Alemanha, é que a psicologia surgiu como ciência separada da filosofia através do estabelecimento de métodos e princípios teóricos aplicáveis ao estudo e de grande utilidade no estudo e tratamento de diversos aspectos da vida e da sociedade humana.

A teoria psicológica tem caráter interdisciplinar por sua íntima conexão com as ciências biológicas e sociais e por recorrer, cada vez mais, a metodologias estatísticas, matemáticas e informáticas. Não existe, contudo, uma só teoria psicológica, mas sim uma multiplicidade de enfoques, correntes, escolas, paradigmas e metodologias concorrentes, muitas das quais apresentam profundas divergências entre si.

Modernamente a psicologia é dividida em quatro grandes correntes denominadas forças:

1ª FORÇA: Behaviorismo ou Psicologia Comportamental - criada por John B. Watson. Reformulou os conceitos de consciência e imaginação, negando o valor da introspecção. Watson rejeitou tudo o que não pudesse ser mensurável, replicável ou observável em laboratório. Segundo ele, somente o comportamento manifesto era possível de ser validado cientificamente. Os estudos posteriores demonstraram que essa postura não era correta em alguns aspectos, mesmo assim os estudos de Watson foram determinantes para a expansão da psicologia.

2ª FORÇA: Psicanálise - criada por Sigmund Freud, o estudo psicanalítico focaliza prioritariamente a patologia e o extremo sofrimento diante da própria impotência e da limitação humana. Freud teve inúmeros seguidores e muitos de seus postulados sobre a psique continuam válidos e dão suporte às outras escolas que se desenvolveram a partir da psicanálise. Freud também teve dissidentes que evidenciaram outros aspectos importantes da psique humana que ele não admitia. O principal discípulo de Freud foi Carl Gustav Jung que é considerado um dos precursores da Psicologia Transpessoal devido aos seus inúmeros estudos sobre o ocultismo.

3ª FORÇA: Psicologia Humanista - surgiu nos Estados Unidos e na Europa, na década de 50, como reação explícita ao behaviorismo e a analogia entre o Ser Humano e a máquina e que colocava à margem do seu objeto de estudo os fatores afetivos e emocionais. Os humanistas reagiram a essa opção metodológica pela exclusão da emoção, que consideravam inerente e fundamental no ser humano. A visão do Ser Humano no humanismo é a de um ser criativo, com capacidades de auto-reflexão, decisões, escolhas e valores. Abraham Maslow é considerado fundador desse movimento. A respeito da psicanálise Maslow afirmou que Freud se deteve na doença e na miséria humana e que era necessário considerar os aspectos saudáveis, que dão sentido, riqueza e valor à vida. Uma das funções da forma humanista de se analisar a psicologia é resgatar o sentido da vida próprio da condição humana. Maslow afirmava que o homem seria um ser com poderes e capacidades inibidas. Adoecemos, não só por termos aspectos patológicos, mas, muitas vezes, por bloquearmos elementos saudáveis.

4ª FORÇA: Psicologia Transpessoal - a partir das idéias exaradas na psicologia humanista surgiu a 4ª força. Maslow acreditava que vivenciar o aspecto transcendente era importante e crucial em nossas vidas. Pensar de forma holística, transcendendo dualidades como certo, errado, bem ou mal, passado, presente e futuro é fundamental. Maslow declarava que sem o transcendente ficaríamos doentes, violentos e niilistas, vazios de esperança e apáticos. Na segunda edição do livro "Introdução a Psicologia do Ser" Maslow anuncia o aparecimento da quarta força em psicologia - para além dos interesses personalizados, mais elevada e centrada no cosmo. Em 1968, ele concluiu: "Considero a Psicologia Humanista, a Psicologia da Terceira Força, transitória, uma preparação para uma Quarta psicologia ainda "mais forte", transpessoal, transumana, centrada no cosmos e não em necessidades e nos interesses humanos, que vai além da condição humana, da identidade, da auto-realização, etc." Algo maior do que somos e que seja respeitado por nós, e ao qual nos entregamos num novo sentido não materialista. Vitor Frankl, Stanislav Grof, James Fadiman e Antony Sutich uniram-se a Maslow e oficializaram, em 1968, a Psicologia Transpessoal, enfocando o estudo da consciência e o reconhecimento dos significados das dimensões espirituais da psique. Esse evento foi anunciado por Antony Sutich, em seu artigo Transpersonal Psychology.

Extraído do site :
http://www.psicologiatranspessoal.com.br/psic_transp/history.htm (I.B.P.H)

PSICOLOGIA TRANSPESSOAL - Conceitos e Fundamentos
Podemos conceituar PSICOLOGIA TRANSPESSOAL como "o estudo e aplicação dos diferentes níveis de consciência em direção à unidade fundamental do ser. A visão de mundo, na transpessoal, é a de um todo integrado, em harmonia, onde tudo é energia, formando uma rede de inter-relações de todos os sistemas existentes no universo.

A Psicologia Transpessoal é uma ciência holística que estuda o ser humano em sua totalidade, abrangendo outros enfoques científicos, tais como: Medicina, Antropologia, Sociologia, Física, Química, Biologia e Metafísica. Tem como objeto de estudo os estados de consciência que transcendem a pessoa e o conceito de ego.

A Psicologia Transpessoal estuda especialmente os estados de consciência e se interessa especialmente pelo estudo do estado de consciência transpessoal. É a Escola de Psicologia que pesquisa num nível científico a espiritualidade. Entretanto, é importante frisar que a Psicologia Transpessoal não é religião, nem parapsicologia, apesar de se interessar e investigar, quando necessário estes aspectos e contextos da mente humana.

O termo transpessoal foi adotado depois de uma considerável deliberação para abranger os relatos de pessoas praticantes de várias disciplinas da consciência que falavam de experiências de uma extensão da identidade para além da individualidade e da personalidade. Desse modo, não se pode considerar a psicologia transpessoal um modelo de personalidade em termos estritos, porque a personalidade é tida como apenas um dos aspectos da nossa natureza psicológica; a psicologia transpessoal é, antes, um instrumento de pesquisa da natureza essencial do ser.

A psicologia transpessoal está voltada para a expansão do campo de pesquisa psicológica a fim de incluir o estudo da saúde e do bem-estar psicológico ótimos. Ela reconhece o potencial da vivência de uma ampla gama de estados de consciência, em alguns dos quais a identidade pode estender-se para além dos limites usuais do ego e da personalidade.

A Psicologia Transpessoal como vimos é uma ciência holística que busca transcender os aspectos pessoais do ser, elevando-o a uma condição totalmente espiritual. Está baseada na física moderna subatômica, cujo modelo quantum-relativístico busca apresentar um ponto de vista integrado da teoria de quantum e relatividade, onde o Universo todo (matéria/energia) é uma entidade dinâmica em constante mudança num todo indivisível.

Extraído do site :
http://www.psicologiatranspessoal.com.br/psic_transp/history.htm (I.B.P.H)

Maslow e seu estudo sobre as pessoas bem-sucedidas
Algumas pessoas já conseguem viver mais tempo e com mais saúde. O Psicólogo Abraham Maslow devotou sua carreira ao estudo de tais pessoas (a quem chamava "atualizada com o eu interior") porque achava que uma psicologia baseada na observação de personalidade doentias, que está no centro de quase todas as psicologias e psiquiatrias clínicas, não responderia ao que ele queria saber: como o homem pode continuar a crescer ? Como Maslow descobriu, a resposta a esta pergunta não é futurista ou impossível. Só precisamos que o resto de nós alcance o melhor de nós.

As pessoas que Maslow estudou já eram bem-sucedidas e recompensadas pela sociedade. Sua habilidade para pensar, escrever, pintar, compor música, tratar de doenças ou dirigir corporações era obviamente superior. Mas Maslow estava dirigindo sua atenção para o homem interior, e o que ele descobriu faz com que todos nós pensemos sobre nós mesmos de uma nova maneira.

Constatou, primeiro, que esse grupo era, realmente, de pessoas mais saudáveis, mais felizes e mais sábias que o normal. Não só elas assumiam uma atitude de aceitação da vida como também confiavam em si mesmas como criadoras de sua própria existência.

Como primeira premissa, essas pessoas acreditavam na excelência do "eu interior".
...

Maslow constatou que, sempre que as pessoas atualizadas com o "eu interior" enfrentavam dificuldades externas, voltavam-se para dentro de si mesmas para encontrar a solução. A maior parte das vezes a solução estava lá.

Essas ... pessoas ... descobriram, por si mesmas, a conexão psicofisiológica. Mais importante, porque elas assumem atitudes positivas com relação a si mesmas, suas mentes e seus corpos trabalham juntos para promover saúde. É completamente natural e simples para elas. Como Maslow coloca, "o que tais pessoas querem e desfrutam acontece ser exatamente o que é bom para elas. Suas reações expontâneas são tão capazes, eficientes e corretas como se tivessem sido pensadas antes".

Bibliografia :
Conexão Saúde
Chopra, Dr. Deepak
Editora Best Seller
Pág. 127 e 128

Conflitos
A comparação entre os conflitos intrapsíquicos e os conflitos interpessoais não é apenas uma analogia, porque, como observa Jung, nossos conflitos com outra pessoas (e, por falar nisso, com animais e objetos) são quase sempre, ou mesmo sempre, projeções de conflitos no interior de nossa própria personalidade.
Bibliografia :
Introdução à Psicologia Junguiana
Hall, Calvin S. e Nordby, Vernon J.
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 60

Pensamento de Jung :
JUNG O Encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas : se há alguma reação, ambas são transformadas.

Psicossíntese e o Supraconsciente

A Psicossíntese foi inicialmente formulada em 1910 pelo psiquiatra italiano Roberto Assagioli (1888-1974), um pioneiro do movimento psicanalítico na Itália e um contemporâneo de Freud e Jung.

Cedo no seu trabalho, ele observou que essa repressão dos impulsos mais altos, supraconscientes (conhecida mais tarde como "a repressão do sublime") poderia ser tão danosa para a psique quanto a repressão do material inconsciente inferior.

A psicanálise tradicional reconhece um inconsciente primitivo, ou "inferior" - a fonte de nossos impulsos atávicos e biológicos.

Mas há também um inconsciente "superior", um supraconsciente - um reino autônomo no qual se originam nossos impulsos mais evoluídos, tais como: o amor e a vontade altruísticos, a ação humanitária, a inspiração artística e científica, a introspeção filosófica e espiritual e a procura do propósito e do significado da vida.

A psicossíntese trabalha com a integração do material do inconsciente inferior e com a realização e a atualização do conteúdo do supraconsciente.

Para este fim, ela usa uma larga gama de técnicas para contatar o supraconsciente e para estabelecer uma ponte com aquela parte de nosso ser onde a verdadeira sabedoria deve ser encontrada.

O supraconsciente é assim acessível, em grau variável, para cada um de nós, e pode se tornar uma grande fonte de energia, de inspiração e de orientação.

A psicossíntese nos ajuda a entrar em contato e a manifestar essa parte de nós mesmos tão completamente quanto possível na vida cotidiana.

Extraído do Site : www.psicossintese.org.br

Jung define projeção da seguinte maneira :
JUNG "a projeção é um processo inconsciente automático, através do qual um conteúdo inconsciente para o sujeito é transferido para um objeto, fazendo com que este conteúdo pareça pertencer ao objeto. A projeção cessa no momento em que se torna consciente, isto é, ao ser constatado que o conteúdo pertence ao sujeito."

Trabalho com sonhos
A Gestalt-terapia tem seu próprio método de lidar com os sonhos; eles são usados para integrar e não são interpretados. Perls considera o sonho uma mensagem existencial ... É uma mensagem dizendo como está a vida da pessoa e como atingir os seus sentidos - para acordar e ocupar o seu lugar na vida. Perls não vê o terapeuta como aquele que sabe mais do que o paciente a respeito do significado dos sonhos ...

Perls deixa a pessoa encenar seu sonho. Como ele considera cada parte do sonho uma projeção, cada fragmento do sonho (pessoa, suporte ou humor) é considerado uma parte alienada da pessoa. A pessoa assume cada parte - e um encontro se segue entre as partes divididas do self.

Um encontro desse tipo, em geral, leva à integração.

Bibliografia :
Processo, Diálogo e Awareness - Ensaios em Gestalt-Terapia
Yontef, Gary M.
Summus Editorial
1998
Pág. 100 e 101

Pensamento de Jung :
JUNG Confrontar uma pessoa com a sua sombra é mostrar-lhe onde está a luz.

"Sinergia"
...
Funcionamos como um todo mesmo que não o saibamos ou que não o aceitemos, enquanto indivíduos, enquanto sociedade, enquanto mundo, enquanto planeta... E com certeza todos nós queremos funcionar bem. Em um organismo, esse bom funcionamento é caracterizado pelo fato de seus vários componentes atuarem juntos de maneira natural e espontânea, em harmonia com o todo.

A isto dá-se o nome de sinergia, do grego syn-ergos, que significa "trabalhar junto". Sinergia não implica qualquer coação ou coibição, nem surge por um esforço deliberado. Cada elemento do sistema trabalha individualmente para atingir seus próprios fins, que podem ser os mais variados. E, no entanto, eles espontaneamente agem de maneira que favorece a todos, havendo assim pouco ou nenhum confilito intrínseco.

Um exemplo excelente de um sistema com alta sinergia é o nosso corpo. Somos um agrupamento sortido de vários trilhões de células individuais, cada uma agindo em seu próprio interesse e, todavia, contribuindo simultaneamente para o bem comum. Sinergia em um organismo é a essência da vida e está intimamente ligada à saúde. Quando, por algum motivo, a sinergia diminui e o organismo como um todo não recebe a plena cooperação de suas diversas partes constituintes, ele adoece. Também nos grupos sociais a sinergia indica até que ponto as atividades de um indivíduo contribuem para o grupo como um todo: grupos com alta sinergia tendem a ter poucos conflitos e agressões. Isto significa que são sociedades em que as estruturas sociais e psicológicas são tais que a atividade do indivíduo está naturalmente em harmonia com as necessidades dos demais e com as necessidades do grupo.
...

Parte do artigo Conversando com a Andrée do Informativo do Centro de Psicossíntese de São Paulo, Ano 4 - No. 13 abril-maio-junho 2003

Autora : Andrée Samuel é Psicoterapeuta com formação em Psicossíntese e 26 anos de prática clínica; é practitioner e trainer do Bach Centre, UK; coordena cursos de formação em Psicossíntese e grupos de auto-conhecimento. Presidente-fundadora do Centro de Psicossíntese de São Paulo, é membro do Instituto de Psicossíntese, Florença, Itália.

Site : www.psicossintese.org.br

Exercício para evocar Serenidade

1. Assumir uma atitude física de serenidade; relaxar toda a tensão muscular e nervosa; respirar lenta e ritmicamente; expressar serenidade em seu rosto com um sorriso. (Você pode ajudar-se nisso olhando-se a um espelho ou visualizando-se com essa expressão).

2. Pensar sobre serenidade; compreender o seu valor, o seu uso, especialmente em nossa agitada vida moderna. Louvar a serenidade em sua mente; desejá-la.

3. Evocar diretamente a serenidade; tentar sentí-la; com a ajuda da repetição da palavra ou lendo alguma frase apropriada, ou repetindo muitas vezes uma frase ou sentença sugestiva. Por exemplo:"Ação e inação podem encontrar lugar em ti; teu corpo agitado, tua mente tranquila, tua alma límpida como um lago de montanha".

4. Imaginar-se em circunstâncias que sejam propensas a agitá-lo ou a irritá-lo; por exemplo, estar no meio de uma multidão agitada - ou na presença de uma pessoa hostil - ou defrontar-se com um problema difícil - ou obrigado a fazer muitas coisas rapidamente - ou em perigo - e ver-se e sentir-se calmo e sereno.

5. Compremeter-se a permanecer sereno durante o dia todo, seja o que for que aconteça; ser um exemplo vivo de serenidade; irradiar serenidade.

* * * * *

Nota: Este mesmo modelo pode ser usado com o objetivo de evocar e desenvolver qualquer qualidade psicológica, quais sejam, Coragem, Decisão, Paciência, etc.

Bibliografia :
Psicossíntese - Manual de princípios e técnicas
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 231 e 232

O processo de individuação, diz Jung,
JUNG ... leva ao nascimento de uma consciência da comunidade humana, justamente porque nos torna côncios do inconsciente, que une e é comum a toda a humanidade. A individuação é uma reconciliação consigo mesmo e ao mesmo tempo com a humanidade, visto que somos parte da humanidade.

Teoria da Auto-Realizaçao (Maslow) & Psicologia da Inteligência Criadora


Embora a teoria da auto-realização e a psicologia da inteligência criadora reconheçam, ambas, a sabedoria do conservadorismo em face do perigo e a importância da segurança para o crescimento, diferem em sua interpretação do que constitui o terreno da segurança. Maslow argumentou que a base da segurança e, portanto, o impulso para o crescimento, reside na satisfação daquilo que chama de necessidades para a sobrevivência. À luz desta hierarquia das necessidades, ele sugeriu que a satisfação das exigências básicas de comida e abrigo e um pouco de amor e confiança, conduzem, naturalmente, em direção à necessidade de amizade, expressão criadora, e, finalmente, em direção à mais alta demanda, a de realizar o pleno potencial do eu inteior. A psicologia da inteligência criadora, por outro lado, identifica o terreno final da segurança na experiência do potencial interior do eu, a pura inteligência criadora.
...
A psicologia da inteligência criadora ... difere da teoria da auto-realização, ao identificar a relação do impulso para o crescimento com a experiência do eu mais interior. Enquanto a teoria da auto-realização define a experiência do eu como expressão final do impulso para o crescimento, a psicologia da inteligência criadora sustenta que a experiência do eu é pré-requisito para o impulso de crescer. De fato, enquanto a teoria da auto-realização sustenta que o grau no qual a pessoa pode experimentar seu eu é diretamente proporcional à satisfação das suas necessidades de sobrevivência, a psicologia da inteligência criadora declara que o grau em que a pessoa pode satisfazer seu desejo de crescer é diretamente proporcional à experiência que tem de seu eu.

Ao esboçarem a teoria da auto-realização, Maslow e seus auxiliares sempre começaram com uma discussão sobre a motivação. Discutiram o impulso de crescer como sendo a chave para a expressão de nossos mais elevados valores. Ao esboçar a psicologia da inteligência criadora, no entanto, devemos começar com uma discussão do eu. A partir da perspectiva da psicologia da inteligência criadora, a chave para expressar nossos mais elevados valores reside em experimentar o eu, ganhando assim a capacidade de expressar, plenamente, o impulso de crescer.

Bibliografia :
MT - Meditação Transcedental :
A descoberta da energia interior e domínio da tensão
Bloomfield, Dr, Harold H.
Cain, Michael Peter
Jaffe, Dennis T.
Editora Nova Fronteira
Rio de Janeiro
1976
Pág. 190, 191 e 192

Necessidades

Há várias décadas o psicólogo americano Abraham Maslow formulou a idéia de uma hierarquia de necessidades. Após atender às necessidades básicas de sobrevivência, o ser humano adquire condições de lutar para satisfazer necessidades de nível mais alto. Na opinião de Maslow, a mais importante dessas necessidades é de natureza espiritual: o desejo de auto-individuação, de conhecimento de si mesmo no nível mais profundo possível.
Bibliografia:
O Universo Autoconsciente - como a consciência cria o mundo material
Goswami, Amit
Editora Rosa dos Tempos
Rio de Janeiro
2002
5o Edição
Pág. 33

Imagine as condições do mundo quando a maioria se voltar para o bem do próximo e se desligar dos seus próprios objetivos egoístas. Perceba o papel que você pode desempenhar na construção desse mundo. Visualize o espírito da boa vontade como raios de luz que emanam de dentro de você... iluminando todas as pessoas, problemas e situações que lhe dizem respeito imediato.

Roberto Assagioli

Bibliografia :
Elementos da Psicossíntese
Parfitt, Will
Ediouro
1994
Pág. 79

Pensamento de Jung :
JUNG Emprego a expressão "individuação" para designar o processo pelo qual um ser torna-se um in-divíduo psicológico, isto é uma unidade autônoma e indivisível, uma totalidade.

William James e a Meditação

William James, o pai da psicologia norte-americana, antecipou o atual interesse científico pela meditação, quando cogitou :

se a disciplina da ioga não poderá constituir... um meio metódico para despertar níveis de força de vontade mais profundos de que os habitualmente usados, assim aumentando o vigor e a energia vitais do indivíduo. Não tenho dúvida alguma de que a maioria das pessoas vive, seja física, intelectual ou moralmente, num círculo muito restrito de seu ser potencial. Usam uma porção muito pequena da sua consciência possível, bem como dos recursos de sua alma, em geral, de modo muito semelhante a um homem que, de todo o seu organismo, na parte física, adquirisse o hábito de usar e movimentar apenas seu dedo mínimo... não serão as práticas da ioga, afinal, métodos para chegar aos nossos níveis funcionais mais profundos ?

Bibliografia :
MT - Meditação Transcedental :
A descoberta da energia interior e domínio da tensão
Bloomfield, Dr, Harold H.
Cain, Michael Peter
Jaffe, Dennis T.
Editora Nova Fronteira
Rio de Janeiro
1976
Pág. 93 e 94

Conhecimento Completo da Própria Personalidade

Reconhecemos que, para nos conhecermos realmente a nós mesmos, não é bastante efetuar um inventário dos elementos que formam o nosso consciente. Também deve ser empreendida uma extensa exploração das vastas regiões do nosso inconsciente.

Temos, em primeiro lugar, que penetrar corajosamente no poço de nosso inconsciente inferior, a fim de descobrirmos as forças sombrias que nos espreitam e nos ameaçam - os "fantasmas", as imagens ancestrais ou infantis que nos obcecam ou silenciosamente nos dominam, os medos que nos paralisam, os conflitos que exaurem nossas energias...

As regiões do inconsciente médio e superior devem ser igualmente exploradas. Desso modo, descobriremos em nós próprios capacidades até então ignoradas, nossas verdadeiras vocações, nossas potencialidades mais elevadas que procuram expressar-se, mas que frequentemente repelimos e reprimimos por falta de compreensão, através do medo ou do preconceito. Descobriremos também a imensa reserva de energia psíquica indiferenciada que está latente em todos nós; ou seja, a parte plástica do nosso inconsciente que está à nossa disposição, investindo-nos de uma capacidade ilimitada para aprender e criar.

Bibliografia :
Psicossíntese - Manual de princípios e técnicas
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 35 e 36

Pensamento de Jung, 1916 :
JUNG A tendência do inconsciente e aquela da consciência são dois fatores que compõem a função transcendente. Esta função é denominada transcendente porque possibilita a passagem de uma situação à outra... uma vez que os conteúdos inconscientes são necessários para integrar os conscientes... A função transcendente propicia ao paciente contribuir com suas próprias forças com o trabalho do médico... É uma via para liberar-se através do esforço pessoal e encontrar assim a coragem de encarar-se.

Gestalt-terapia e o Diálogo

O terapeuta dialógico está verdadeiramente comprometido com o diálogo; ele permite ao que está "entre" controlar.
...
O terapeuta faz o seu contato com uma atitude Eu-Tu, em vez de ter espírito de controle, condicionamento, manipulação, exploração do paciente ou outras formas de Eu-Isto. O compromisso com o diálogo significa relacionamento baseado explicitamente no que a pessoa está experienciando, e respeito ao que o outro experiencia.

Não é possível fazer boa Gestalt-terapia sem a realização de um contato Eu-Tu. Mas fazer contato não estabelece um relacionamento.

Um relacionamento se desenvolve quando duas pessoas, cada uma com sua existência e necessidades independentes, contatam uma à outra, reconhecendo e permitindo diferenças entre si, o que significa ser mais do que uma combinação de monólogos, mas duas pessoas em trocas significativas.

Um compromisso com o diálogo significa não somente que cada qual expresse o seu eu interior ao outro, mas também é receptivo à auto-expressão do outro; significa, especificamente, permitir que o resultado seja determinado pelo Entre, e não controlado por uma das pessoas. O controle solitário, maleável, significa que cada qual é afetado pelo que é diferente no outro, e existe uma permissão "para" e dedicação "ao" processo de diálogo. Esse processo de diálogo é mais valorizado na Gestalt-terapia do que o terapeuta ou o paciente estar no controle.

Bibliografia :
Processo, Diálogo e Awareness - Ensaios em Gestalt-Terapia
Yontef, Gary M.
Summus Editorial
1998
Pág. 253 e 254

Pensamento de Jung :
JUNG Nenhum homem é uma ilha, fechada sobre si;

todos são parte de um continente,

uma parcela da terra principal.

"Psicossíntese das nações"
...
Conviver no meio de outras pessoas, com outros grupos que também compartilham dessa grande aventura da Vida é lançar-se no "risco". Há o risco do interagir uns com os outros, pois expressar-se, manifestar seus pensamentos, suas idéias, suas percepções, seus sentimentos, suas emoções implica arriscar-se a ser rejeitado, ignorado, ridicularizado, só para citar alguns deles. Há também o risco do isolamento caso nós nos calemos buscando viver separados dos outros. Ao compartilhar, damo-nos a oportunidade de encontrar nossos "afins", pessoas que pensam e sentem de um modo afinado com o nosso, o que nos traz um sentimento de união, solidariedade e força. Há também a oportunidade do crescimento quando nos encontramos com nossos opositores, aqueles que, por não concordarem com alguma idéia nossa, chamam-nos para explicitá-la melhor e assim nos convidam a uma reflexão e, quem sabe, a uma re-visão dos nossos pressupostos, crenças e valores. Este é um exercício muitas vezes desconfortável de fazer pois desinstala-nos da nossa atitude absoluta para uma atitude relativa, convida-nos a nos colocar no lugar do outro e a olhar o mundo a partir de sua perspectiva. Quando nos dispomos a realizar esse movimento, descobrimos outras possibilidades infinitas de ver o mundo e de nos ver dentro dele.

Na minha experiência, conviver com as diferenças é um dos desafios mais trabalhosos. Uma coisa é compreender as diferenças; outra, além de compreender as diferenças, é aceitar as diferenças. Como é exigente o desenvolvimento dessa atitude interna da aceitação do outro assim como ele é! Pensemos nisso em relação aos diferentes grupos sociais que existem dentro de uma mesma comunidade. O que observamos é que cada um defende seu modo de ver, suas crenças, sem ao menos ouvir qual é a mensagem do outro. Isto sem mencionar nossas interpretações a respeito daquilo que ouvimos, nossas fantasias a respeito do outro e nossas projeções.

A proposta da Psicossíntese é ajudar-nos a olhar para dentro de nós mesmos, reconhecer nossas limitações, nosso potencial, nossas sombras e nossa luz. Somente assim poderemos estabelecer relações pessoais, interpessoais e sociais com a qualidade que todos os seres almejam: a qualidade das corretas relações humanas o que tem como conseqüência evocar em cada um a gentileza, a tranquilidade, o respeito e a paz.
...

Parte do artigo Conversando com a Andrée do Informativo do Centro de Psicossíntese de São Paulo, Ano 3 - No. 11

Autora : Andrée Samuel é Psicoterapeuta com formação em Psicossíntese e 26 anos de prática clínica; é practitioner e trainer do Bach Centre, UK; coordena cursos de formação em Psicossíntese e grupos de auto-conhecimento. Presidente-fundadora do Centro de Psicossíntese de São Paulo, é membro do Instituto de Psicossíntese, Florença, Itália.

Site : www.psicossintese.org.br

Pensamento de Jung :
JUNG "O sonho é uma pequena porta escondida nos recantos mais íntimos da alma, abrindo-se para dentro dessa noite cósmica que era psique muito antes de existir qualquer consciência do ego. (...) Toda consciência separa; mas nos sonhos, assumimos a aparência daquele homem mais universal, mais verdadeiro e mais eterno que vive na escuridão da noite primordial. Lá ele ainda é o todo e o todo está nele."

É sempre altamente enriquecedor poder aceitar outra pessoa

Verifiquei que aceitar verdadeiramente uma pessoa e seus sentimentos não é nada fácil, não mais do que compreendê-la. Poderei realmente permitir que outra pessoa sinta hostilidade em relação a mim? Poderei aceitar sua raiva como uma parte real e legítima de si mesma? Poderei aceitá-la quando ela encara a vida e seus problemas de uma forma completamente diferente da minha? Poderei aceitá-la quando tem para mim uma atitude positiva, quando me admira e me toma como modelo? Tudo isso está englobado na aceitação e não surge facilmente.

Parece-me que é uma atitude cada vez mais frequente de todos nós na nossa cultura acreditar que: "Todas as outras pessoas deviam sentir, pensar e acreditar nas mesmas coisas que eu." Todos nós achamos muito difícil permitir aos nossos filhos, aos nossas pais ou famílias terem uma atitude diferente em relação a determinadas questões e problemas. Não queremos permitir que nossos clientes ou nossos alunos tenham uma opinião diferente da nossa ou utilizem a sua experiência da maneira pessoal que lhes é específica. Numa escala nacional, não queremos permitir que outra nação pense ou reaja de uma forma diferente da nossa.

Acabei, no entanto, por reconhecer que essas diferenças que separam os indivíduos, o direito que cada pessoa tem de utilizar sua experiência da maneira que lhe é própria e de descobrir o seu próprio significado nela, tudo isto representa às potencialidades mais preciosas da vida. Toda pessoa é uma ilha, no sentido muito concreto do termo; a pessoa só pode construir uma ponte para comunicar com as outras ilhas se primeiramente se dispôs a ser ela mesma e se lhe é permitido ser ela mesma. Descobri que é quando posso aceitar uma outra pessoa, o que significa especificamente aceitar os sentimentos, as atitudes e as crenças que ela tem como elementos reais e vitais que a constituem, que posso ajudá-la a tornar-se pessoa: e julgo que há nisso um grande valor.

Bibliografia :
Tornar-se Pessoa
Rogers, Carl R.
Martins Fontes
São Paulo
1999
Pág. 24 e 25

A Cura das Almas

Jung, nas suas Memórias, Sonhos, Reflexões, afirma que a "Cura das Almas" é a sua Missão. Ao contrário da maioria das psicoterapias convencionais, cujo objetivo é basicamente o ajuste da personalidade e a cura dos sintomas, aplicando-se para alcançá-lo técnicas terapêuticas de manipulação - a sua psicoterapia visa a cura da alma, a abordagem do numinoso. O objetivo não é apenas a cura da patologia, mas principalmente a realização da plenitude do indivíduo ou sua auto-realização. No mais profundo de cada ser humano esconde-se a semente de todo o desenvolvimento futuro que, em última instância, significa uma semente de divindade, sendo o trabalho profundo da psicoterapia de Jung ajudar no sentido que essa semente desabroche e atinja seu potencial máximo. Que métodos desenvolveu Jung a fim de alcançar esta meta ? Afirma ele que no processo natural de individuação encontrou um modelo e um princípio orientador para o seu método de tratamento.
Bibliografia :
A Psicologia de Jung e o Budismo Tibetano
Moacanin, Radmila
Cultrix/Pensamento
São Paulo
Pág. 58

Uma outra técnica para dar descarga a emoções, de um modo terapêutico, é a da escrita. Por exemplo, quando existe um forte ressentimento contra alguém, seja ele justificado ou não, o terapeuta pode sugerir ao paciente: "Sente-se e escreva uma carta a essa pessoa, dando livre expressão a todos os seus ressentimentos, sua indignação, afirmando os seus direitos, não retendo nada. Depois, entregue-me a carta ou queime-a".

Esta técnica é mais útil do que pode parecer, porque envolve o interessante mecanismo de satisfação simbólico. O inconsciente é satisfeito por esse ato simbólico de retaliação por escrito. Convém lembrar sempre isso, porque é útil, de muitas maneiras, para aliviar a tensão emocional.

Bibliografia :
Psicossíntese - Manual de princípios e técnicas
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 117

Ter um problema aqui, outro ali faz parte da vida. O importante é não evitá-los, mas saber o que fazer quando eles surgem, as coisas ficam pretas e ficamos paralisados.
Podemos mudar a situação verbalizando e aceitando o que estamos sentindo.
Em vez de tentar disfarçar a raiva, assumi-la.
Melhor dizer "Estou com raiva" do que "Você me deixa furioso".
Bibliografia :
Encontre o milagre em você
Satir, Virginia
Editora Gente
São Paulo
2000
Pág. 62

Pensamento de Jung :
JUNG O terapeuta deve ter em mente
que o paciente está ali
para ser tratado
e não para verificar uma teoria.

A Experiência da Vontade

A experiência da vontade constitui, ao mesmo tempo, um alicerce firme e um forte incentivo para o início da exigente porém extremamente compensadora tarefa de seu treinamento. Esta ocorre em três fase: a primeira é o reconhecimento de que a vontade existe; a segunda refere-se à constatação de ter uma vontade. A terceira fase de descoberta, e que a torna completa e efetiva, é a de ser uma vontade (e isto é diferente de "ter" uma vontade).
...
A verdadeira função da vontade não é atuar contra os impulsos da personalidade e forçar a realização de propósitos. A vontade tem função diretriz e reguladora; equilibra e utiliza construtivamente todas as demais energias do ser humano sem nunca reprimir nenhuma delas.

A função da vontade é semelhante à do timoneiro de um navio. Ele sabe qual deve ser o rumo e mantém firmemente o braço na direção certa, apesar dos desvios causados pelo vento e pela correnteza. A força de que necessita para segurar o leme é inteiramente diferente da que propulsiona o navio pelo mar afora, seja ela proveniente dos geradores, dos ventos nas velas ou do esforço de remadores.

Bibliografia :
O Ato da Vontade
Assagioli, Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
1973
Pág. 10 e 12

Comunicação Não-Violenta (CNV)

Nas nossas comunidades e na nossa cultura, no trabalho e até na família, a violência marca uma presença cada vez mais influente, diminuindo trágicamente a qualidade das nossa vidas. Em contrapartida notamos em toda a sociedade um crescente desejo de intervir e de agir com meios práticos e eficazes em favor da paz.

A Comunicação Não-Violenta(CNV) é um processo conhecido por sua capacidade de inspirar ação compassiva e solidária. Ensinado há 35 anos por uma rede mundial de mediadores e facilitadores e foi fundada pelo psicólogo Dr. Marshall Rosemberg. Agora a CNV está utilizada em escolas, em penitenciárias, na gestã pública, em igrejas, hospitais, sindicatos, delegacias e empresas, e faz parte da metodologia de agentes comunitários em mais que 30 países.

A Comunicação Não-Violenta facilita a conexão entre individuos ou grupos e consigo mesmo. Comunicação Não-Violenta visa ajudar-nos a:
- Ouvir o sentido por trás de qualquer mensagem (ver o lado humano em todos nós)
- Expressar nossos desejos com clareza
- Mediar e resolver conflitos
- Inspirar, promover e manter a cooperação
- Conviver pacificamente com a diversidade

Então, como funciona o modelo da CNV?

Expressando de forma claro como estou, sem acusar, culpar ou criticar.

1: Observação - descrever minha observação atual (somente as ações concretas) que estão contribuindo (ou não) para o meu bem estar.
2: Sentimentos - como estou me sentindo em relação a essas ações.
3: Necessidades - expressar minhas necessidades (princípios,valores básicos universais) que estão gerando meus sentimentos.

Expressando de forma clara os meus pedidos, sem fazer exigências.

4: Pedido - solicitar as ações concretas (algo atualmente exequível) que eu gostaria que fossem realizadas no presente momento.

O que é a rede CNV?

O Centro pela Comunicação Não-Violenta, o CNVC (www.cnvc.org) é uma organização mundial cuja visão é um mundo em que todos tenham suas necessidades atendidas pacificamente. Sua missão é de contribuir para esta visão ao facilitar a criação de projetos a serviço da vida.

O Centro Brasileiro para uma Comunicação Não-Violenta, o CNVBrasil (www.cnvbrasil.org), oferece apoio em terrtório brasileiro, para compartilhar desta visão de uma massa crítica de pessoas usando a CNV para promover a paz nos níveis pessoal, interpessoal e organizacional.

Folheto entregue na Palestra sobre Comunicação Não-Violenta proferida na www.psicossintese.org.br

Cinco liberdades

Liberdade para ver e ouvir o que é,
em vez de o que deveria ser, foi ou será.

Liberdade de dizer o que se sente ou se pensa,
em vez de o que se deveria sentir ou pensar.

Liberdade de sentir o que se sente,
em vez de o que se precisa sentir.

Liberdade de perguntar o que se quer saber,
em vez de sempre esperar pela permissão.

Liberdade de correr riscos por conta própria,
em vez de escolher apenas a "segurança" de não virar o barco.

Bibliografia :
Contatos com tato
Virginia, Satir
Editora Gente
São Paulo
2000
Pág. 31

Segundo Radhakrishnan:

O privilégio peculiar ao ser humano é poder conscientente reunir-se ao todo e trabalhar para ele, encarnando na sua própria vida o propósito do todo ... Os dois elementos do ego: a singularidade (imparidade) e a universalidade (totalidade) progridem juntamente até que, afinal, o que é mais único torna-se o mais universal.
Bibliografia :
O Ato da Vontade
Assagioli, Roberto
Cultrix
Pág. 104

Psicossíntese : Evolução, Observação, Análise e Síntese

Tudo na natureza parece evoluir rumo à totalidade. Essas afirmativa até pode ser considerada uma definição para o termo evolução. Um átomo se combina com outros átomos para formar uma molécula. Moléculas se reúnem para formar células, que se agrupam em tecidos que constituem órgãos. E a reunião de diferentes órgãos resulta na expressão de um organismo completo. Um processo similar também pode ser observado no nosso universo psicológico, quando vários aspectos se integram, tornando-nos indivíduos completos. A psicossíntese pode ser utilizada na exploração de todos esses aspectos, o que nos levará a adquirir mais equilíbrio e agir com mais eficiência. Se uma molécula entrar em atrito com outra, e se o pulmão começar a discordar do coração, certamente surgirão problemas. O mesmo ocorre com as funções psicológicas - quando as percepções sensorias, sentimentos, pensamentos, emoções, imaginação, intuição e tudo o mais que compõe a psique, são harmoniosamente sintetizados, conseguimos viver bem sem conflitos.

A síntese respeita a individualidade parcial de cada aspecto. Não há nenhum aspecto "melhor" ou "pior". Pelo contrário, a psicossíntese afirma que cada parte deve atingir a sua plenitude antes de estar pronta para ser realmente integrada e sintetizada às outras partes. Os conflitos que enfrentamos podem ser avaliados sob essa perspectiva - como se fossem a fonte de energia que nos permite saber mais acerca do que somos. A análise dos conflitos interiores torna possível empregarmos a energia liberada durante o processo em atividades mais proveitosas. Em outras palavras, aparentes obstáculos se transformam em dádivas, e se tornam tão valiosos quanto outros benefícios mais evidentes recebidos quando tudo vai bem.

É possível determinar o que desejamos, e ter uma idéia do rumo que estamos tomando na vida, mas, assim que começamos a seguir nessa direção, deparamos com uma série de obstáculos que impedem a nossa movimentação. A psicossíntese afirma que esses obstáculos são auxiliares. Observando-os e analisando-os conseguimos ultrapassá-los e prosseguimos na direção desejada. Esses obstáculos representam as fases da vida em que dispendemos as maiores quantidades de energia. Portanto, quanto mais nos dedicamos ao entendimento desses obstáculos mais próximos estamos do nosso verdadeiro motivo existencial e, assim, deixamos de podar nossos potenciais, permitindo seu desenvolvimento e frutificação.

Bibliografia :
Elementos da Psicossíntese
Parfitt, Will
Ediouro
Pág. 18 e 19

A Psicoterapia Cognitiva na Prática Médica
História e o que é

A Psicoterapia Cognitiva nasceu em 1960, nos Estados Unidos da América, através de estudos realizados por Aaron Beck, da Universidade da Pensilvânia. De lá para cá vem se desenvolvendo e ganhando cada vez mais adeptos. Este desenvolvimento se deu, principalmente, por sua utilização em estudos de casos de pessoas com depressão, quando possibilitou o reconhecimento de algumas características da estrutura do comportamento. Nos últimos 5 anos vem tendo sua eficácia comprovada através de estudos com grupos controle, em várias situações clínicas. Pacientes foram diagnosticados de acordo com as sucessivas versões do Diagnostic and Statistical Manual da Associação Americana de Psiquiatria. Os resultados tiveram um grau inédito de credibilidade frente à comunidade médica, e sua aplicação vem ganhando espaço na prática médica.

Ao surgir a Psicoterapia Cognitiva tinha características de Psicoterapia Breve. Seu objetivo era a modificação dos pensamentos e dos comportamentos disfuncionais que acabavam por influenciar o humor e o comportamento da pessoa. Nos dias de hoje, a Psicoterapia Cognitiva sugere que o pensamento disfuncional pertence a todos os distúrbios psicológicos; ou seja, ele acontece em todas as desordens psicológicas e seu tratamento pode produzir uma melhora no humor e no comportamento Se a melhora for conservada, pode-se obter a mudança das crenças disfuncionais.

Crença é aquilo que as pessoas consideram certo, a realidade clara e límpida. Princípios tão enraizados que seus portadores não costumam questionar se são verdadeiros ou não. Ao interpretar alguma situação que a vida lhe proporciona a pessoa focaliza o que é para ela verdadeiro. Não coloca alternativas, não pensa de uma maneira que possa colocar suas crenças em discussão. Pensamento disfuncional acontece quando a pessoa, para poder manter suas crenças centrais, não leva em conta os dados contrários. Assim, pode evitar a necessidade de se ter de fazer uma análise crítica daquilo que ela já tem como certo.

Psicoterapia Cognitiva e Psicologia Comportamental

As crenças e pensamentos disfuncionais estão associados aos problemas que se apresentam no dia-a-dia de uma pessoa. Para Aaron Beck (1997), a cada situação são selecionados estímulos específicos pelo indivíduo. Esta seleção é realizada para que seja possível a formação de um conceito da situação de acordo com a combinação dos estímulos e crenças que a pessoa já possui; "... padrões de comportamento estáveis formam a base da regularidade das interpretações de situações...". Estes padrões cognitivos formam esquemas através dos quais a pessoa pode classificar cada situação. De acordo com a avaliação feita, as reações fisiológicas, emocionais e comportamentais se dão de determinada maneira. Judith Beck, em seu livro Terapia Cognitiva, ilustrou bem a situação através de um exemplo com o desafio do próprio leitor a parar ou continuar lendo sua obra:

"O leitor que tem os pensamentos "Isso é difícil demais, eu jamais entenderei isso" sente-se triste, experimenta uma sensação de peso em seu abdomem e fecha o livro. É claro, se ele tivesse tido condições de avaliar seu pensamento, suas emoções, fisiologia e comportamento poderiam ter sido positivamente afetados. Por exemplo, ele poderia ter respondido aos seus pensamentos dizendo: "Espere um minuto. Isso pode ser difícil, mas não é necessariamente impossível. Eu fui capaz de entender este tipo de livro antes. Se eu me mantiver com ele, provavelmente o entenderei melhor. "Se ele tivesse respondido desse modo, ele poderia ter reduzido sua tristeza e continuado lendo." (1997)

A Psicoterapia Cognitiva se utiliza técnicas comportamentais. O paciente é ensinado a identificar, avaliar e modificar seus pensamentos com o intuito dos sintomas serem avaliados. Através da terapia ordenada e racional os pacientes acabam por entender melhor a si mesmos, começam a resolver problemas e obtém ferramentas suficientes que eles mesmos podem aplicar no dia-a-dia.

Indicações Clínicas

Por ser um método terapêutico racional e objetivo, mais rápido, eficiente e previsível em seus resultados, a Psicoterapia Cognitiva Comportamental vem sendo utilizada com mais e mais frequência. Sua utilização clínica é mais conhecida e rotineira em pacientes com as depressões e ansiedades, inclusive distúrbios de pânico, agorafobia e doença obsessiva-compulsiva. Aos poucos esta ferramenta terapêutica vem tendo seu uso comprovado e recomendado num universo crescente de situações clínicas nas fronteiras da psiquiatria, como em anorexias, bulimias, obesidade, drogadição, síndrome da fibromialgia, e pseudocrises epilépticas.

O Futuro

As pessoas sujeitas a acontecimentos externos tem sintomas corporais. Da mesma maneira, variam o afeto e o comportamento destas respostas. A psicoterapia cognitiva explora o fato reconhecido há séculos de que as interpretações cognitivas definem as respostas que as pessoas tem aos eventos de seu dia-a-dia. Tratamento das emoções faz com que seja possível a análise do comportamento para a verificação da maneira mais adequada da pessoa agir para que ela possa se sentir bem. Este tratamento pode melhorar aspectos físicos do organismo e a qualidade de vida. Ao fazer o paciente se confrontar com sua realidade, o terapeuta cognitivo comportamental pode trabalhar com a crença de que se pode obter um certo grau de controle do comportamento.

Vale a pena ressaltar que é imprescindível o engajamento do paciente no processo terapêutico e na busca de sua melhora. Felizmente, a posição do terapêuta é mais simples do que em relações terapêuticas mais subjetivas, por exemplo psicoterapias de fundo analítico. A opção de melhorar ou não de seus sintomas é mais clara para pessoas que procuram atendimento justamente para resolvê-los, como no caso de síndromes de fibromialgia e fadiga crônica, nas pseudocrises epilépticas, nas ansiedades e nos distúrbios do apetite. Além disso a relação dos sintomas com os aspectos psicológicos é de entendimento mais fácil para médicos, fisioterapeutas e outros profissionais da saúde envolvidos com estes pacientes.

Por todos estes motivos, nossa visão é de que o aspecto científico desta forma de tratamento psicológico está de acordo com este fim de século XX, quando todas nossas atitudes devem ter uma razão de ser, devem comprovar seu custo-benefício e devem ter resultados previsíveis logo na sua instituição.

Referências Bibliográficas
BECK, Aaron et alli. Terapia cognitiva da depressão. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
BECK, Judith. Terapia Cognitiva - teoria e prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997.
Texto elaborado pela Psic. Ana Paula Vieira Pepe e Dr Paulo Rogério M de Bittencourt

Extraído do Site http://www.unineuro.com.br/saude.html

Um pouco do que escreveu Carl Gustav Jung (1875-1961) sobre o Inconsciente :

JUNG "Encaro a perda de equilíbrio como algo adequado, pois substitui uma consciência falha, pela atividade automática e instintiva do insconciente, que sempre visa a criação de um novo equilíbrio; tal meta será alcançada sempre que a consciência for capaz de assimilar os conteúdos produzidos pelo inconsciente, isto é, quando puder compreendê-los e digeri-los."
Bibliografia :
O Eu e o Inconsciente
Jung, C. G.
Editora Vozes
14o Edição
Pág. 37

Empatia
Apesar da compreensão intelectual do indivíduo, uma compreensão existencial genuína não é possível sem a empatia, ou melhor, sem a projeção da consciência de uma pessoa na de outro ser humano. O desenvolvimento e utilização da empatia exigem uma atitude impessoal, ..., e pode ser conseguida pelo ativo despertar de um envolvente interesse humano para com a pessoa que se deseja entender ou por deixar-se permear inteiramente por esse interesse. Significa aproximar-se dele, ou dela, com simpatia, respeito, com admiração ...

O treinamento da empatia ajuda, não só a adquirir uma verdadeira compreensão dos outros, como a alcançar mais ampla humanidade. Ela proporciona uma visão interior do mistério e da maravilha da natureza humana ...

Bibliografia :
O Ato da Vontade
Assagioli, Roberto
Editora Cultrix
Pág. 72 e 73

O sentido do símbolo não é o de um sinal que oculta algo de geralmente conhecido, mas é a tentativa de elucidar mediante a analogia alguma coisa ainda totalmente desconhecida e em processo.
Bibliografia :
O Eu e o Inconsciente
Jung, C.G.
Editora Vozes
14o Edição
Pág. 145

A educação na psicossíntese

"É axiomático que a prevenção de qualquer desordem é melhor que sua cura. Se as técnicas da psicossíntese constituem uma terapia efetiva - o que de fato são - não é muito melhor prevenir a necessidade de uma terapia no futuro, usando as técnicas da psicossíntese na educação o mais cedo possível? Perguntamo-nos, então, quais são as implicações de uma declaração destas? Tendo em vista o tipo de educação que prevalece no Mundo Ocidental, é preciso: primeiro, produzir um ser humano que funciona harmoniosamente, alegremente e de maneira produtiva em relação à sua própria capacidade; e segundo, estabelecer as condições nas quais tal ideal pode ser realizado".

"...um método de educação integral que tende não só a favorecer o desenvolvimento das várias habilidades da criança ou do adolescente, mas também a ajuda a descobrir e a perceber a sua verdadeira natureza espiritual e a desenvolver, com a orientação desta, uma personalidade harmoniosa, brilhante e eficiente."

Autor : Roberto Assagioli, M.D.
Extraído do Site : www.psicossintese.org.br

Que é a consciência ?
...
Na realidade, a consciência no homem é uma espécie muito particular de "tomada de conhecimento interior" ... é antes de tudo, uma tomada de conhecimento de si mesmo, conhecimento de quem ele é, de onde está e, a seguir, conhecimento do que sabe, do que não sabe, e assim por diante.
...
Devemos compreender agora que "psicologia" significa verdadeiramente o estudo de si.
Bibliografia :
Psicologia da Evolução Possível ao Homem
Ouspensky, P.D.
Editora Pensamento
Pág. 12 e 16

... serei capaz de ver esse outro indivíduo como uma pessoa em processo tornar-se ela mesma, ou estarei prisioneiro do meu passado e do seu passado ? Se, no meu encontro com ele, o trato como uma criança imatura, como um aluno ignorante, como uma personalidade neurótica ou um psicopata, cada um desses conceitos limita o que ele poderia ser na nossa relação. Martin Buber, o filósofo existencialista da Universidade de Jerusalém, emprega a expressão "confirmar o outro", expressão que teve para mim um grande significado. Disse ele: "Confirmar significa (...) aceitar todas as potencialidades do outro (...) Eu posso reconhecer nele, conhecer nele a pessoa que ele foi (...) criado para se tornar (...) Confirmo-o em mim mesmo e nele em seguida, em relação a essas potencialidades (...) que agora podem se desenvolver e evoluir"... Se aceito a outra pessoa como alguma coisa definida, já diagnosticada e classificada, já cristalizada pelo seu passado, estou assim contribuindo para confirmar essa hipótese limitada. Se a aceito num processo de tornar-se quem é, nesse caso estou fazendo o que posso para confirmar ou tornar real as suas potencialidades.

... Se eu considerar uma relação apenas como uma oportunidade para reforçar certos tipos de palavras ou de opiniões no outro, tendo a confirmá-lo como um objeto - um objeto fundamentalmente mecânico e manipulável. E se vejo nisso a sua potencialidade, ele tende a agir de modo a confirmar esta hipótese. Mas se, pelo contrário, considero uma relação pessoal como uma oportunidade para "reforçar" tudo o que ele é, a pessoa que ele é com todas as suas possibilidades existentes, ele tende então a agir de modo a confirmar esta segunda hipótese. Neste caso eu o confirmei - para empregar a expressão de Buber - como uma pessoa viva, capaz de um desenvolvimento interior e criador.

Bibliografia :
Tornar-se Pessoa
Rogers, Carl R.
Editora Martins Fontes
Pág. 65 e 66

A vida passa depressa... de repente você está passando... o que você pode fazer para si próprio, neste instante, que seja agradável?... Mesmo que você esteja num cubículo, numa prisão ou num parque... não importa... importa a liberdade que a sua mente pode criar... crie um espaço neste minuto... ilumine... inspire... abra o peito... sinta o ar entrando... sinta seu corpo se soltando... expire... solte a raiva... a desilusão... se dê um momento inteiro só com você... abra o peito... crie sua proteção... um som... um pássaro cantando... ou uma música suave... ou o som do silêncio, de dentro de você... sintonize seu corpo... pés no chão... cabeça acompanhando essas palavras... solte o peso do corpo... solte a imaginação... calma/mente... protegida/mente... pense que coisa boa lhe virá à mente agora... uma praia?... uma montanha?... uma rosa?... qualquer coisa que lhe traga a sensação de paz... relaxe e sinta o prazer de ter um momento de liberdade...
Você está aprendendo a sair do sufoco. Faça isso sempre que o peito apertar. Você terá aprendido a viver um minuto inteiro no presente... e bem positivo...
Bibliografia :
Síndrome do Pânico - um sinal que desperta
Bauer, Sofia
Caminhos Editorial
Pág. 11

Métodos Utilizados pela Psicossíntese

Há uma grande variedade de tecnicas utilizadas na psicossíntese para atender à diversidade de necessidades apresentadas por situações diversas e pessoas diversas.

Cada pessoa é tratada como um indivíduo, e um esforço é feito para achar os métodos mais adequados à situação existencial, ao tipo psicológico, às metas individuais, às necessidades e ao caminho de desenvolvimento da pessoa.

Algumas das técnicas mais comumente usadas são: a imaginação dirigida, a consciência e o movimento do corpo, o trabalho com símbolos, o trabalho com a arte, manter um diário, o treinamento da vontade, a fixação de meta, o trabalho sobre os sonhos, o desenvolvimento da imaginação e da intuição, a gestalt, os modelos ideais e a meditação.

A abordagem principal da psicossíntese é o tratamento da pessoa como um todo, embora em cada sessão se possa focalizar um nível ou um aspecto particular da pessoa.

Tendo como objetivo a integração do corpo, dos sentimentos e da mente, a psicossíntese tem como meta promover um processo de crescimento contínuo, onde aplicamos as atitudes e técnicas básicas da psicossíntese na vida cotidiana para promover uma atualização mais jovial, harmoniosa e plena de nossas vidas.

Extraído do Site : www.psicossintese.org.br

Eu e Tu-Aqui-e-Agora

O trabalho fenomenológico da GT (Gestalt-Terapia) é feito por meio de um relacionamento baseado no modelo existencial do Eu e Tu-Aqui-e-Agora, de Martin Buber. De acordo com este modelo, a pessoa se envolve total e completamente com a pessoa ou com a tarefa à mão, ambas tratadas como Tu, um fim em si mesmo, não um "isto", coisa ou meio para um fim. Um relacionamento se desenvolve quando duas pessoas, cada uma com sua existência própria e necessidades pessoais, contatam uma a outra reconhecendo e permitindo as diferenças entre elas.

Cada um é responsável por si, por sua parte do diálogo. Isso significa que cada um é responsável por se permitir influenciar o outro, ou permitir ser influenciado, se a energia é trocada. Se ambos permitem, o encontro pode ser como uma dança, com um ritmo de contato e afastamento. Então, é possível haver o conectar e o separar, em vez de isolamento (perda de contato) ou confluência (fusão ou perda da distinção).

Para acontecer essa dança, ambos devem poder se auto-regular sem ser dominados, salvos ou suprimidos. Cada um regula a si em resposta à dança do outro, sem tentar coreografar a dança do outro. Isso exige uma confiança no que poderia acontecer, caso o conteúdo rígido de uma interação for relaxado, em favor do que emerge. Isso também requer confiança de que o outro pode se regular e apoiar-se frente a um diálogo honesto.
...

Bibliografia :
Processo, Diálogo e Awareness - Ensaios em Gestalt-Terapia
Yontef, Gary M.
Summus Editorial
1998
Pág. 221

Eu-Tu

O segundo sentido no qual a Gestalt-terapia é existencial refere-se à sua atitude especial para com o relacionar-se, que é uma característica que dá à Gestalt-terapia sua feição (Simkin, 1976). No nível filosófico ele é chamado de Existencialismo Dialógico. No nível de relacionamento pode ser igualmente chamado Diálogo Eu-Tu, Encontro ou Encontro Existencial. Martin Buber é um proponente eloquente e persuasivo do Existencialismo Dialógico (Friedman, 1976a, 1976b).
...
O Eu é sempre o Eu do Eu-Tu ou do Eu-Isto. O Eu do Eu-Isto diz "ele", "ela" ou "isto". Não se está dirigindo ao outro como pessoa. O "Eu" do "Eu-Tu" diz "você", e a outra pessoa está sendo abordada como pessoa. A atitude do Tu é a de que o outro é digno de respeito, não é tratado como meio para outros fins. Uma pessoa consegue tratar a outra unilateralmente com a atitude Eu-Tu, mas a mais alta forma de Eu-Tu é entre duas pessoas, cada uma dizendo "você". Esse "Tu" é o evento relacional ou um "encontro" que capacita o homem a tornar-se inteiro. Na Gestalt-terapia, relacionamo-nos com uma atitude Eu-Tu e com uma esperança de que um Tu mútuo e completo se desenvolva.
...
No Eu-Isto existe um relacionar-se, mas com o outro sendo objeto de manipulação. O outro não está sendo diretamente abordado como pessoa. O aspecto pessoal e especialmente humano de outra pessoa ainda não tem permissão de se conectar com a a mesma parte de outra pessoa. Isto é um contatar Eu-Isto congelado, que não flui de, ou para Eu-Tu.

Uma pessoa com a atitude Eu-Tu pode dirigir-se a outra pessoa (Eu-Tu), e não tratá-la como um objeto a ser manipulado (Eu-Isto) e ainda assim o Eu-Tu não ser completado, isto é, um Eu e Tu mútuo ainda não desenvolvido. Ou o outro não confia o suficiente, ou ambos têm uma atitude Eu-Tu, mas ainda não há suporte suficiente para um Tu entre, ou seja, não acontece mutualidade. Esse contato também pode ser considerado como um Eu-Isto, no qual um Eu-Tu está latente.
...

Bibliografia :
Processo, Diálogo e Awareness - Ensaios em Gestalt-Terapia
Yontef, Gary M.
Summus Editorial
1998
Pág. 241 e 242

Relacionamentos
por Andrée Samuel

Há várias formas de relacionamentos e há também várias qualidades de relacionamentos. O que a Psicossíntese nos convida a fazer quando questionamos nossas relações com o mundo à nossa volta e com os outros é fazermos uma pausa, respirar, para entrar em contato com o nosso espaço sagrado interior e assim ter uma oportunidade de contato conosco num nível que transcenda o do consciente imediato e dos nossos condicionamentos.

Esta atitude promove e favorece, de início, o reconhecimento da multiplicidade de EUs que habitam o nosso Ser e que, no mais das vezes, se relacionam de modo conflitante - uma parte querendo eliminar a outra! À medida que tomamos consciência destas nossas várias vozes internas e que as reconhecemos, podemos então começar o trabalho de aceitação de sua presença ouvindo qual é a sua necessidade e procurando atender a esta necessidade de um modo mais satisfatório e pleno. Assim ajudamos estes vários EUs a trabalhar em conjunto, colaborando uns com os outros em prol de um maior equilíbrio da personalidade como um todo visando a uma harmonia do Ser.

Este é o trabalho que a Psicossíntese propõe como um primeiro passo para a viagem do auto-conhecimento.

Quanto mais pudermos desenvolver um contato íntimo conosco mesmos, mais e melhor poderemos estabelecer relações com o mundo à nossa volta.

Por que isto? Simplesmente porque, se não nós conhecermos naquilo que se constitui como um limite para a nossa expressão no mundo e também naquilo que temos como potencialidades e qualidades já reconhecidas a oferecer ao mundo, teremos uma visão muito limitada e limitante de nós mesmos e, conseqüentemente, dos outros. Ao aprendermos a conhecer-nos, a saber melhor de nossa dinâmica interior, tomando consciência daquilo que fazemos "contra" nós mesmos - não porque queremos, mas porque ainda não sabemos fazer diferente - podemos então resgatar nossa responsabilidade a respeito de nós mesmos e de nossas vidas, retomando as rédeas de nossas vidas em nossas mãos e não mais sendo um objeto passivo dos condicionamentos familiares, sociais, culturais, religiosos, etc.. Neste reconhecimento de como funcionamos na vida, é fundamental também reconhecermos aquilo que fazemos "a favor" de nós mesmos - assim abrimos o leque de nossa manifestação no mundo de modo mais concreto e mais honesto conosco mesmos.

O que a Psicossíntese propõe é uma re-educação à Luz da consciência. É a possibilidade de conectarmo-nos com o nosso Eu Maior, o Eu Superior, para ouvir esta voz de sabedoria e direcionar a vida a partir de escolhas mais genuínas do Ser e não mais para atender àquilo que imaginamos ser a expectativa do outro a nosso respeito. Esta relação de maior clareza e de respeito conosco mesmos, expande-se naturalmente em nossas relações com os outros. Quanto mais nós nos abrimos para uma compreensão de nossos processos internos e colocamo-nos disponíveis para trabalhar na transformação daquilo que nos emperra na vida, que bloqueia a nossa expressão natural e espontânea, mais nos abrimos para aceitar os outros do modo como eles se apresentam a cada momento da vida. Aprendemos assim a conviver com as diferenças de uma maneira mais construtiva e mais saudável. O exercício a que o processo de auto-conhecimento nos remete é exigente quanto à nossa atenção e observação de como estamos a cada momento, como estamos respirando, o que estamos pensando, fazendo, sentindo - são estas perguntas, acompanhando-nos em nosso dia a dia, que nos dão a chave para a ampliação da consciência em relação ao nosso relacionamento conosco mesmos e com os outros.

Autora : Andrée Samuel é Psicoterapeuta com formação em Psicossíntese e 26 anos de prática clínica; é practitioner e trainer do Bach Centre, UK; coordena cursos de formação em Psicossíntese e grupos de auto-conhecimento. Presidente-fundadora do Centro de Psicossíntese de São Paulo, é membro do Instituto de Psicossíntese, Florença, Itália.
Extraído do Site : www.psicossintese.org.br

As Deusas Gregas e o Feminino
"Não será verdade que cada ciência, no final das contas, se reduz a um certo tipo de mitologia?" (S. Freud)

A reflexão sobre a totalidade do feminino nos remete aos nossos arquétipos, a todas as deusas que nos oferecem modelos e necessitam de expressão - para que possamos amar profundamente, trabalhar significativamente e também sermos sensuais e criativas.

Somos impulsionadas como mulheres da atualidade a questionar sobre o nosso papel no mundo e a responsabilizar-nos por cada aspecto de nós, vivido ou negligenciado.

Os deuses olímpicos tinham muitos atributos humanos: o comportamento, as reações emocionais e nos parecem familiares porque são arquetípicos, isto é, representam modelos de ser que reconhecemos e compartilhamos.

Esses poderosos padrões internos, ou arquetípicos, são responsáveis pelas diferenças entre as mulheres que nem sempre estão conscientes das poderosas forças que atuam no seu íntimo. O conhecimento das deusas proporcionam informações que são úteis não só às mulheres, mas também aos homens na compreensão das afinidades e dificuldades que se fazem presente nas suas relações.

Bolen Shinoda, em seu estudo das deusas gregas que mais influenciam as mulheres, selecionou sete e as distribuiu em três categorias: as deusas virgens, as deusas vulneráveis e as deusas alquímicas.

As deusas virgens representam a qualidade de independência e auto-suficiência das mulheres. São elas: Ártemis, Atenas e Héstia. Os apelos emocionais não as desviam daquilo que consideram importante. Ártemis e Atenas representam meta direcionada e pensamento lógico. Héstia é o arquétipo que enfatiza a atenção interior para o centro espiritual da personalidade da mulher.

Essas três deusas desenvolveram uma "percepção enfocada", isto é, a habilidade de concentrar a atenção naquilo que lhes importava. A capacidade de enfoque consciente leva à realização naquilo que se propõe o fazer. No caso deste enfoque ser interior, em direção a um centro espiritual, a mulher pode, à semelhança de Héstia, meditar por longos períodos sem se perturbar com o mundo que a cerca.

As três deusas vulneráveis são: Hera, deusa do casamento, do compromisso e esposa; Deméter, deusa mãe; Perséfone ou Coré, permite à mulher parecer eternamente jovem. Elas representam os papéis tradicionais das mulheres - esposa, mãe e filha: são deusas orientadas para o relacionamento e suas recompensas: casar (Hera), alimentar (Deméter), ser dependente (Perséfone).

A qualidade de consciência é o da "percepção difusa". Essa espécie de consciência, também chamada receptiva, pode levar à abrangência de uma situação. É a atitude que leva uma mãe a ouvir o choro de uma criança em meio a todos os rumores. O arquétipo de Hera proporciona capacidade de estabelecer vínculos profundos de ser leal e fiel, de suportar e passar pelas dificuldades exigidas no casamento.

A mulher tipo Deméter é principalmente maternal, nutridora, prestativa e doadora. É descrita como tendo os "pés no chão", entusiasmo e espírito prático.

Perséfone ou Coré representa a garota jovem que ainda está inconsciente de seus desejos e forças, pois ainda não sabe em o que é.

Na terceira categoria, temos a deusa alquímica Afrodite, deusa do amor, da beleza, da criatividade. Através dela há grande força para a mudança que fluem com atração, união, fertilização e paixão que dão vida.

Todas as deusas encerram qualidades positivas e negativas, e nossa tarefa constante é crescer além das limitações de cada um. Ora conciliando vários aspectos de diferentes deusas, ora priorizando uma.

Se tivermos vivenciado o arquétipo feminino positivo através de nossa mãe ou de uma figura maternal, isso significa que estivemos no reino materno da imaginação, do amor incondicional, da eternidade e fidelidade aos instintos e à natureza benevolente do feminino.

Autora : Adélia Souza Sanches é Psicóloga clínica, Psicoterapeuta junguiana (especialização Sedes), Sistêmica (pós-graduação PUC/SP); especializada em sonhos, mitos, símbolos e histórias.
Extraído do Site : www.mentehumana.com.br/adelia


A vida psicológica pode ser considerada como a polarização e tensão contínuas de diferentes tendências e funções, e também como um esforço constante, consciente ou não, para estabelecer o equilíbrio.

Roberto Assagioli

Bibliografia :
Elementos da Psicossíntese
Parfitt, Will
Ediouro
1994
Pág. 34

Ao se aceitar o prazer sem suplicar por ele e sem se tornar dependente,e ao se aceitar o sofrimento, quando inevitável, sem temê-lo e sem se rebelar contra ele, consegue-se aprender muito mais tanto com o prazer como com o sofrimento, e torna-se possível "destilar a essência" que ele contêm.
Roberto Assagioli
Bibliografia :
Elementos da Psicossíntese
Parfitt, Will
Ediouro
1994
Pág. 90

Conhecimento, compreensão e o uso sábio de elementos contrastantes são princípios fundamentais, não só na pintura e na música, mas também na arte da vida. Cada um de nós pode e deve modelar, do material vivo de sua personalidade, seja prata, mármore ou ouro, um objeto de beleza que possa adequadamente manifestar seu Eu Transpessoal.
Bibliografia :
Os 7 Tipos Humanos
Assagioli, Roberto
Totalidade Editora
1997
Pág. 16

As origens remotas da Psicologia Transpessoal
Os pergaminhos do Mar Morto, descobertos em 1945, lançaram luz sobre o conhecimento dos Essênios, como viviam, seus valores, suas imensas contribuições para nossas tradições espirituais. Eles eram conhecidos por suas habilidades em curar e em viver vidas harmoniosas em suas comunidades, numa época em que prevaleciam a guerra e a luta. Pesquisavam diariamente as escrituras e mantinham as leis, reunidas em seu Código, as quais lhes ensinavam como se relacionar com a vida, com todas as pessoas e com a Fonte - Deus.

Os essênios expressavam um conhecimento excepcional da Psicologia, em sua prática de comunhão com forças naturais e cósmicas. Eles compreendiam tanto o subconsciente quanto a mente consciente e tinham bastante conhecimento do poder de cada um ...

Os essênios acreditavam que o Universo é regido por leis definitivas e irrefutáveis - elas regem planta, animais, pessoas, comunidades - e que essas leis estão disponíveis para aqueles que se disciplinam para ouvi-las e segui-las. Eles acreditavam que as leis da natureza não podem ser mudadas e que a interferência, nessas leis, com certeza resultaria em desarmonia, ruptura e negatividade.

Chamavam a lei natural que governa a mente humana de Leis das Atitudes. De modo simplificado, a Lei diz que se deve expressar amor incondicional com relação ao eu, aos outros e à Fonte de Vida - com toda a mente, em toda ação e pensamento.

Bibliografia :
Amor Incondicional e Perdão
Stauffer, Edith R.
Totalidade Editora
2o Edição
1997
Pág. 18 e 19

Pensamento de Carl G. Jung :
O encontro de duas personalidades é como o contato de duas substâncias químicas : se há alguma reação, ambas são transformadas.

Psicologia : Objeto de Estudo e Áreas de Atuação

A Psicologia é ciência que gera uma prática profissional. Enquanto ciência tem por objetivo explicar como o ser humano pode conhecer e interpretar a si mesmo e como pode interpretar e conhecer o mundo em que vive ( aí incluídas a interação dos indivíduos entre si, a interação com a natureza, com os objetos e com os sistemas sociais, econômicos e políticos dos quais façam parte). Enquanto prática profissional, a psicologia coloca o conhecimento por ela acumulado a serviço de indivíduos e instituições.

É uma ciência que tem como objeto de estudo os seres vivos que estabelecem trocas simbólicas com o meio ambiente. Está relacionada às ciências humanas (filosofia, teoria do conhecimento) e biológicas (biologia, neurofisiologia, psicofarmacologia) e apresenta elementos comuns às ciências sociais (sociologia, antropologia) e exatas (ergonomia, psicofísica).

Decorre daí a diversidade das abordagens e áreas de estudo na psicologia, bem como o grau de interdisciplinariedade e convergência dos seus temas. As pesquisas no Instituto de Psicologia abrangem desde o nível molecular, na psicofarmacologia, ou biofísico, na psicofisiologia, ao epistemológico, na epistemologia genética, ao subjetivo, na interpretação dos sonhos e motivações inconscientes, mantendo-se como fio condutor o interesse pelo comportamento e pela experiência do indivíduo.

O bacharel em Psicologia pode atuar em atividades de pesquisa e magistério superior, necessitando, para tanto, realizar estudos de pós-graduação. O licenciado dedica-se ao ensino de nível médio.

A área de atuação do psicólogo estende-se a hospitais, ambulatórios, centros e postos de saúde, consultórios, creches, escolas, associações comunitárias, empresas, sindicatos, fundações, juizados de menores e da família, penitenciárias, associações profissionais e esportivas, clínicas especializadas, núcleos rurais e comunitários etc.

Os quatro Departamentos (Psicologia da Aprendizagem, do Desenvolvimento e da Personalidade; Psicologia Clínica; Psicologia Experimental e Psicologia Social do Trabalho) deste Instituto expressam essa diversidade e aquela convergência e buscam, de vários modos, a explicação do sujeito psicológico.

Extraído do Site do Instituto de Psicologia da USP ( www.usp.br/ip )

Psico-Oncologia
Entrevista - Elisa P. Campos - A Força da Mente contra o Câncer - Professora do Departamenteo de Psicologia Clínica da USP, Elisa Campos desenvolve no Brasil um trabalho de psico-oncologia, que visa dar ao paciente de câncer e à sua família subsídios para enfrentar e até vencer a doença. Por fatima afonso e Eduardo Araia.

Planeta - Antes de mais nada, nós gostaríamos que a senhora definisse o que é psico-oncologia e que técnicas ela utiliza para atingir os seus objetivos.

Elisa - Definir psico-oncologia é falar um pouco do trabalho psicológico de atendimento a pacientes de câncer, que se desenvolve há muitos tempo em termos de mundo. A primeira pessoa que eu tenho conhecimento que começou a publicar trabalhos nessa área foi Lawrence LeShan, o qual tem vários livros editados no Brasil pela Editora Summus. LeShan começou a fazer um trabalho com pacientes de câncer e descobriu que a sobrevida daquelas pessoas trabalhadas psicologicamente era maior e diferente. Ele desenvolveu as primeiras pesquisas nessa área utilizando teste psicólogicos, entrevistas, histórias de vida. Criou inclusive o que depois denominou padrões de personalidade da pessoa que tem câncer. Esses padrões dizem basicamente que a pessoa que tem câncer é do tipo boazinha, que deixa todo mundo passar na frente, que nunca reage, especialmente nunca expressa raiva. Embora essas pesquisas de LeShan tenham acontecido alguma década atrás, com o avanço da psiconeuroimunologia, sabemos hoje que isso é real. Uma pessoa que tem raiva ou esta deprimida acaba lançando um tipo de neurotransmissor no organismo que pode ocasionar uma série de doenças, à medida que deprime o sistema imunológico.
Você pergunta que técnicas a psico-oncologia usa para atingir seus objetivos. Eu diria que a psico-oncologia é uma visão do câncer, do homem e uma interface entre a medicina e a psicologia. Nessa medida, as técnicas de psico-oncologia não existem como tais, mas são todas as maneiras que os psicólogos utilizam para trabalhar com seus pacientes: entrevistas, desenhos, etc. Os americanos criaram programas específicos para trabalhar com pacientes de câncer e o exio nessas abordagens é aquilo que agente chama de visualização. O grupo de psico-oncologia a que eu pertenço utiliza uma técnica do Milton Erickson - é um tipo de visualização também, mas no início você faz um relaxamento, depois começa a fazer um trabalho com imagens. Já está provado, por exemplo, que, visualizando alterações fisiológicas, você consegue fazer com que elas aconteçam. Já sabemos de pacientes cardíacos que podem alterar a própria pressão através do autocontrole, da auto-sugestão. Numa visualização, o paciente é convidado, por exemplo, a imaginar as células cancerosas sendo atacadas pelas células saudáveis, pelos glóbulos brancos. Tenho um paciente que realmente conseguiu aumentar o número de células do sistema imunológico a partir da visualização.
...

Serviço
...
Cora: Rua Madalena, 99, Vila Madalena, São Paulo, SP, Fone (011)3813-3340

O que há para se ler

Albert Kreinheder, Conversando com a Doença;

Bernie Sigel, Paz, Amor e cura;

Carl Simontom, Stephanie Matthews-Simontom e James L. Creighton, Com a vida de Novo;

Jeanne Achterberg, A Imaginação e a cura;

Lawrence LeShan, Brigando pela vida e O Câncer como ponto de mutação;

Maria Margarida M. J. de Carvalho(org.), Psico-oncologia no Brasil - Resgatando o viver;

Rachel Naomi Remem, O Paciente como ser humano e Histórias que curam,

todos da Summus Editorial

Veja também : http://sites.uol.com.br/chronos_usp

Bibliografia :
Revista Planeta - Edição 310 - Ano 26 - No 7 - Julho 98
Editora Três
Pág. 18, 19 e 23

Pensamento de Virginia Satir :
Gostaria que todos pudéssemos viver da maneira mais plena possível.

A única coisa que realmente me deixa péssima é ver pessoas que não viveram sua autencidade.

Essas pessoas viveram com todos os seus deveres e obrigações, e culpas e desculpas e tudo o mais.

Então eu penso: "Que pena!"

Exercício: O Valor da Vontade
Relaxe. Interiorize-se, busque o seu centro. Pense nas ocasiões em que perdeu uma oportunidade, nos momentos em que provocou seu próprio sofrimento ou que magoou outras pessoas devido à sua falta de determinação, de propósito, devido à sua incapacidade de fazer escolhas bem-definidas, ou mesmo por não conseguir assumi-las e realizá-las.

Recrie essas situações na sua tela mental. Reviva os acontecimentos, deixe os sentimentos associados a cada um desses fatos ressurgirem. Agora, faça uma lista, relacione todos os acontecimentos de que conseguiu se lembrar. Reafirme para si mesmo seu desejo de mudar, de fortalecer a sua vontade.

Reflita sobre todas as oportunidades e benefícios que você teria adquirido, no bem que você poderia ter proporcionado a outras pessoas, se a sua vontade tivesse atuado com maior intensidade. Pense claramente nas vantagens que poderiam ter sido obtidas, escreva-as. Deixe os sentimentos associados às possíveis vantagens emergirem. Sinta a satisfação que essas oportunidades poderiam ter lhe proporcionado, a satisfação que você obteria se tivesse mais força de vontade. Procure sentir realmente o seu desejo de se tornar mais forte, mais determinado.

Finalmente, procure se retratar como alguém que possui uma enorme força de vontade. Imagine-se atuando em cada uma dessas situações, tomando decisões firmes, sua intenção bem-definida, completamente consciente. Visualize-se andando, conversando; veja-se de uma forma que exiba sua forte ligação com a sua vontade. Você é forte, perspicaz, firme e determinando. E, mesmo assim, continua sendo gentil, consegue agir com critério e habilidade.

Observe que essa técnica pode ser empregada para fortalecer sua vontade sempre que você achar necessário.

Bibliografia :
Elementos da Psicossíntese
Parfitt, Will
Ediouro
1990
Pág. 48

O que é a Psicossíntese
A psicossíntese é um método de desenvolvimento psicológico e auto-realização para aqueles que se recusam a permanecer escravos dos seus próprios fantasmas interiores ou das influências externas, que não se deixam submeter passivamente à atuação das pressões psicológicas que se carregam dentro de si, e que estão determinados a se tornarem os mestres de sua própria vida.
Roberto Assagioli

O Caminho da Individuação
Individuação significa tornar-se um ser único, na medida em que por "individualidade" entendermos nossa singularidade mais íntima, última e incomparável, significando também que nos tornanos o nosso próprio si-mesmo.

Podemos pois traduzir "individuação" como "tornar-se si-mesmo" (Verselbstung) ou "o realizar-se do si-mesmo" (Selbstverwirklichung)...

O Egoísta ("salbstisch") nada tem a ver com o conceito de si-mesmo, tal como aqui o usamos.

Por outro lado, a realização do si-mesmo parece ser o contrário do despojamento do si-mesmo.

Este mal-entendido é geral, uma vez que não se distingue corretamente individualismo de individuação.

Individualismo significa acentuar e dar ênfase deliberada a supostas peculiaridades individuais, em oposição a considerações e obrigações coletivas.

A individuação, no entanto, significa precisamente a realização melhor e mais completa das qualidades coletivas do ser humano; é a consideração adequada e não o esquecimento das peculiaridades individuais, o fator determinante de um melhor rendimento social...

A individuação, portanto, só pode significar um processo de desenvolvimento psicológico que faculte a realização das qualidades individuais dadas; em outras palavras, é um processo mediante o qual um homem se torna o ser único de que de fato é.

Bibliografia :
O Eu e o Inconsciente
Jung, C. G.
Editora Vozes
14o Edição
Pág. 49 e 50

Jung e os Sonhos I
A função usual dos sonhos é a de procurar restaurar o nosso equilíbrio psicológico de modo a produzir um material onírico que restabelece ... o equilíbrio psíquico total.
Bibliografia :
O Homem e Seus Símbolos
Doubleday
1964
Pág. 50

Jung e a Intuição III
A intuição, tal como a sensação, é uma experiência dada imediatamente e não produzida como resultado do pensamento ou do sentimento.
...
A intuição é por vezes denominada sexto sentido ou percepção extra-sensorial.
Bibliografia :
Introdução à Psicologia Junguiana
Hall, Calvin S. e Nordby, Vernon J.
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 87

Exercício de Desidentificação e Auto-Identificação
Eu tenho um corpo, mas eu não sou o meu corpo.
Eu tenho emoções, mas eu não sou as minhas emoções.
Eu tenho uma mente, mas eu não sou a minha mente.

Que sou eu, então ? Depois de eu me ter desidentificado do meu corpo, de minhas sensações, de meus sentimentos, de meus desejos, de minha inteligência, de minhas ações, o que é que resta ? Resta a essência do "eu" - um centro de pura consciência. É este o fator permanente no sempre variável fluxo da minha vida pessoal. Isso é o que me dá o senso de ser, o senso da permanência, do equilíbrio interior. Afirmo minha identidade com este centro, e compreendo a sua permanência e energia.

Reconheço e afirmo que sou um centro de pura autoconsciência e de energia criativa e dinâmica. Compreendo que a partir deste centro de real identidade, posso aprender a observar, a dirigir e a harmonizar todos os processos psicológicos e o corpo físico. Quero ter consciência constante deste fato, em meio à minha vida cotidiana, e empregá-la para me ajudar a dar um significado sempre crescente e uma direção à minha vida.

Bibliografia:
O Ato da Vontade
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 173

Assagioli escreveu :
A meditação pode ser criativa pois ela é "ação interior".
À vezes faz-se um contraste entre a meditação e a ação, pórem isto é errado.
O domínio e a aplicação das energias espirituais e psicológicas são ações, pois exigem vontade, treinamento e o desenvolvimento de técnicas apropriadas; e acima de tudo, porque elas são eficientes - elas produzem resultados.
Bibliografia:
"Meditation"
Assagioli, Dr. Roberto
San Francisco, California: Psychosynthesis Institute
1973

Experiências Individuais
"Cada indivíduo mescla com as experiências individuais originais, uma série de estrutura pessoais inexatas as quais está fortemente apegado tanto mental como emocionalmente. Aqui está a causa da origem das confusões, os falsos conceitos e as dúvidas diante a realidade."
Bibliografia:
Ser Transpessoal
Assagioli, Dr. Roberto
Gaia Ediciones

( R. Assagioli: Venenos e remédios psicológicos.)
"Nós somos como uma câmera cinematográfica que funciona ininterruptamente, de modo que, a todo momento, um novo trecho de filme virgem é impressionado por imagens que se encontram à frente da objetiva. E as impressões assim formadas não são inertes; elas operam em nós, são forças vivas que estimulam e provocam outras forças interiores e que tendem a produzir os estados de espírito, os estados físicos e os atos exteriores que lhe correspondem."
Bibliografia:
O Eu e o Inconsciente
Batà, Angela Maria La Sala
Editora Pensamento
São Paulo
Pág. : 80

Pensamento de Perls :
Prefiro trabalhar especialmente com sonhos. Eu creio que, em sonhos, nós recebemos uma clara mensagem existencial do que está faltando na nossa vida, o que evitamos fazer e viver; e nós temos material de sobra para reassimilar e recuperar as partes alienadas de nós mesmos.
Bibliografia:
Gestalt Terapia Explicada
Perls, Frederick S.
Summus Editorial
São Paulo
1976
Pág. 109 e 110

Leis do Inconsciente
I - Lei da atenção concentrada :
"A idéia que tende a realizar-se no subconsciente é sempre uma idéia sobre a qual a atenção espontânea se concentrou."

II - Lei da emoção auxiliar :
"Quando, por uma razão ou outra, uma idéia é envolvida por uma poderosa emoção, a realização dessa idéia tem maior probabilidade de sucesso."

III - Lei do esforço convertido :
"Quando uma idéia se impõe à mente a ponto de provocar o surgimento de uma 'sugestão' ao inconsciente, todos os esforços conscientes que o sujeito faz para combater essa sugestão não só não tem efeito, como tendem a intensificar a própria sugestão."

IV - Lei da finalidade subconsciente :
"Quando o fim é sugerido ao inconsciente ele encontra os meios para realizá-lo sozinho."

Bibliografia:
O Eu e o Inconsciente
Batà, Angela Maria L. S.
Editora Pensamento
São Paulo
Pág. 84 e 85

Método das sugestões ao inconsciente
I - Primeira fase.
Alcançar um certo relaxamento físico, colocando-se numa posição cômoda que permita a todos os músculos, articulações e nervos de nosso corpo se distenderem, se soltarem, se relaxarem completamente.

II - Segunda fase.
Procurar preencher a nossa natureza emocional com um estado de confiança, de abandono, de calma espera. A confiança é extremamente importante para produzir uma condição de abertura e de receptividade, enquanto um estado de dúvida, de ceticismo ou de ansiedade produziria o efeito contrário.

III - Terceira fase.
Formular uma frase que exprima da maneira mais clara, concisa e simples a idéia que veremos que o nosso inconsciente realize e, em seguida, pronunciá-la de forma audível, em voz baixa, lenta, docemente, mas com firmeza, imaginando "entregá-la" ao nosso subconsciente. ... aconselha-se a repetir umas três ... vezes a frase que se deseja ver realizada, sempre lenta e docemente.

IV - Quarta fase.
Não prestar mais atenção e deixar que o inconsciente aja sem ser perturbado.

Para não mais prestar atenção e esquecer, pelo menos durante um certo período de tempo, a idéia sugerida, aconselha-se a prática deste exercício à noite, antes de adormecer, para possibilitar às forças inconscientes agirem sem ser perturbadas enquanto dormimos.

... podemos perguntar tudo ao nosso inconsciente, desde a solução de problemas práticos até a ajuda para o desenvolvimento de qualidades que nos faltam; desde a colaboração em trabalhos intelectuais e criativos até a inspiração necessária às decisões importantes a serem tomadas ...

Bibliografia:
O Eu e o Inconsciente
Batà, Angela Maria L. S.
Editora Pensamento
São Paulo
Pág. 87 e 88

Medo
Eis outro veneno largamento difundido. Além dos medos e angústias pessoais, invadem-nos a atmosfera psíquica ondas de medos e pânico coletivos. O medo da guerra global e da consequente destruição em larga escala da vida humana suscita uma dessas ondas. Difunde-se também largamente a apreensão a respeito das crises econômicas, do desemprego, das epidemias, da violência civil, e assim por diante.

Também neste caso, a primeira e a mais urgente coisa a fazer é evitar a exacerbação e a alimentação de tais medos, por meio de profecias infundadas de catástrofes, e voltar a atenção firme e propositadamente para áreas positivas e construtivas.

Só na medida em que nos libertarmos do esmagador ritmo do pânico coletivo no tocante a todos esses assuntos fatais é que nos tornaremos realmente aptos a fazer algo nesse sentido. Assim, paradoxalmente, a pessoa que se preocupar profunda e sinceramente com a melhoria das condições econômicas, com o fim das guerras e com assuntos semelhantes, será tanto mais eficaz quanto menos se abrir - mesmo em nome da compaixão - a todas essas influências, e quanto mais for capaz de, com calma e concentração, manter-se atenta a questões específicas, de modo que possa ver claramente o que é preciso fazer.

Bibliografia:
O Ato da Vontade
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 59 e 60

Agressão e Violência
A agressão e a violência, hoje tão disseminadas, são por demais evidentes para que seja preciso chamar a atenção para elas. O primeiro passo no sentido de lhes dar remédio é deixar de intensificá-las focalizando, sem necessidade, a atenção e o interesse sobre elas.

Ainda assim os jornais, revistas e programas de televisão competem para apresentar relatos vívidos e dramáticos de acontecimentos e cenas de agressão e violência.

Toda essa ênfase só serve para intensificar a agressividade, mediante a intervenção do que foi chamado de "o poder de alimentação da atenção". Seria, pois, medida elementar de higiene psicológica, de proteção à saúde mental, evitar ou pelo menos limitar grandemente a exposição a esses relatos sensacionalistas e às ilustrações do mesmo tipo.

Isto não significa fechar os olhos à agressão e à violência, ou ignorar a sua existência. Uma coisa é lidar com informações objetivas sobre essa situações com um objetivo útil, e outra, muito diferente, é submeter-se desnecessária e indiscriminadamente a uma enxurrada de descrições e quadros sensacionalistas.

Bibliografia:
O Ato da Vontade
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 59

Vocação
Jung :

Em última análise, o que induz uma pessoa a escolher seu próprio caminho e elevar-se acima da identidade com as suas massas inconscientes, como quem emerge de uma nuvem de neblina ...

É o que se chama "Vocação" ...

Quem tem vocação ouve uma voz interior; ele é chamado ...

Caso histórico é o daimon de Sócrates ...

Ter vocação significa, num sentido original, ouvir uma voz que nos é dirigida.

Os mais claros exemplos deste fato podem encontrar-se nas Confissões dos Profetas do Antigo Testamento ...

Ora, vocação, ou o sentimento da vocação, não é decerto uma prerrogativa de grandes personalidades, mas pertence também às pequenas ...

Bibliografia:
O Ato da Vontade
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 94

Técnica de Substituição

Muitas pessoas já passaram, numa ou noutra ocasião, pela experiência de ter a atenção captada por algum pensamento, verso ou melodia, durante longo espaço de tempo, às vezes horas, a despeito dos esforços feitos para ser livre deles. Nas suas formas externas, essa experiência pode tornar-se até patológica. Se, na tentativa de não pensar em determinada coisa, nos concentrarmos intensamente em "não pensar nessa coisa", ela tenderá perversamente a tornar-se ainda mais dominante e viva em nossa consciência. Não obstante, se escolhermos outro assunto qualquer e dirigirmos para ele a nossa atenção, veremos que o pensamento indesejado se tornará gradualmente mais periférico e tênue para, afinal, desaparecer por completo.

Bibliografia:
O Ato da Vontade
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 56

Forças internas e externas do homem

Se um homem de uma civilização anterior à nossa - um grego da Antiguídade, digamos, um romano - aparecesse de súbito entre os seres humanos do presente, suas primeiras impressões o levariam a considerá-los uma raça de mágicos, de semideuses. Mas fosse um Platão ou um Marco Aurélio e se recusasse a ficar deslumbrado ante as maravilhas materiais criadas pela tecnologia avançada e examinasse a condição humana com mais cuidado, suas primeiras impressões dariam lugar a uma grande consternação.

Notaria logo que o homem, não obstante o imponente grau de domínio sobre a natureza, possui um controle muito limitado sobre o seu interior. Perceberia que esse mágico moderno, capaz de descer ao fundo do oceano e de projetar-se até a lua, é, em larga medida, ignorante do que se passa nas profundezas do próprio inconsciente e incapaz de se elevar aos luminosos níveis da supraconsciência, tornando-se cônscio de seu próprio self. Verificar-se-ia que esse pretenso semideus que controla grandes forças elétricas com o mover de um dedo e inunda o ar de sons e imagens para divertimento de milhões de pessoas - é incapaz de lidar com as próprias emoções, impulsos e desejos.

Bibliografia:
O Ato da Vontade
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Pág. 7

Uma técnica apresentada por William James para treinar a vontade
Mantenha a faculdade do esforço viva em si por um pequeno exercício gratuito cotidiano. Quer dizer, seja sistematicamente heróico em pequenos pontos desnecessários; faça todos os dias alguma coisa, sem nenhuma outra razão a não ser a sua dificuldade, de modo que, quando se aproximar a hora da necessidade avassaladora, não o encontre acovardado e destreinado para enfrentar o teste.

O ascetismo desse tipo é como o seguro que um homem paga por sua casa e seus bens. O prêmio não lhe traz vantagem alguma de momento e, possivelmente, nunca terá reembolso. Mas, se ocorrer um incêndio, estando o prêmio pago, ele será a sua salvação da ruína.

O mesmo acontece com o homem que se afez a hábitos de atenção concentrada, volição enérgetica e desprendimento em coisas desnecessárias. Ele resistirá como uma torre quando tudo treme à sua volta, e seus semelhantes mais brandos são varridos como farelo num pé-de-vento.

Bibliografia:
Talks to Teachers
James, William
Henry Holt
New York
1912
Pág. 75 e 76

Um princípio psicológico fundamental - (Psicossíntese)

Somos dominados por tudo aquilo com que o nosso eu se identificou.
Podemos dominar e controlar tudo aquilo de que nos desidentificamos.

Neste princípio reside o segredo de nossa escravização ou de nossa liberdade. Sempre que nos "identificamos" com uma fraqueza, um defeito, um medo ou qualquer emoção ou impulso pessoal, limitamo-nos e paralisamo-nos. Toda a vez que admitimos "Estou desencorajado" ou "Estou irritado", ficamos mais e mais dominados por depressão ou ira. Aceitamos essas limitações; colocamos em nós mesmos os nossos grilhões. Se, pelo contrário, na mesma situação, dizemos, "Uma onda de desencorajamento está tentando submergir-me" ou "Um impulso de cólera está tentando subjugar-me", a situação é muito diferente. Temos então duas forças que se defrontam; de um lado o nosso eu vigilante e do outro o desânimo ou a ira. E o eu vigilante não se submete a essa invasão; ele pode, objetiva e criticamente, examinar esses impulsos de desânimo ou ira; pode averiguar a origem deles, prever seus efeitos deletérios e perceber até que ponto são infundados. Isto é muitas vezes suficiente para sustar um ataque de tais forças e vencer a batalha.

Mas, mesmo quando essas forças em nosso íntimo são temporariamente mais fortes, quando a personalidade consciente é, no começo, sobrepujada pela violência delas, o eu vigilante nunca é realmente conquistado. Ele pode retirar-se para um reduto interior e aí preparar-se e aguardar o momento favorável ao contra-ataque. Ele pode perder algumas batalhas mas, se não se render, o resultado final não está comprometido e a vitória será obtida no fim.

Bibliografia:
Psicossíntese: Manual de Princípios e Técnica
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Página 36

A oração da Gestalt-terapia
Eu faço minhas coisas, você faz as suas

Não estou neste mundo para viver de acordo com suas expectativas

E você não está neste mundo para viver de acordo com as minhas.

Você é você, e eu sou eu

E se por acaso nos encontramos, é lindo

Se não, nada há a fazer.

Bibliografia:
Gestalt Terapia Explicada
Perls, Frederick S.
Summus Editorial
São Paulo
1976
Pag. 13-17

Pensamento de Jung :
"... a finalidade única da existência humana é a de acender uma luz na escuridão do ser."

Dr. Joseph Murphy em seu livro "O Poder do Subconsciente" disse :
William james, o pai da psicologia americana, disse que a maior descoberta do século XIX não era no reino da ciência física. A maior descoberta, afirmou, era a força do subconsciente sustentada pela fé. Em cada ser humano existe esse reservatório ilimitado de força, capaz de superar qualquer problema do mundo.

A felicidade verdadeira e duradoura chegará a sua vida no dia em que conseguir compreender claramente que pode superar qualquer fraqueza - isto é, no dia em que compreender que o seu subconsciente pode resolver todos os seus problemas, curar seu corpo e fazer com que prospere além do que imaginava em seus sonhos mais otimistas.

Vou descrever agora um processo e uma técnica que ensino há muitos anos. ... Tente-a !

Suponha que você tem medo da água, de montanhas, de uma entrevista, do público ou de lugares fechados. Se você tem medo de nadar, comece agora a sentar-se tranquilamente durante uns cinco a dez minutos, três a quatro vezes por dia, e imagine que está nadando. É uma experiência subjetiva. Mentalmente você se está projetando como se estivesse dentro da água. Você sente a friagem da água e o movimento dos seus braços e pernas. É tudo tão real e vívido, constituindo uma alegre atividade da mente. Não é um devaneio inútil, pois você sabe que está experimentando em sua imaginação o que depois se desenvolverá em sua mente consciente. Você será compelido a expressar a imagem e representação do quadro que imprimiu em sua mente mais profunda. Essa é a lei do subconsciente. Você pode aplicar a mesma técnica se tem medo de montanhas ou de lugares altos. Imagine que está escalando uma montanha, sinta a realidade desse ato, aprecie o cenário, sabendo que, fazendo-o mentalmente, o fará depois fisicamente com facilidade e segurança.

Bibliografia:

O Poder do Subconsciente
Murphy, Dr. Joseph
Editora Record
32a Edição
pág. 185, 237 e 238

Jung e a Intuição II
A intuição decorre de um processo inconsciente, dado que o seu resultado é uma idéia súbita, a irrupção de um conteúdo inconsciente na consciência. A intuição é, portanto, um processo de percepção, mas, ao contrário da atividade consciente dos sentidos e da introspecção, é uma percepção inconsciente.

Mas, na realidade, a intuição é um fator dos mais naturais, dos mais normais e necessários, pois nos coloca em contacto com o que não podemos perceber, pensar ou sentir, devido a uma falta de manisfestação concreta.

Vejamos: o passado já não existe e a realidade do futuro não é tão manifesta quanto o possamos imaginar; aí está por que devemos agradecer aos deuses pela existência de uma função que esclarece um pouco sobre as coisas que se escondem ...

Médicos, frequentemente surpreendidos por situações imprevistas e sem antecedentes, têm que contar com o auxílio desta função cheia de mistérios, sobre a qual repousa um grande número de diagnoses perfeitas.

Bibliografia:

Fundamentos de Psicologia Analítica
Jung, C. G.
Editora Vozes
1988
Pág. 11 e 12

A natureza da Psique
Jung, C. G.
Editora Vozes
1991
Pág. 68

Pensamento de Virginia Satir :
"Tento ajudar as pessoas (...) a experimentar a conexão com a sua espiritualidade, levando-as a entrar em contato com a sua ternura e com a sua força. Para tanto (...) precisamos entender que nascemos para evoluir. (...) É um crescimento - e não há por que ter medo. Já ouvimos essa mensagem antes. É sobre isto que falavam Jesus, Buda e tantos outros. Mas, no passado, a maioria das pessoas (...) dizia: "Eles estão acima de nós, eles são divinos (...) somos apenas humanos, portanto não podemos estabelecer a mesma conexão." Mas agora, começamos a perceber que podemos.

James e a Confiança
Suponha, por exemplo, que você esteja escalando uma montanha e colocou-se numa posição da qual a única saída é um terrível salto. Tenha fé de que você pode fazê-lo com sucesso e seus pés serão enervados para esta façanha. mas desconfie de si mesmo e pense em todas as doce coisas que você ouviu os cientistas dizerem sobre os talvez e você hesitará por tanto tempo que, ao final, totalmente nervoso e trêmulo ao se lançar num momento de desespero, você rolará no abismo. Em tal caso (e ele pertence a uma enorme classe), a questão de sabedoria, assim como a de coragem, é acreditar no que está na linha de suas necessidades, pois só com esta fé a necessidade será preenchida. Recuse-se a acreditar e você poderá de fato estar certo, pois poderá irrecuperavelmente perecer. Mas acredite, e novamente você talvez esteja certo, pois poderá salvar-se. Você torna um ou outro dos universos possíveis verdadeiro por sua confiança ou desconfiança.
Bibliografia:
The Will to Believe and Other Essays in Popular Philosophy
James, William
Longmans, Green and Company
New York e London
1896
Pág. 59

Palavras de William James
É muito importante que os professores compreendam a importância do hábito e a Psicologia pode ajudar-nos muito neste ponto. Falamos, é verdade, de bons e maus hábitos; mas, quando as pessoas usam a palavra "hábito", na maioria das vezes têm em mente um mau hábito. falam do hábito de fumar e do hábito de praguejar e de beber, mas não do hábito de abstenção ou do hábito da moderação ou da coragem. Mas os fato é que nossas virtudes são hábitos, assim como nossos vícios. Toda nossa vida, na medida em que tem uma forma definida, não é nada mais que um conjunto de hábitos - práticos, emocionais e intelectuais - sistematicamente organizados para o nosso prazer ou pesar, que nos levam de forma irresistível em direção a nosso destino, seja este qual for.
Bibliografia:
Talks to Teachers on Psychology and to Students on Some of Life's Ideas
James, William
Dover
New York
1962
Pág. 33

Palavras de Jung
Tudo o que nos acontece,

corretamemte compreendido,

leva-nos de volta a nós mesmos;

é como se houvesse um guia inconsciente cujo propósito é livrar-nos de tudo isto,

fazendo-nos depender de nós mesmos.

Palavras de Roberto Assagioli - Fundador da Psicossíntese
"A personalidade do indivíduo é como uma orquestra. Cada parte dela, chamada de sub-personalidade, é um músico e o EU é o maestro. Não se pode eliminar um músico, mas fazer com que todos atuem em harmonia. O maestro determina quem vai tocar e a que horas. O compositor é o lado transpessoal do indivíduo, o que cria. O importante é a ligação harmoniosa entre todos para a boa execução da sinfonia. A Psicossíntese não é mais uma teoria criada, mas um processo natural de desenvolvimento humano. É o princípio da síntese que há no Universo aplicado à psicologia."

Palavras de William James
"A mente engendra a verdade sobre a realidade . . .
Nossa mentes não estão aqui simplesmente para copiar uma realidade que já esta completa. Estão aqui para completá-la, para acrescentar-lhe importância por seu próprio remodelamento, para decantar seus conteúdos, por assim dizer, numa forma mais significativa. De fato, a utilidade da maior parte de nosso pensamento é ajudar-nos a modificar o mundo."
Bibliografia:
The Thought and Character of William James - 2o Vol.
Perry, Ralph Barton
Harvard University Press
1935
Pág. 479

Palavras de Jung
"Ocorre um fato notável na psicoterapia: você não pode decorar nenhuma receita e aplicá-la mais ou menos adequadamente, mas só é capaz de curar a partir de um ponto central; este consiste em compreender o paciente como um todo psicológico e chegar a ele como um ser humano, deixando de lado toda a teoria e ouvindo atentamente o que quer que ele venha a dizer."
Bibliografia:
Letters
Jung, C. G.
Edited by G. Adler
Princeton University Press
1973
Pág. 456

Ouvir e Compreender
Este exercício é de Rogers (1952a). Ele o sugere como uma forma de avaliar a qualidade de sua compreensão em relação aos outros.

Da próxima vez que você tiver uma discussão com sua esposa ou com seu amigo, ou com um pequeno grupo de amigos, simplesmente para de discutir por um momento e, como um experimento, institua esta regra: "Cada pessoa só pode falar por si mesma depois de ter reafirmado com exatidão as idéias da pessoa que falou anteriormente, de forma satisfatória para essa pessoa." Você pode entender o que isto significa. Significa que antes de apresentar seu próprio ponto de vista, será necessário colocar-se realmente no ponto de referência da outra pessoa que falou - compreender seus pensamentos e sentimentos o bastante para ser capaz de resumi-los para ela. Parece simples, não ? Mas se você o tentar, descobrirá que é uma das coisas mais difíceis que você já tentou fazer. Entretanto, desde que você seja capaz de enxergar o ponto de vista do outro, seus próprios comentários terão de ser revistos de modo drástico. Você também descobrirá que a emoção se esvai da discusão, que as diferenças são reduzidas e que aquelas que permanecem são racionais e compreensíveis.

Bibliografia:
Teorias da Personalidade
Fadiman, James
Frager, Robert Editora Harbra
1979
Pág. 254

Jung e a Intuição
A intuição é a função pela qual se antevê o que se passa pelas esquinas, coisa que habitualmente não é possível. Entretanto encontramos pessoas que fazem isso e acabamos acreditando nelas.

É uma função que normalmente fica inativa se vivemos trancados entre quatro paredes, numa vidinha de rotina. Mas se trabalharmos na Bolsa de Valores ou na África Central, então esses "palpites" e "impressões" serão as mais eficazes armas de trabalho.

É impossível prever, por exemplo, se, ao passar por um arbusto, toparemos com um leão ou um tigre - mas podemos ter uma "impressão", e isso é o que, no fim de contas, pode salvar a pele. Através desse exemplo, se vê que as pessoas normalmente expostas a condições normais têm que ser valer constantemente da intuição, assim como aqueles que se arriscam num campo desconhecido e os que são pioneiros em qualquer empreendimento. Inventores bem como juízes são auxiliados por ela.

Sempre que se tiver de lidar com condições para as quais não haverá valores preestabelecidos ou conceitos já firmados, esta função será o único guia.

Tentei descrever tudo na melhor maneira possível, mas pode ser que as coisas não tenham ficado tão claras. O que quero dizer é que a intuição é um tipo de percepção que não passa exatamente pelos sentidos; registra-se ao nível do inconsciente, e é onde abandono toda tentativa de explicação dizendo-lhes: "Não sei como isso se processa". Não sei o que se passa quando um homem se inteira de fatos como ele, em absoluto, não tem meios de conhecer. Não consigo dizer como essas coisas acontecem, entretanto a realidade aí está, e tais fenômenos são comprovados ...

Continuamente, venho presenciando esses fatos, e estou convencido de sua existência. Entre os primitivos, eles ocorrem com frequência, e se prestarmos atenção, registraremos em todo lugar percepções que, de certa forma, trabalham através de dados subliminares, como percepções sensoriais tão sutis que escapam à nossa consciência.

Bibliografia:
Fundamentos de Psicologia Analítica
Jung, C. G.
Editora Vozes
1988
Pág. 10 e 11

O caminho da auto-aceitação e da aceitação dos outros
"Ninguem, se queixa da água por ser úmida, nem das rochas por serem duras ...

Como a criança olha para o mundo com uns grandes olhos inocentes e que não criticam, limitando-se simplesmente a observar e a reparar no que se passa, sem raciocinar nem perguntar se poderia ser de outra maneira, assim o indivíduo auto-realizado olha para a natureza humana tanto em si como nos outros."

Bibliografia:
Motivation and Personality
Maslow, A. H.
Harper and Bros.
1954
Pág. 207

Psicossíntese
A Psicossíntese é uma proposta de trabalho de tipo psicológico e educacional que tem por objetivo facilitar tanto o reconhecimento quanto a manifestação do potencial criativo do indivíduo, potencial esse que se acha presente no conflitos e nas crises pessoais.

Na prática, a Psicossíntese assume a concepção da pessoa como um todo que transcende os dualismos indivíduo/sociedade, sujeito/objeto, mente/corpo, espiritualidade/sexualidade, para deslocar-se em direção à experiência consciente do Self, centro unificador do ser. Enfatiza a importância do desenvolvimento e do uso da vontade hierarquizadora e coordenadora da manifestação do indivíduo em seu cotidiano, possibilitando-lhe contatar-se com o significado mais profundo da vida.

A Psicossíntese utiliza grande variedade de métodos, entre os quais se realçam a análise e a integração das subpersonalidades, a identificação/desidentificação, o treinamento da vontade, o desenvolvimento da intuição, a meditação, a imaginação dirigida, além de incorporar a seus recursos as técnicas provinientes da Gestalt, da Bionergética, do Psicodrama etc.

A aplicação de seus princípios e métodos vem sendo feita em vários campos profissionais: na psicoterapia, na educação, na medicina, em política, na ação pastoral, no desenvolvimento organizacional etc. Sua abordagem tem sempre como ponto de referência e experiência do sujeito, buscando-se clarificar, a partir dos sintomas ou indicadores específicos, o padrão emergente - novo -. que surge para ampliar a consciência e as possibilidades de manifestação do ser.

Bibliografia:
Psicossíntese: Manual de Princípios e Técnicas
Assagioli, Dr. Roberto
Editora Cultrix
São Paulo
Contra capa

Teoria Paradoxal da Mudança
"... a mudança pode ocorrer quando o paciente abandona, pelo menos de momento, aquilo em que gostaria de se tornar e tenta ser aquilo que é. A premissa é que a pessoa deve permanecer em seu lugar, a fim de ter um terreno firme para se deslocar, e que é difícil ou impossível qualquer movimento sem essa base sólida."

A teoria da mudança da Gestalt-terapia
As crianças absorvem ( introjetam ) idéias e comportamentos. Isso resulta em moralidade forçada, e não numa moralidade organismicamente compatível. Em decorrência disso, as pessoas frequentemente sentem culpa quando se comportam de acordo com sua vontade, em contraste com seu(s) deveria(s). Algumas investem uma enorme quantidade de energia na manutenção da separação entre seu(s) deveria(s) e suas vontades - cuja resolução exige o reconhecimento de uma moralidade própria, em contraste com uma moralidade introjetada. O(s) deveria(s) sabota(am) tais pessoas, e quanto mais elas procuram ser quem não são tanto mais resistência se organiza e a mudança não ocorre.

Beisser defendeu a teoria de que a mudança não ocorre por meio da "tentativa coercitiva do indivíduo ou de outro de mudá-lo", mas acontece se a pessoa gasta seu tempo e esforço para ser "o que é", para estar integralmente em sua posição atual ( The paradoxal theory of change, 1970 , p. 70 ). Quando o terapeuta rejeita o papel de agente da mudança , mudanças ordenadas e significativas também podem ocorrer.

A noção da Gestalt-terapia é a de que a awareness (abrangendo aceitação, escolha e responsabilidade ) e o contato trazem mudanças naturais e espontâneas. A mudança forçada é uma tentativa de concretizar uma imagem, em vez de concretizar o self. Com awareness, a auto-aceitação e o direito de existir como é, o organismo pode crescer. A intervenção forçada retarda esse processo.

... os Gestalt-terapeutas acreditam que as pessoas tem um impulso natural em direção à saúde. Essa propensão é encontrada na natureza e as pessoas são parte da natureza. A awareness do óbvio, o continuum de awareness, é um instrumento que a pessoa pode usar deliberadamente para canalizar esse impulso espontâneo para a saúde.

(Veja também o artigo Gestalt-Terapia abaixo)

Bibliografia:
Processo, Diálogo e Awareness
Yontef, Gary M.
Summus Editorial
São Paulo
1998
pag. 33, 34

O que é Psicologia ?
Nas palavras de William James, um de seus maiores nomes, é a ciência da vida mental. A psicologia trata do funcionamento da mente, tanto nos seus aspectos normais quanto nas disfunções e distúrbios, ao passo que a psiquiatria lida apenas com os últimos.
...
A psicologia encontra aplicações na indústria, publicidade, educação geral e infantil e, através da psicologia clínica, no diagnóstico e tratamento de doenças psiquiátricas.
Bibliografia: Nova Enciclopédia Ilustrada da Folha, 1996

A vivência do eu potencial
Um dos aspectos do processo terapêutico que se torna evidente em todos os casos pode designar-se como a consciência da experiência ou mesmo como "a vivência da experiência".

Empreguei nesse ponto a expressão "a vivência do eu", embora essa expressão não seja completamente exata. Na segurança da relação com um terapeuta centrado no cliente, na ausência de qualquer ameaça presente ou possível contra o eu, o cliente pode permitir-se examinar diversos aspectos da sua experiência exatamente da mesma maneira que os sente, tal como os apreende através do seu sistema sensorial e visceral, sem os distorcer para adaptá-lo ao conceito existente de eu. Muitos desses aspectos revelam-se em extrema contradição com o conceito de eu e não poderiam normalmente ser experimentados plenamente, mas, nessa relação de confiança, o cliente pode permitir que se manifestem na consciência sem sofrerem uma deformação.

Seguem então muitas vezes o seguinte esquema: "Eu sou isso e aquilo, mas experimento esse sentimento que não tem qualquer relação com aquilo que sou"; "Gosto dos meus pais, mas sinto um surpreendente rancor em relação a eles, de tempos em tempos", "Realmente não valho nada, mas às vezes tenho a impressão de ser melhor que qualquer um". Assim, de início, a expressão é: "Sou um eu que é diferente de uma parte da minha experiência". Mas tarde, isso se transforma num esquema provisório: "Talvez eu seja alguns eus muito diferentes, ou talvez o meu eu encerre mais contradições do que aquelas que eu imaginava". Mas tarde ainda, o esquema é: "Tinha certeza de de que eu não podia ser a minha experiência - era demasiado contraditória - mas agora começo a acreditar que posso ser o todo da minha experiência".
...
Procurei lhes contar o que pareceu ocorrer nas vidas das pessoas com as quais tive o privilégio de compartilhar uma relação à medida que lutavam para se tornarem elas mesmas.
...
Tenho ressaltado que cada indivíduo parece estar fazendo uma pergunta dupla: "Quem sou eu ?" e "Como posso tornar-me eu mesmo ?". Tenho afirmado que num clima psicológico favorável um processo de tornar-se ocorre; que o indivíduo deixa cair as máscaras defensivas com as quais vinha encarando a vida, uma após a outra; que ele vivencia plenamente os aspectos ocultos de si mesmo; que descobre nessas experiências o estranho que vinha vivendo por detrás destas máscaras, o estranho que é ele mesmo.

Tentei exibir o meu quadro dos atributos característicos da pessoa que aflora; uma pessoa que está mais aberta a todos os elementos de sua experiência orgânica; uma pessoa que está desenvolvendo uma confiança em seu próprio organismo como um instrumento de vida sensível...

Bibliografia:
Tornar-se Pessoa
Rogers, Carl R.
Editora Martins Fontes
São Paulo
1999
pag. 88, 89, 139 e 140

Afirmação de Carl R. Rogers :
Se eu posso criar uma relação caracterizada da minha parte:

por uma autenticidade e transparência, em que eu sou meus sentimentos reais;
por uma aceitação afetuosa e apreço pela outra pessoa como um indivíduo separado;
por uma capacidade sensível de ver seu mundo e a ele como ele os vê;

Então o outro índivíduo na relação :

experienciará e compreenderá aspectos de si mesmo que havia anteriormente reprimido;
dar-se-á conta de que está se tornando mais integrado, mais apto a funcionar efetivamente;
tornar-se-á mais semelhante à pessoa que gostaria de ser;
será mais autodiretivo e autoconfiante;
realizar-se-á mais enquanto pessoa, sendo mais único e auto-expressivo;
será mais compreensivo, mais aceitador com relação aos outros;
estará mais apto a enfrentar os problemas da vida adequadamente e de forma tranquila.

Bibliografia:
Tornar-se Pessoa
Rogers, Carl R.
Editora Martins Fontes
São Paulo
1999
pag. 43

Pensamento de Carl Rogers sobre aprender :
"Cheguei à conclusão de que a única coisa que se aprende de modo a influenciar significativamente o comportamento é um resultado da descoberta de si, de algo que é captado pelo indivíduo. Um conhecimento desse tipo, descoberto pelo indivíduo, essa verdade que foi captada e assinalada na experiência de um modo pessoal, não se pode comunicar diretamente à outra pessoa."

Pensamento de Huang Po
"Se buscar o conhecimento durante mil dias, isso valerá menos para você do que um dia de estudo sério das verdadeiras atividades da mente. Se não a estudar, você será incapaz de dirigir até mesmo uma simples gota de água."

O que pensava Carl Ranson ROGERS sobre a Capacidade do indivíduo :
"O ser humano tem a capacidade, latente ou manifesta, de compreender-se a si mesmo e de resolver seus problemas de modo suficiente para alcançar a satisfação e eficácia necessárias ao funcionamento adequado."
Bibliografia:

Psicoterapia e Relações Humanas
Rogers, C. R. & Kinget, G. M.
Interlivros
BH
1977
2ª ed. vol.I, II
Pág. 39

Adaptado de Carl R. Rogers, On Becoming a Person (Boston: Houghton Mifflin,1961), pp.18ss. :
"Descobri que permitir-me compreender uma outra pessoa é de enorme valia.

A maneira com que expressei esse pensamento talvez lhe pareça estranha.

Será necessário alguém permitir-se compreender o outro ? Acredito que sim.

Nossa primeira reação à maioria das afirmações (que ouvimos as outras pessoas fazerem) é uma avaliação ou um julgamento, mas não uma compreensão delas.

Quando alguém expressa sentimentos, atitudes ou crenças, nossa tendência é quase imediatamente sentir que 'isto é certo', 'isto é tolice', 'isto é anormal', 'isto é insensato', 'isto é incorreto', 'isto não é bom'.

Raramente, e muito raramente, permitimo-nos compreender precisamente o que signifacam as afirmações para a outra pessoa."

Um pouco do que pensava Carl Gustav Jung (1875-1961) sobre Mitos e Lendas :

JUNG "No Oriente, grande parte da terapia prática se constrói sobre o princípio de elevar o caso pessoal a uma situação geral válida. A medicina grega também trabalhava com o mesmo método. É evidente que a imagem coletiva ou sua aplicação deve estar de acordo com a condição particular do paciente. O mito ou a lenda emerge do material arquetípico que está constelado pela doença, e o efeito psicólogico consiste em conectar o paciente com o sentido geral de sua situação.
...
A moderna terapia espiritual usa o mesmo princípio: a dor ou doença é comparada com o sofrimento de Cristo na Cruz, e essa idéia dá consolação. O indivíduo é elevado acima de sua miserável solidão e colocado como quem suporta um destino heróico e significativo que, finalmente, reverte em bem para o mundo, como o martírio e a morte de um Deus.
...
Isto provocava tal libertação de energia que se torna perfeitamente compreensível por que a dor diminuía.
...
E é bem provável que um símbolo adequado e impressionante possa mobilizar as forças do inconsciente a tal ponto que até o sistema nervoso seja afetado, levando o corpo a reagir de maneira normal novamente."
Bibliografia:
Fundamentos de psicologia analítica
Jung, Carl Gustav
Editora Vozes
1985
Pag. 96 e 97

Pensamento de Carl Gustav Jung
"Nosso objetivo é a melhor compreensão possível da vida assim como a encontramos na alma humana. O que aprendemos através da compreensão não vai, espero sinceramente, petrificar-se em teoria intelectual, mas se tornar um instrumento que, através de sua aplicação prática, melhore em qualidade até poder servir seu propósito com o máximo de perfeição possível."

JUNG "Estou convencido de que a verdadeira meta da análise é atingida quando o paciente adquire um suficiente conhecimento dos métodos, mediante os quais poderá ficar em contato com o inconsciente, e um saber psicológico satisfatório, que lhe permita compreender razoavelmente o desenvolvimento do seu traçado vital ... Neste sentido, a análise não é um método que possa ser monopolizado pela medicina; é também uma arte, uma técnica ou uma ciência da vida psicológica, que devemos cultivar depois da cura, para o próprio bem e para o bem de todos ... e quanto mais conscientes nos tornamos de nós mesmos através do autoconhecimento, atuando consequentemente, tanto mais se reduzirá a camada do inconsciente pessoal que recobre o inconsciente coletivo. Desta forma, vai emergindo uma consciência livre do mundo mesquinho, suscetível e pessoal do eu, aberta para a livre participação de um mundo mais amplo"
Bibliografia :
O Eu e o Inconsciente
Carl Gustav JUNG
Editora vozes
Pág. 53 e 148

Gestalt-Terapia

Gestalt-Terapia é uma terapia experiencial e do presente, fundada por Frederick (Fritz) e Laura Perls na década de 1940. Ela ensina a terapeutas e pacientes o método experiencial da "awareness", no qual perceber, sentir e agir são distinguidos da interpretação e das atitudes evasivas preexistentes. A ênfase está em observar, descrever e explicar a estrutura exata do que está sendo experienciado no aqui e agora.

Interpretações, especulações, classificações são consideradas menos confiáveis do que são diretamente percebidas e sentidas. Pacientes e terapeutas na Gestalt-Terapia dialogam, ou seja, comunicam suas perspectivas experienciais.

Diferenças nas perspectivas tornam-se o foco da experimentação e da continuação do diálogo existencial, focado na existência das pessoas, nos relacionamentos, nas alegrias e sofrimentos, como são experienciados diretamente.

Os dados disponíveis para observação direta pelo terapeuta são estudados pelo foco fenomenológico, com experimentos, relatos dos participantes e diálogo.

O foco fenomenológico ajuda as pessoas a ficarem distantes da sua maneira usual de pensar, portanto elas podem constatar a diferença entre o que está atualmente sendo percebido e sentido na experiência vivenciada no aqui e agora e o que é resíduo do passado.

O objetivo é de que os pacientes se tornem conscientes do que eles estão fazendo, como eles estão fazendo isso, e como eles podem mudar-se, e ao mesmo tempo, aprenderem a reconhecer-se, a aceitar-se e a ter auto-estima.

Embora o foco do processo terapêutico seja o presente (aqui e agora), a experiência passada tem sua importância a partir da forma como afeta o "agora", surgindo como situações inacabadas, hábitos e crenças.

A Gestalt-Terapia foca mais o processo ( o que está acontecendo ) do que o conteúdo ( o que está sendo discutido/questionado/examinado ). A ênfase é no que está sendo experienciado, pensado e sentido no momento, antes do que, foi, poderia ser ou deveria ser.

O gestalt-terapeuta trabalha com estes elementos no aqui-agora criando condições para o paciente conscientizar-se dos mesmos, experimentar novas possibilidades de comportamentos, reformular sua existência. Aprendendo a acompanhar o seu próprio processo, o paciente poderá escolher e desenvolver seus próprios caminhos.

Bibliografia :
Awareness, Dialogue, and Process
The Gestalt Journal Press
1993
Gary Yontef, Ph.D.

PENSAMENTO DE FREUD

A interpretação dos sonhos é, de fato, a estrada real para o conhecimento

do inconsciente, a base mais segura da psicanálise.

É campo onde cada trabalhador pode por si mesmo chegar a adquirir

convicção própria, bem como atingir maiores aperfeiçoamentos.

Quando me perguntam como pode uma pessoa fazer-se psicanalista,

respondo que é pelo estudo dos próprios sonhos.

SIGMUND FREUD (1856-1939)

O Pensamento vivo de Freud

Martin Claret Editores

A PSICOLOGIA JUNGUIANA

Carl Gustav Jung, psicólogo e psicanalista suíço (1875-1961)

Teoria da Personalidade

Para Jung, a personalidade como um todo é denominada PSIQUE.
Esta palavra latina significava originalmente "espírito" ou "alma",
tendo porém passado, nos tempos modernos, a significar "mente",
como em psicologia, a ciência da mente.

A psique abrange todos os pensamentos, sentimentos e
comportamentos, tanto os conscientes como os inconscientes.

Podem-se distinguir três níveis na psique. São eles :
a consciência, o inconsciente pessoal e o inconsciente coletivo.

A CONSCIÊNCIA é a parte da mente conhecida diretamente pelo
indivíduo. Esta consciência se amplia com o uso de 4 funções
mentais que Jung denominou de :
pensamento, sentimento, sensação e intuição.

E existem 2 atitudes que orientam a mente consciente :
A atitude EXTROVERTIDA, orienta a consciência para
o mundo externo, objetivo.
E a atitude INTROVERTIDA, orienta a consciência para
o mundo interior, subjetivo.

O processo pelo qual a consciência de uma pessoa se
individualiza é conhecido pelo nome de INDIVIDUAÇÃO.

A meta da individuação é CONHECER A SI MESMO.

Do processo de individuação da consciência aparece
um novo elemento a que Jung denominou de EGO.

O ego é o nome dado por Jung à organização da
mente consciente; e que se compõem de percepções
conscientes, de recordações, pensamentos e sentimentos.

O ego atua como um filtro para a personalidade, tendo
como função constante a seleção e eliminação das
experiências recebidas.

As experiências recebidas que são eliminadas, não
desaparecem da psique, pelo contrário, ficam
armazenadas no que Jung denominou INCONSCIENTE
PESSOAL.

No inconsciente pessoal ficam armazenadas todas as
atividades psíquicas reprimidas e os conteúdos que não
se harmonizam com a individuação.

Existe a possibilidade da formação de um aglomerado de
sentimentos, pensamentos, lembranças do inconsciente , a
isto, Jung chamou COMPLEXOS.

Para Jung os complexos não são necessariamente um obstáculo
ao ajustamento de uma pessoa. Na verdade eles podem ser e
freqüentemente o são, fontes de inspiração e de impulso,
essenciais para a superação de limites.

Na procura da origem dos complexos, Jung descobriu outro nível
da psique a que deu o nome de INCONSCIENTE COLETIVO.

O inconsciente coletivo é a parte da psique que se pode distinguir
do inconsciente pessoal pelo fato da sua existência não depender
da experiência pessoal. O inconsciente pessoal compõem-se de
conteúdos que foram em certo momento conscientes, ao passo
que os conteúdos do inconsciente coletivo jamais o foram no
período de vida dum indivíduo.

O inconsciente coletivo é um reservatório de imagens latentes,
em geral denominadas "imagens primordiais" por Jung, que
dizem respeito ao desenvolvimento mais primitivo da psique.

O homem herda tais imagens do passado ancestral, passado que
inclui todos os antecessores humanos, bem como os antecessores
pré-humanos ou animais. Estas imagens não são herdadas no
sentido de uma pessoa lembrar-se delas conscientemente, ou de
ter visões como as dos antepassados. São antes predisposições
ou potencialidades no experimentar e no responder ao mundo
tal como os antepassados. Por exemplo o medo do escuro,
não lhe foi preciso aprender este medo através de experiências
com a escuridão, herdamos isso porque nossos ancestrais
experimentaram este medo ao longo das gerações.

Os conteúdos do inconsciente coletivo denominam-se
ARQUÉTIPOS. A palavra arquétipo significa um modelo
original que conforma outras coisas do mesmo tipo.

Jung escreveu :
"Existem tantos arquétipos quantas as situações típicas na vida.
Uma repetição infinita gravou estas experiências em nossa
constituição psíquica, não sob a forma de imagens saturadas
de conteúdo, mas a princípio somente como formas sem conteúdo
que representavam apenas a possibilidade de um certo tipo de
percepção e de ação". (vol. 9i, p. 48)

Os arquétipos são universais, isto é, todos herdam as mesmas
imagens arquétipicas básicas.

Bibliografia :
Introdução à Psicologia Junguiana
Calvin S. Hall e Vernon J. Nordby
Editora Cultrix

PAGINA ANTERIOR